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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Fichamento III - Por: Adiel Alves

DISPOSIÇÃO PALCO/PLATÉIA AO LONGO DA HISTÓRIA: LUGAR E PAPEL DO ESPECTADOR

Autor: Luís Cláudio Cajaiba Soares

“As mudanças arquitetônicas dos espaços destinados às encenações teatrais, especialmente no que se refere aos palcos e às platéias, que tiveram início com as encenações de tragédias e comédias gregas continuam se desenvolvendo e se modificando até hoje.” (p. 178)



“As transformações promovidas pelo teatro romano já vinham carregadas de aproximações na relação palco/platéia e já denunciava o grau de sedução e provocação que um exercia sobre o outro e vice-versa.” (p. 180)



“As encenações nas praças e mercados, em palcos distribuídos em círculo, sobre os quais se representavam repetidamente as paixões, retomaram a disposição circular em torno da cena, característica do teatro grego. Mas desta vez o público estava aproximado e unificado pela fé, e se deslocava com as figuras divinas, sagradas para diferentes espaços a eles destinados – exatamente como se supõe ter acontecido na paixão de Cristo – andando, sofrendo, ‘morrendo’, glorificando-se e ‘ressucitando-se’ com a sacra representação.” (p. 180)



“Atravessando-se o portal que separa a Idade Média dos novos tempos, passando pela esfera do Humanismo e da Renascença, perceber-se-á, como aponta Kindermann, que apesar do empenho em se resgatar o conhecimento da era antiga, quase não há registros da disposição circular outrora predominante.” (p. 180).



“Balaustradas nas galerias frontais próximas ao palco eram a forma de proteger os atores do público temperamental. Os palcos ingleses eram divididos em céu, terra e inferno, localizados em diferentes níveis espaciais e em diferentes galerias.” (p. 183).



“Mas o ‘palco italiano’, como hoje é conhecido não tardaria a aparecer: Sua estrutura já vinha se esboçando através da disposição da confrontação, mas só se consolida na era barroca.” (p. 184)



"A manifestação da platéia formada pelos não nobres, muitas vezes deveria estar de acordo com a reação dos nobres. Se o rei risse em alto e bom tom de alguma ação mostrada em cena, o público estava autorizado, ou talvez até ‘obrigado’ a fazê-lo também. Caso contrário se poderia incorrer em gafes e ferir certos princípios, certas regras de comportamento ofensiva.” (p. 185)

"A aristocracia do período de Luís XIV impunha, assim, um conceito de disposição e comportamento muito distante dos praticados no período shakespereano, no qual as platéias manifestavam-se com total liberdade e veemência" (p. 185).


"Esta distância entre palco e platéia, que era comum em outras construções da época, foi apelidada por alguns historiadores de ‘terra de ninguém’. O apelido se refere também à disputa quase bélica travada entre os espectadores no momento de escolha dos assentos.” (p.185)



"A reaproximação do público com o palco, no projeto de Fchs, se dava através do proscênio anfiteatral. Além disso, o palco foi dividido em três partes: um alto e largo proscênio, um palco principal, também alto e um palco de fundo." (p. 187)


“Hoje são inumeráveis os locais onde se apresentam as diferentes encenações e conseqüentemente, os diferentes modos de recepção: na rua em circos, fachadas, janelas, ruínas, quartos, montanhas, cemitérios, rios, praias, fábricas abandonadas, num vagão de trem, num bar, hospitais, ou seja, não existe de antemão um lugar onde o teatro não possa ser encenado. Assim, como destaca Fischer-Lichte, ‘do espectador contemporâneo exige-se não somente sua atividade como também sua criatividade’.” (p.189)



Impressões



A presente obra trata de questões históricas relacionadas ao comportamento das pessoas em função das disposições do espaço físico (palco e platéia), onde ocorrem as encenações e de como tais comportamentos vem sendo modificados com o passar do tempo.



Atmosfera e recepção numa experiência com o teatro na Alemanha.



Autor: Luiz Claudio Cajaiba Soares.



"Até o surgimento da teoria da recepção, no inicio da década de 1970, as discussões sobre os fenômenos artísticos se pautavam, majoritariamente, nas questões forma/ conteúdo, ignorando-se ou menosprezando-se o papel do receptor. Mas não há dúvidas de que espectador adquiriu um novo status, um novo lugar, na teoria que se produz hoje sobre as artes cênicas."



“Tratar de recepção de teatro remete às origens deste fenômeno, localizadas pelas referências históricas na Grécia, especificamente na noção de catarse identificada na obra de Aristóteles”



“Ao drama, mais que outra coisa, importa a possibilidade de operar metáforas, importa envolver o espectador em uma determinada atmosfera.”



“Essas três formulações prevêem um lugar para o receptor, que o privilegia. A partir da asserção de Barros, pode-se inferir que entre estas “coisas” está o teatro, que às vezes tem sido vítima de discursos razoáveis, para não dizer viciados.”



“Para que as coisas e o teatro deixem de ser vistas por pessoas razoáveis é preciso que o discurso sobre eles também deixe de ser ‘razoável’. É preciso que a recepção seja vista como livre das amarras impostas pelo romantismo, que pressupõe o artista genial e o receptor ignaro.”



 “‘[...] Assim, tem-se a impressão que através do termo atmosfera, algo impreciso, de difícil expressão, pode ser descrito, o que revela apenas a sublimação, uma certa incapacidade em se descrever, de fato, aquilo que se experimenta, aquilo que se apresenta. (Böhme, 1995, p.21). Böhme refere-se, com esta descrição inicial, a certo hermetismo que os discursos sobre a arte tendem a adquirir. No lugar de promoverem uma aproximação do interlocutor ao fenômeno, à experiência vivida, acabam por afastá-lo. Ele acentua ainda que a palavra atmosfera, em contextos sobre a experiência estética, se aproximaria dos discursos políticos, quando se enfatiza, por exemplo, que o passo mais importante – e só assim as melhorias podem acontecer – é a mudança dessa atmosfera: precisamos mudar isso e aquilo, para que ocorra isso e aquilo.”



“Mesmo partindo-se do pressuposto de que ‘toda atmosfera é imprecisa em relação ao seu status ontológico’. Isso significa dizer que mesmo essa descrição conterá ainda a imprecisão e que uma descrição, onde estão implicados sujeitos e objetos, sempre parecerá nebulosa e carente de uma complementação pelo sentir. Por isso clama por um redimensionamento, por uma rearticulação do uso do termo atmosfera e propõe que o ‘conceito de atmosfera enquanto conceito de Estética deve unir os diferentes usos do cotidiano aos seus diferentes caracteres’



“A atmosfera proposta pelo dramaturgo, assimilada de forma contundente pelo encenador no programa do espetáculo: ‘Perceba simplesmente que tipo de ação política, emocional ou filosófica a peça exerce sobre você. A peça significa para cada expectador uma coisa diferente’.”



“Lembrei-me, então, de outro filósofo alemão, Hans Georg Gadamer, que diz que a experiência com a arte é o lugar mais confortável do homem no mundo, por proporcionar uma clivagem, um desligamento de si, uma entrega ao outro. E constato que ele tinha razão.”


“Quero ressaltar, por fim, que o desencadeamento destas constatações não são privilégio do teatro alemão ou do teatro ali exibido, como em algum momento possa ter parecido.”



Comentário:



O autor fala do envolvimento do espectador em uma “atmosfera” formada no exato momento de apreciação de uma obra. Utiliza ainda, o temo “aura” para definir uma espécie de sensação (segundo meu entendimento) que se instala dentro daquela atmosfera de apreciação teatral, gerando assim, conhecimento. Entendo ainda que cada obra apreciada deva exercer sobre o espectador diferentes tipos de sensações, entendimentos e que em um mesmo espetáculo, por exemplo, dois espectadores terão diferentes impressões sobre a obra.

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