Uma incursão pela estética da recepção
Edélcio Mostaço
Fichamento
“A recepção não uma dimensão individual, mas um fenômeno coletivo, resultante das manifestações advindas das interpretações singulares ou grupais, dimensionada através das práticas de leitura e agenciamentos históricos efetuados sobre textos e autores.” P.01
“Ao emergir, em sua fase heróica, a estética da recepção provocou vários abalos, especialmente por deslocar o eixo da discussão cultural, deixando de privilegiar o autor e seu universo para ressaltar o processo interativo que se estabelece entre a obra e o leitor e o fundo social circundante. Ou seja, as questões relativas aos sentidos provocados pela obra dependem sempre de um contexto e eles são mutáveis, em função das circunstâncias de leitura.” p.02
“Já apontado por Jauss anteriormente, o prazer enfatizava a materialidade sensível do processo artístico, as constituintes intrínsecas à arte que, irredutíveis quando da experiência estética, reverberam sobre o corpo do leitor / espectador. Ignora-las é fazer-se cego (ou surdo ou mudo) às percepções e sensações originárias da obra, razão de ser de sua produção e fruição.”p.03
“O objeto de arte, tal como qualquer outro produto, cria um público capaz de compreender a arte de apreciar a beleza. Portanto, a produção não cria somente um objeto para o sujeito, mas também um sujeito para o objeto.(Marx, 1973, p.116)” p.03
“A estética da recepção parte do pressuposto de que a arte é um fazer, uma construção e, como tal, infunde uma dada relação com o leitor / espectador.” P.04
“[...] arte como construção, como procedimento, como estranhamento [...], uma vez que implicam na relação estabelecida com o leitor / espectador.” P.04
“Mesmo propostas estéticas que almejam o distanciamento, o estranhamento que almejam o distanciamento, a ironia (como dadaísmo, o surrealismo ou Brecht) necessitam partir, no plano da experiência, de uma identificação inicial.”p.05
“Essa fronteira cognitiva, saber falso / crer-verdade, que marca a separação entre o interior e o exterior, [...] é a mesma que estabelece a diferença intrínseca e substancial entre as emoções estéticas reais e as emoções teatrais.”p.05
Comentário
O texto de Mostaço inicia com uma breve abordagem sobre os estudos de recepção,baseados principalmente na Escola de Constança, tento como expoentes mais notórios Robert Jauss e Wolfgang Iser. A partir dos conceitos de poiesis, aisthesis e katharsis, se avalia o processo de recepção.
A estética da recepção teve grande importância devido a mudança de foco, antes no processo criação autoral (particular) e agora estabelecendo a relação entre a obra, o leitor e o contexto em que este último está inserido.
As discussões acerca que qual instância (poiesis, aisthesis e katharsis) era mais posta em evidência, a teoria do reflexo, a capacidade de identificação do espectador com o espetáculo é questionada, como algo alienador e enganoso . No entanto, é interessante perceber nas pesquisas posteriores, que mesmo proposta cênica que se pretendiam negar a catarse, necessitam de algum momento que haja identificação por parte do espectador com obra, mesmo num procedimento de que adote o estranhamento, que exige um consciência do papel de espectador como estratégia estética. Segundo Jauss, a função comunicativa não depende (necessariamente) de uma mediação catártica, podendo também decorrer da contemplação seguinte de compreensão acerca do mundo do outro.
Outra observação importante diz respeito a responsabilidade dos avanços a acerca decodificação da linguagem cênica, que muito devem aos estudo da performance, perfomatividade, por estreitar os laços sob pontos de vista da sensibilidade e reconhecimento da teatralidade nas ações cotidianas.
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