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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Performance Recepção Leitura

“(...) O que muito me ajudou nisto foi o fato de que o interesse pela voz ultrapassa o domínio cientifico: basta ver a grande quantidade de números especiais em revistas (em particular na França e nos Estados Unidos) consagrados à voz, a partir de 1980. Além disso, não se ignora o movimento que, desde o inicio do século, compele os poetas a realizarem vocalmente sua poesia. Foram as diversas formas de poesia sonora que, inicialmente, levaram-me ao estudo “científico” da voz.” (p.12)

Quando criança era comum os recitais de poetas nas ruas de Salvador. Hoje já não os vejo!

“Embora por profissão eu seja um homem da escrita (e em certa medida sinto-me e quero-me um escritor), sempre experimentei um interesse afetuoso, e, às vezes, uma paixão pela voz humana, ou mais, pelas vozes, porque elas são por natureza particulares e concretas. (...).” (p.16)

Humaniza e individualiza o ser humano, desconstruindo a máquina industrial.

“3. pela seqüência de manipulações que os sistemas de registro permitem hoje, os mídia tendem a apagar as referências espaciais da voz viva: o espaço em que se desenrola a voz midiatizada torna-se ou pode tornar-se um espaço artificialmente composto.” (p.17)

“De todo modo é claro que a mediação eletrônica fixa a voz (e a imagem). Fazendo-os reiteráveis, ela os torna abstratos, ou seja, abolindo seu caráter efêmero abole o que eu chamo sua tactilidade. No entanto, se me ocorre falar do retorno forçado da voz, entendo por isso uma outra coisa, que ultrapassa a tecnologia dos mídia: faço alusão a uma espécie de ressurgência das energias vocais da humanidade, energias que foram reprimidas durante séculos no discurso social das sociedades ocidentais pelo curso hegemônico da escritura. Os signos dessa ressurgência (melhor dizer insurreição?) estão em toda parte, do desdém dos jovens pela leitura até a proliferação da canção a partir dos anos 50, em toda a Europa e América do Norte. Tais fatos me interessam mais pelas realidades psicossociológicas latentes que eles manifestam do que por seu alcance atual.” (p.18)

Os grunhidos foram os primeiros meios vocais com os primitivos, sem um significante para o som, mas que tinham significados dependendo de como eram feitos. Na sociedade civilizada esse grunhido tornou-se palavra, mais habitual e “mais prática” para os jovens, do que a escrita causando, por exemplo, um grande número de alunos nas escolas públicas como uma desordem gramatical brasileira grande; esses erros gerados pelo desinteresse da escrita nos torna nacionalmente menos ou nada alfabetizados.

“É somente por meio dessa aproximação, e para além das conseqüências que ela comporta e dos resultados aos quais ela conduz, que se pode praticar uma concentração no próprio texto. Mas talvez, ao dizer isto eu cometa sem querer um erro etnocêntrico! Talvez esse percurso só seja possível no estudo das tradições poéticas e literárias européias, e não seria derrisório no imenso domínio das poesias tradicionais da África?” (p.21)

Gosto dessa estrofe, pois Zumthor explicita o estrangeirismo nessa fala. Insatisfaz-me essa maneira que o povo de algumas culturas tem de super valorizar neste caso, o estudo das tradições poéticas e literárias européias, porque não se valoriza o que vem de berço, da sua própria cultura para expandí-la?

“(...) Umberto Eco publicou, em 1979, seu Lector in fabula²: fazendo a Peirce, em quem se baseou, uma pequena violência, ele revelava, na oposição significado-interpretante, o espaço em que se estabelecem e desdobram as relações complexas entre o leitor e o texto lido, bem como as estratégias de leitura. Essas últimas tendem a modificar, em alguma medida, o objeto proposto pelo autor, porque não há homologia nem entre as competências em jogo (escrever; ler), nem no investimento, aqui e lá, das energias vivas. (...)” (p.26)

“(...) Admitamos, com a maior parte dos autores, que um texto só existe, verdadeiramente, na medida em que há leitores (pelo menos potenciais) aos quais tende a deixar alguma iniciativa interpretativa; tendência crescente, na medida em que diminui a função informativa ou imperativa do texto em causa. (...)” (p.27)

Se não houver quem causa, modifica, internaliza e expanda seus conceitos, suas vivências não há real razão num pensar social, global.

“(...) Nesse sentido, a performance é para esses etnólogos uma noção central no estudo da comunicação oral. Isto explica, afinal, que desde o início dos anos 50 a palavra fosse empregada pela lingüística, especialmente nos Estados Unidos. A noção pareceu indispensável a toda operação pragmática ou generativa. As regras da performance – com efeito, regendo simultaneamente o tempo, o lugar, a finalidade da transmissão, a ação do locutor e, em ampla medida, a resposta do público – importam para comunicação tanto ou ainda mais do que as regras textuais postas na obra na seqüência das frases: destas, elas engendram o contexto real e determinam finalmente o alcance.(...)” (p.35)

“2. A performance se situa num contexto ao mesmo tempo cultural e situacional: nesse contexto ela aparece como uma “emergência”, um fenômeno que sai desse contexto ao mesmo tempo em que nele encontra lugar. Algo se criou, atingiu a plenitude e, por aí mesmo, ultrapassa o curso comum dos acontecimentos.” (p.36)

É tão intenso que é liberado de forma espontânea, essa performance seria o grito social para determinada situação. Deixa de ser significante para ter significado.

“A questão que se coloca é esta: em que medida pode-se aplicar a noção de performance à percepção plena de um texto literário, mesmo se essa percepção permanece puramente visual e muda, como é geralmente a leitura em nossa prática, há dois ou três séculos?”

Casual, rasa, sintética. Dificilmente se apreende o que lê. A falta de uma leitura profunda faz com que a educação caia numa sistematização de gravar a matéria levando ao esquecimento. Não traz o conteúdo!

“A performance é ato de presença no mundo e em si mesma. Nela o mundo está presente. Assim, não se pode falar de performance de maneira perfeitamente unívoca e há lugar aí para definir em diferentes graus, ou modalidades: a performance propriamente dita, gravada pelo etnólogo num contexto de pura oralidade; depois uma série de realizações mais ou menos claras, que se afastam gradualmente desse primeiro modelo.(...) (p.79)

A performance conhecida e realizada no Brasil, de distintas maneiras, abordando temas diversos, mas performance sempre tem um cunho político, um ideal a ser conquistado. Os artistas performáticos, ainda que devagarzinho esteja ganhando espaço com o seu corpo, sua voz, sua literatura visual em meio às áreas urbanas de grande movimentação, com certeza deve ter neste momento algum movimento performático. Gritando suas formas ideológicas.
Essa abordagem corporal me lembrou Laban com sua fluição corporal e Grotowski com a busca da catarse do ator, expectador em conjunto a um trabalho literário, visual e dramático.









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