Bolsista: Marco Calil
Pedagogia da Bobagem: Uma pedagogia de palhaço na educação de adultos com deficiência intelectual
Laili von Czékus Flórez Cabalero
“O palhaço e a pessoa com deficiência intelectual têm em comum características comportamentais, cognitivas e emocionais. Além disso, ambos ainda hoje sofrem com atitudes de segregação e estigmatização: o/a deficiente é considerado/a e tratado/a como ‘anormal’ pela sociedade e excluído/a de seus direitos de lazer, participação política, saúde e educação; o palhaço, quando não é utilizado enquanto apelido pejorativo, é considerado como representante de uma ‘arte menor’.”
“Estas pedagogias baseiam-se no princípio de que o palhaço é a dilatação do ridículo de cada um e o trabalho para se chegar a este ‘estado’ consiste em atividades que exponham o aluno, de modo que este se encontre desnudo em suas bobagens (Lecoq, 2010).”
“Na proposta aqui apresentada, alguns conceitos e práticas destas metodologias são mantidos enquanto elementos motivadores e adaptados de acordo com as demandas do grupo. Dentre eles, destaco: o palhaço como dilatação do ridículo, o jogo e o autoconhecimento como estratégias pedagógicas, o nariz vermelho enquanto portal para a liberdade de ser.”
“Por outro lado, um trabalho de exposição se faz não somente perigoso como
desnecessário com estes alunos. É justamente pela verdade em suas reações que e apresentam genuinamente com seus ridículos, suas fraquezas e suas bobagens. O deficiente intelectual nada ou pouco esconde as peculiaridades de seu corpo e do seu jeito de estar no mundo.”
“Na minha proposta enquanto pesquisadora e professora, o nariz possui papel
essencial e é apresentado aos alunos como uma possibilidade de ser e estar no mundo em liberdade e plenitude; sua utilização é uma oportunidade de desapegar de qualquer timidez ou tentativa de enquadramento, possíveis resquícios de uma educação adestradora disfarçada em inclusão social.”
“Reconhecer nas diferenças a beleza do riso e do risível, a importância política em crer e agir de forma alheia aos padrões morais vigentes da sociedade, a atitude revolucionária em se assumir nas suas bobagens.”
Comentário:
Esse texto traz uma pesquisa bastante ousada, não só pelo público alvo que são pessoas com deficiência intelectual, mas pela proposta que é de trabalhar com o palhaço, pois para alguns é difícil encontrar o sorriso nessas pessoas. Mas a autora propõe algo brilhante, que é trabalhar esse palhaço no intuito de revelar o ridículo, sendo que o ridículo já está revelado nessas pessoas e assumir o risco desse processo de descoberta é também bastante interessante, pois é uma faca de dois gumes. O trabalho com o nariz também é de fundamental importância, pois o nariz além de representar a máscara, essa passagem para esse outro universo, traz a idéia de que tudo é possível quando se esta de nariz, não importando os padrões sociais, os padrões morais que tantos essas pessoas são julgadas.
Teatro na Prisão: trajetórias individuais e perspectivas coletivas
Natália Ribeiro Fiche
“Os alunos-atores podem verificar na prática teatral, na experiência, a força libertadora do teatro. Os detentos, obrigados a passar anos dentro de um mesmo espaço, têm a possibilidade de se transportarem para outros locais através das improvisações e encenações. O teatro na prisão, muitas vezes, mostra a força política, quando trabalha com temas como violência, injustiça, morte e revela como os detentos e os alunos enxergam, questionam e projetam o mundo. É o teatro cumprindo a possível função de conscientização e mobilização.”
“O teatro, de alguma maneira, pode cumprir o papel de envolver o preso em um
projeto, numa tentativa de afirmação de sua identidade e de valorização como sujeito histórico. O teatro, praticado como meio de aprendizado de uma linguagem e forma de expressão, pode desempenhar o papel de contribuir para a construção de sujeitos de decisão. Por meio de exercícios teatrais, o detento pode adquirir outra disciplina.”
“Um dos princípios utilizados nesse trabalho, desde o início, é de não ter como
objetivo transformar ninguém e ter sempre consciência de que o crime cometido não é de nosso interesse. Ignorar a origem dos crimes cometidos é essencial para uma relação de não julgamento entre os alunos e os detentos. O único foco é fazer teatro.”
“O Teatro na Prisão numa relação não hierarquizante entre a academia e a comunidade carcerária reconhece o saber de todos em questão, estabelecendo processos de trocas de experiências, respeitando os limites de ambos os espaços. Na prisão, o teatro funciona como resistência. Resistir é um ato de liberdade.”
Comentário:
Essa experiência é sem dúvida muito interessante, pois fazer pessoas que perderam sua identidade, que não têm mais projetos de vida, começar a refletir sobre diversos temas e através da prática com o teatro se transportarem para o mundo lá fora é de fato instigante. O não trabalhar com o os crimes que eles cometeram e apenas focar em fazer teatro também ajuda nessa reflexão e mobilização desses alunos, que os fazem voltar a ter um projeto de vida, a construção do sujeito e a conscientização da resistência, da liberdade.
“Melodrama da meia-noite” e “Simbá, o marujo”: ações para uma pedagogia do espectador por meio da cena
Paulo Merisio
“Cada espetáculo possui uma abordagem própria desta questão, mas ambos estabelecem um convite para que o público atue claramente como elemento fundamental do fenômeno teatral e corroboram com a idéia de que o domínio e a experimentação de elementos teatrais podem gerar espectadores mais exigentes e participativos.”
Comentário:
Muita gente rejeita ir ao teatro, por alegar que ele é chato, enfadonho e tudo mais, mas quando o espetáculo envolve seus espectadores e os fazem participantes desse processo, todos esses argumentos caem por terra.
“O grupo compartilha da perspectiva proposta por Brook (1999), acreditando na
idéia de que, ao se estimular o a imaginação, contribui-se no processo de formação dos espectadores”
Comentário:
Sem dúvidas é muito interessante, espetáculos que deixam lacunas que possam ser preenchidas pelos espectadores, pois assim a reflexão sobre o que se assistiu se torna cada vez mais eficaz e sedutora no sentido da formação de platéia.
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