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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Fichamento Texto 7

*ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção, leitura / Paul Zumthor; trads. Jerusa Pires Ferreira, Suely Fenerich. São Paulo: EDUC, 2000.

“Estou particularmente convencido de que a idéia de performance deveria ser amplamente estendida; ela deveria englobar o conjuntos de fatos que compreende, hoje em dia, a palavra recepção, mas relaciono-a ao momento decisivo em que todos os elementos cristalizam em uma e para uma recepção sensorial – um engajamento do corpo.” (p.22)
“[...] coloco-me do ponto de vista do leitor, mais do que da leitura, no sentido em que esta palavra designa abstratamente uma operação. O que eu questiono é o leitor lendo, operador da ação de ler.” (p.29)
“[...] tratando-se da presença corporal do leitor de “literatura”, interrogo-me sobre o funcionamento, as modalidades e o efeito (em nível individual) das transmissões orais da poesia.” (p.31)

“Se um fato observado em performance é, por motivos práticos, transmitido, como objeto científico, por impressão ou conferência, então de maneira indireta e segunda, a forma se quebra. Neste sentido, a performance é para esse etnólogos uma noção central no estudo da comunicação oral.” (p.34)

“Muitas culturas através do mundo codificaram os aspectos não verbais da performance e a promoveram abertamente como fonte de eficácia textual.” (p.35)

“A performance de qualquer jeito, modifica o conhecimento. Ela não é simplesmente um meio de comunicação:comunicando ela o marca.” (p.37)

“Recorrer à noção de performance implica então a necessidade de reintroduzir a consideração do corpo no estudo da obra. Ora, o corpo (que existe enquanto relação, a cada momento recriado, do eu ao seu ser físico) é da ordem do indizivelmente pessoal.” (p. 45)

“Neste sentido, poesia e escrita tendem por meios não comparáveis, ao mesmo fim. É isso mesmo que funda aquilo que chamamos a literatura. Um encontro saboroso se produziu entre a linguagem poética e essa técnica extraordinária da escritura que ela encontrou em seu caminho.” (p. 58)

“A performance é então um momento da recepção: momento privilegiado, em que um enunciado é realmente recebido.” (p. 59)

“Não é menos verdade, no entanto, que toda leitura seja produtividade e que ela gere um prazer. Mas é preciso reintegrar, nesta idéia de produtividade, a percepção, o conjunto de percepções sensoriais. A recepção, eu o repito, se produz em circunstância psíquica privilegiada: performance ou leitura.” (p. 61)

“ O eu só importa pelo que ele denota: a saber, que o encontro da obra e de seu leitor é por natureza estritamente individual, mesmo se houver uma pluralidade de leitores no espaço do tempo.” (p.64)

“O que nos fica é que essas variações históricas não concernem ao essencial. Transmitida a obra pela voz ou pela escrita, produzem-se entre elas e seu público, tantos encontros diferentes quanto diferentes ouvintes e leitores. A única dissimetria entre esses dois modos de comunicação se deve ao fato de que a oralidade permite a recepção coletiva.” (p. 65)

“O retorno do homem concreto. É nessa perspectiva que tento perceber que na minha leitura dos textos das quais extraiu minha alegria está perto do meu corpo.” (p. 73)

“Nesse sentido não se pode duvidar de que estejamos hoje no linear de uma nova era da oralidade, sem dúvida muito diferente do que foi a oralidade tradicional; no seio de uma cultura no qual a voz, em sua qualidade de emanação do corpo, é um motor essencial da energia coletiva.” (p. 73)

“A performance é ato de presença no mundo e em si mesma. Nela o mundo está presente. Assim, não se pode falar de performance de maneira perfeitamente unívoca e há lugar aí para definir em diferentes graus, ou modalidades: a performance propriamente dita, gravada pelo etnólogo num contexto de pura oralidade; depois uma série de realizações mais ou menos claras, que se afastam gradualmente desse primeiro modelo.” (p. 79)

“Na leitura, essa presença é por assim dizer colocada entre parênteses; mas subsiste uma presença invisível, que é manifestação de um outro, muito forte para que minha adesão a essa voz, a mim assim dirigida por intermédio do escrito.(p. 80)”

“[...] não somente o conhecimento se faz pelo corpo mas ele é, em seu princípio. (p. 91)”

“Perceber lendo poesia é suscitar uma presença em mim, leitor. Mas nenhuma presença é plena, não há nunca coincidência entre ela e eu. Toda presença é precária, ameaçada.” (p. 94)

“Nossos ‘sentidos’, na significação mais corporal da palavra, a visão, a audição, não são somente as ferramentas de registro, são órgãos de conhecimento.” (p. 95)

“A voz [...] significa o lugar de um sujeito que não se reduz à sua localização pessoal.” (p. 97-98)

“A imaginação, contrariamente ao ditado, não é louca; simplesmente, ela dês - razoa. Em vez de deduzir, do objeto com o qual se confronta, possíveis conseqüências, ela o faz trabalhar.” (p.124)

Impressões....
O autor traz um aspecto muito significativo no que se refere à recepção do leitor, utilizando um entrecruzamento de questões relacionadas à leitura e a performance, enfatizando também a importância da recepção teatral. Inicialmente o autor trata da performance ao qual considera como “um engajamento do corpo”, ou seja o ápice em que todos os sentidos se alinham e por isso conferem uma “única forma eficaz de comunicação poética”. No momento seguinte o autor apresenta a performance como sendo capaz de promover uma recepção coletiva, abordando a leitura de uma obra. Zumthor destaca que a base da comunicação vai além dos aspectos lingüísticos, o que retira da fala a relevância total em um processo de comunicação e ou apreensão de um leitor/espectador perante uma obra, elevando assim a importância dos outros sentidos no processo de aprendizagem.












































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