A escrita teatral na formação de professores
Alessandra Ancona de Faria
Pontifícia Universidade Católica
Palavras-chave: formação de professores, jogo teatral, dramaturgia, educação,
improvisação.
“Considerada como parte da construção profissional do professor, os cursos de capacitação, aprimoramento, especialização, extensão que traduzem o caráter de formação continuada tendem a repetir processos já vivenciados ao longo da formação inicial. Assim, os índices de insatisfação, deserção ou absenteísmo em relação a essas práticas são elevados.” p.1
“Trabalhar com a história de vida dos professores é entender a formação como um processo de construção de sentido, a construção de um sentido que só será possível na proposição de que cada professor possa criar a sua história(...)” p.1
“Toma-se neste projeto a arte como meio de transformação e dentro deste
entendimento, a presença da arte é fundamental para que, a formação permita vivenciar as relações entre o real e o imaginário, entre o real como está definido atualmente e a possibilidade de transformação desta realidade.”p.2
“A impossibilidade de resolução das proposições individualmente, que faz parte da estrutura do jogo teatral, propõe que a relação coletiva se fortaleça e crie unidade, cada um se reconhecendo como integrante de um coletivo”. p.2
“(...) a história de vida do professor passa a constituir a reflexão sobre seu
trabalho docente, estabelecendo uma identificação entre estas histórias e a escrita teatral.Haveria desse modo, uma aproximação entre a escrita teatral contemporânea e o processo de trazer à memória que é ativada com relação aos acontecimentos passados: lembra-se aos poucos, lembra-se por pedaços, lembra-se com lacunas(...)” p.4
“Busco, nesta pesquisa, por um educador que pensa, planeja, executa, que reflete sobre suas ações, reconhecendo que de fato a sua construção pedagógica tem uma identidade, tem um jeito singular de ser, que é, afinal, o modo pelo qual concebe o mundo (...)” p.4
“Pensar na instituição pública a partir deste trabalho proporcionará condições de redimensionar o papel do educador junto à sociedade (...)” p.4
Comentário:
A autora debruça diante do estado de desestímulo do professor, que não consegue mais enxergar a sua ação como importante para a formação individual e social. Ela discorre sobre a necessidade de possibilitar ao educador a valorização do seu próprio percusso , sua historia de vida, seus anseios , suas descobertas, utilizando o jogo teatral e a escrita dramaturgica como meio de reflexão crítica para o seu papel enquanto profissional, e a relação com os demais educadores.
Acredito que essa pesquisa permite contextualizar a situação da educação como um todo, colocando em “pratos limpos” os problemas encontrados, percebendo o que é individual e o que é coletivo, e a partir daí trazendo questionamentos frente a possíveis soluções. Se faz importante um tipo de pesquisa que retira do professor a culpa única e exclusiva diante da defasagem da educação, pelo contrário, percebe nele a fragilidade e o rancor em estar em um ambiente de trabalho que não lhe estimula, que não lhe quer bem, que não lhe proporciona “alimento” à mudança esperada.
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