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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Beatriz Ângela Vieira Cabral - A tensão como pivô da experiência em drama

”A experiência sensível, em drama, inclui a delimitação de um contexto ficcional, a
identificação de papéis para os participantes, a atuação do professor como performer ou
personagem, e a apresentação de um problema ou situação criado por uma imposição
deliberada de limitações (de tempo, de meios, de relacionamento).”

“A experiência dramática é bem sucedida, afirma Bolton, quando o grupo intuitivamente reconhece que a intensidade de uma situação reside na dificuldade de tomar uma decisão que poderá lhe ser favorável ou não. A tensão antecede o conflito, e em drama, sobrepõem-se a ele, dado o seu caráter de experiência existencial, que prioriza a dinâmica interna de uma situação em detrimento de uma possível sequência de ações (esta centrada na representação).”

“ Por outro lado, o conflito uma vez despertado é difícil de controlar e pode facilmente espalhar limites não claros entre o comportamento apropriado a um personagem e “... Drama não é o estudo do texto, embora possa ser parte disto; não é uma apresentação teatral, embora possa ser parte disto; drama é essencialmente uma interação dramática cujo processo mobiliza os sentimentos e o intelecto dos participantes com o objetivo de compreender seus significados e implicações.”

“... A atividade dramática requer que o participante adote conscientemente um ‘como se’, simultaneamente mantendo dois mundos em mente: o presente ou real e o ausente ou fictício. Quanto maior o engajamento dos participantes com o contexto da ficção, maior a imersão no mundo virtual, que se torna o único ‘presente’ enquanto dura a experiência, da mesma forma que o ‘como se’ é a fonte da energia dramática.”

“Por outro lado, o conflito uma vez despertado é difícil de controlar e pode facilmente espalhar limites não claros entre o comportamento apropriado a um personagem e aquele apropriado a um participante. Já a tensão, ao ativar a energia através do confronto entre expectativas e limitações, implica afastar três riscos que impedem a interação ética – estética – política...”

”Pierre Bourdieu (2004, 2007), usa o conceito de habitus para se referir à reprodução social e à resistência a mudanças. Para ele, o habitus é internalizado na mente e inscrito no corpo e suas formas de expressão. Experiências reiteradas, enfatizadas pelos discursos e regras de comportamento delimitam e enquadram a forma pela qual o indivíduo age e responde a novas experiências e informações... (...) que habitus é também adaptação (...) é um produto histórico que se refere a um sistema de disposições aberto, que confrontado com novas experiências pode ser afetado por elas. Assim, é possível antever mudanças.”

“A própria noção de experiência estética, diz Rancière, como definição de uma esfera de experiência específica, surgiu no final do século XVIII sob a bandeira da igualdade e da definição de uma forma de julgamento liberta das hierarquias de conhecimento e aquelas da vida social.”

“Segundo David Hornbrook (1991) o drama, para se legitimar dentro do campo pedagógico precisa ser visto como uma forma de estimular a experiência central às artes – aquela do reconhecimento estético, que é adquirido em decorrência do impacto de uma experiência vívida e indutiva.”

Comentários:

Para uma obra escrita teatral, como por exemplo, uma peça, é necessária uma situação dramática, com conflito, clímax, protagonista, antagonista, vários temas que foram originados de um tema central! É o que chamamos de drama.. Em grupo escolar a mediação do professor é essencial para essas atividades, pois estará norteando os alunos.

Em um drama, constroem-se fatos que seja favorável e comum a todos, para que os sentimentos levados pelo conflito possa ser sentido e explanado pelo aluno personagem, explorando também seu lado critico e analítico sobre aquele assunto, tanto para o social e individual.

O faz de conta emerge na situação dramática, capturando o aluno personagem para uma realidade não sua durante aquela improvisação, cena... O teatro possibilita que o aluno vivencie outras experiências, tenha outras vidas e passe assim a compreender melhor o ponto de vista alheio. E isto gera inclusão social, política, racial, cultural.

Quando Bourdieu usa o conceito de habitus como reprodução social, imediatamente lembro do Teatro da Espontaneidade de J.L. Moreno, que retrata o psicodrama, os dramas psicológicos vivenciados e traumáticos de seus pacientes, onde através de anos de pesquisa, encontra na Espontaneidade a forma de quebrar justamente essa reprodução social, esse mecanismo industrial, de fazer tudo sempre do mesmo jeito que a sociedade espera que você faça! O agir descontraído de Moreno deixa livre e a vontade os impulsos dos seus atores- pacientes para criar e ousar, alem de experimentar novas situações do cotidiano, que talvez não puderam, não tiveram chance de ser o que penso ou agir para ser, por causa da opressão social, que já espera que sejamos o que somos, sem ao menos realmente saber o que somos, sentimos ou pensamos.

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