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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Uma incursão pela estética da recepção – Edélcio Mostaço e Teatralidade Tátil: alterações no ato do espectador – Flávio Desgranges

Uma incursão pela estética da recepção – Edélcio Mostaço

A recepção é um fenômeno coletivo, que se simplesmente criar algo e ficar pra se só, deixa de ter um ato de recepção. Para concluir o ciclo da recepção é preciso ter um receptor e pra ter um receptor alguém tem quer fazer algo. Como numa leitura, mesmo que você esteja sozinho numa leitura de um livro alguém o escreveu, para que vocês se tornassem o receptor da obra.

“A recepção não é uma dimensão individual, mas um fenômeno coletivo, resultante das manifestações advindas das interpretações singulares ou grupais, dimensionadas através das práticas de leitura e agenciamentos históricos efetuados sobre textos e autores.”

Quando “mergulhamos” numa leitura só, involuntariamente fazemos ligações, associações as nossa vivencias, a leitura é como um ponto de partida para entrarmos numa viagem, que vem do livro mas que entra nas nossas lembranças, com isso, muitas vezes passamos a dar mais importância as nossas viagens do que a obra que esta sendo lida e o autor que a escreveu fica esquecido.

“Ao emergir, em sua fase heróica, a estética da recepção provocou vários abalos, especialmente por deslocar o eixo da discussão cultural, deixando de privilegiar o autor e seu universo para ressaltar o processo interativo que se estabelece entre obra, o leitor e o fundo social circundante.”

As vezes não percebemos, mas a recepção esta entrelaçada em tudo que nos envolve, partido do pressuposto de que nada fazemos sozinhos, um ato si quer que possamos fazer com o outro já ter o caráter de recepção. E em qualquer meio artístico ela esta lá, tanto pra que faz quanto pra quem assiste.

“De modo que a recepção, na atualidade, diz respeito a um sem número de agenciamento no vasto território da cena, apresentando subsídios quer para a pedagogia quer para a história, quer para a sóciosemiótica quer para a análise dos discursos, fomentando plataformas questão alargando os estudos teatrais.”

Teatralidade Tátil: alterações no ato do espectador – Flávio Desgranges

Nada é pra sempre, mas também nada acaba, tudo se transforma. O tempo vai passando e o modo de pensar e de agir das pessoas mudam com o tempo. O espectador de hoje não é o mesmo de um tempo atrás existe uma mudança constante, mesmo porque as obras de arte também sofrem mutações

“Pois a relação do espectador com o teatro está intimamente relacionada com a maneira, própria a cada época, de ver-sentir-pensar o mundo”.

O drama vem para mostrar a importância da burguesia, trazendo a idéia de que os personagens dessa classe sempre sejam os protagonistas, os heróis, que o teatro dependa deles, retrata o comportamento, o respeito que eles tem em seus lares. Com isso, o espectador leva aquelas historias representadas para suas vidas, vivendo as emoções e os sentimentos passados pelo protagonista.

“O drama surge como crítica ao existente, valendo-se de argumentos e soluções formais que mantêm em tensão as naturezas política e poética de seus princípios.

“ São colocados em jogo, deste modo, aspectos fundamentais do Iluminismo: a constituição de homens livres, capazes de traçar seus próprios rumos, para além de qualquer submissão política; a defesa pelo direito de cada um à consciência religiosa; e o estabelecimento de bases morais que fundamentem o progresso da humanidade”.

“Ou seja, segundo a astuta argumentação de Lillo, não é o burguês que depende do teatro, mas o teatro que depende do burguês.”

Mais tarde podemos ver um outro “Drama” o Drama moderno, que traz ma visão contraria do primeiro, nesse o espectador “joga” com o espetáculo, ele sente, mas também exprime suas opiniões, colocando seu ponto de vista. Com uma autonomia de um espectador moderno.

“O drama moderno surge como oposição a essa empatia por abandono estabelecida pelo drama burguês. O convite crítico reflexivo feito ao espectador, nesse caso, pode ser compreendido com um retorno freqüente à própria consciência, descolando-se da pele do herói e reassumindo seu lugar de observador, seu ponto de vista, fora do mundo fictício, para, desse lugar que lhe é próprio, elaborar um juízo de valor acerca dos acontecimentos levados à cena.”

“Ao contrário daquela teatralidade surgida em consonância com os princípios burgueses, na cena moderna o autor se faz presente, revela as soluções artísticas, expõe os recursos cênicos que utiliza em sua montagem, mostra a sua concepção de teatro, assume posicionamentos críticos, e estimula o espectador a fazer o mesmo.”

Ao ler uma obra nos emirjamos nela e mesmo que o que o autor quer passar não seja o que for captado por nós, nós colocamos nossos sentimentos, nossas emoções, ativamos nossa imaginação e criatividade, por fim, acamamos refazendo uma outra obra, só nossa, particular de cada leitor.

Ante a teatralidade pós-dramática, o espectador opera não sobre, mas a partir da proposta do autor – ou mesmo para além dessa proposta –, e o que concebe, ainda que se dê em relação com o texto cênico, se constitui em face da impossibilidade de executar a tarefa de entender o que o autor quer dizer, pois não há uma síntese a ser desvendada, mas lances sensoriais, imaginativos e analíticos a serem desempenhados”.

“O objeto como que avança sobre o individuo, toca-lhe o intimo e, de maneira inesperada, faz surgir conteúdo esquecidos, relacionados com a memória involuntária. O retorno do esquecido, ou do recalcado, possibilita que restos da história pessoal, associados à história coletiva, venham à tona, prontos para serem elaborados pelo espectador.”

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