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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Performance Recepção Leitura Paul Zumthor

Performance Recepção Leitura
Paul Zumthor
Tradução Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich
Por Liz Novais

“[...] faço alusão a uma espécie de ressurgência das energias vocais da humanidade, energias que foram reprimidas durante séculos no discurso social das sociedades ocidentais pelo curso hegemônico da escrita.” P.18
“Estou particularmente convencido de que a idéia de performance deveria ser amplamente estendida; ela deveria englobar o conjuntos de fatos que compreende, hoje em dia, a palavra recepção, mas relaciono-a ao momento decisivo em que todos os elementos cristalizam em uma e para uma recepção sensorial – um engajamento do corpo.” P.22

“[...] em certos casos [...], a leitura deixa de ser unicamente decodagem e informação. Somam-se a isto e, em casos extremos em substituição, elementos não informativos, que têm, a propriedade de propiciar um prazer, o qual emana de um laço pessoal, estabelecido entre o leitor que lê o texto e o texto como tal.”P.29
“[...] tratando-se da presença corporal do leitor de “literatura”, interrogo-me sobre o funcionamento, as modalidades e o efeito (em nível individual) das transmissões orais da poesia. ” P.31
“Se um fato observado em performance é, por motivos práticos, transmitido, como objeto científico, por impressão ou conferência, então de maneira indireta e segunda, a forma se quebra. Neste sentido, a performance é para esse etnólogos uma noção central no estudo da comunicação oral.”P.34
“ A performance de qualquer jeito, modifica o conhecimento. Ela não é simplesmente um meio de comunicação:comunicando ela o marca.”P.37
“Recorrer à noção de performance implica então a necessidade de reintroduzir a consideração do corpo no estudo da obra. Ora, o corpo (que existe enquanto relação, a cada momento recriado, do eu ao seu ser físico) é da ordem do indizivelmente pessoal.” P.45
“Neste sentido, poesia e escrita tendem por meios não comparáveis, ao mesmo fim. É isso mesmo que funda aquilo que chamamos a literatura. Um encontro saboroso se produziu entre a linguagem poética e essa técnica extraordinária da escritura que ela encontrou em seu caminho.” P. 58
“ O eu só importa pelo que ele denota: a saber, que o encontro da obra e de seu leitor é por natureza estritamente individual, mesmo se houver uma pluralidade de leitores no espaço do tempo.” P.64
“O que nos fica é que essa variações históricas não concernem ao essencial. Transmitida a obra pela voz ou pela escrita, produzem-se entre elas e seu público, tantos encontros diferentes quanto diferentes ouvintes e leitores. A única dissimetria entre esses dois modos de comunicação se deve ao fato de que a oralidade permite a recepção coletiva.” P. 65‘’
“O retorno do homem concreto. É nessa perspectiva que tento perceber que na minha leitura dos textos das quais extraiu minha alegria está perto do meu corpo.” P. 73
“Nesse sentido não se pode duvidar de que estejamos hoje no linear de uma nova era da oralidade, sem dúvida muito diferente do que foi a oralidade tradicional; no seio de uma cultura no qual a voz, em sua qualidade de emanação do corpo, é um motor essencial da energia coletiva.” P. 73
“ Na leitura, essa presença é por assim dizer colocada entre parênteses; mas subsiste uma presença invisível, que é manifestação de um outro, muito forte para que minha adesão a essa voz, a mim assim dirigida por intermédio do escrito (...)” p. 80
“A retórica da Antiguidade (...) ensinava (...) que para ir ao sentido de um discurso (...) era preciso atravessar as palavras; mas que as palavras resistem (...) exige, para que elas sejam compreendidas, uma intervenção corporal, sob a forma de uma operação vocal.” P.89
“(...) não somente o conhecimento se faz pelo corpo mas ele é, em seu princípio, conhecimento do corpo. (...) Antepredicativo (...) se trata de uma acumulação de conhecimentos que são da ordem da sensação (...) uma memória do corpo.” P. 91-92
“A voz é uma (...) ruptura da clausura do corpo. Mas ela atravessa o limite do corpo sem rompê-lo; ela significa o lugar de um sujeito que não se reduz à sua localização pessoal.” P. 97-98
Comentários
O texto ao reafirmar o uso de termo’ poesia oral’, faz uma escolha ideológica, que se contra-põe a dureza dos corriqueiros termos acadêmicos como literatura, exigindo do leitor a compreensão mais poética das explicações. Ideológico pois também alega que o discurso oral foi visto como inferior a escrita durante muito tempo.
Importante compreender também no texto como a performance é tratada e escolhida enquanto linguagem, pois legitima a liberdade com que o termo poesia oral é evocada. Interessante ressalta que a noção de performance apresentada no texto se aproxima muito das idéias de etnocenologia, espetacularização do cotidiano.
O argumento da forma na performance ser transmutável a cada realização condiz muito com a proposta de utlização da voz como recurso poético de interventor.
Esse trabalho se faz reconhecer sob ponto de vista da voz como análise semiológica do uso dela na performance como conhecimento do corpo(voz) e do espaço. A leitura desse trabalho cria muitas reverberações.

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