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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Texto 3: Disposição Palco/ Platéia ao longo da História: Lugar e Papel do Espectador. e Atmosfera e Recepção numa experiência com o Teatro na Alemanha.

Texto 3
Disposição Palco/ Platéia ao Longo da História: Lugar e Papel do Espectador. Luiz Cláudio Cajaíba Soares.
Autora: Marli Souza
FICHAMENTO:
 (PR.2 pag. 178)
A estrutura das artes cênicas, desenvolvidas pelos gregos, determinou os princípios básicos da relação espetáculo/ espectador que vigoram até hoje, principalmente no que se refere à arquitetura teatral.
Conforme a necessidade do público e o objetivo de se manter esse público as estruturas dos teatros foram se modificando para melhorar a apreciação. Criando novas atmosferas na tentativa de satisfazer as exigências da platéia que iriam assistir aos espetáculos.

 (PR. 5 pag.178)
            [...] Em locais estrategicamente construídos, que possibilitava ao espectador escutar cada palavra, mesmo que sussurrada, em qualquer lugar onde se encontrasse, estes teatros já nasceram, especialmente por este aspecto, envoltos em grande respeito ao público. A escolha dos locais levava em conta o sentido do vento que vinha do mar em locais fora da cidade.
            Esses primeiro período do teatro Grego tinha o teatro como uma grande celebração, onde era importante acomodar um grande público. Todos na cidade poderiam ir ao teatro e comungar do mesmo momento, nas mesmas condições.

(PR.3. pag.179)
Concebido de forma circular na Grécia, onde a platéia ocupava três terços deste círculo, as construções dos teatros romanos reduziram a platéia a um semicírculo.
            Iniciava a referencia de palco e platéia e os lugares começaram a ser diferenciados conforme os poderes aquisitivos. Aparentemente mais luxuoso, porém com suas acomodações diferencias, com características mais políticas do que o teatro grego- mas baseado em um teatro de comunhão.
 
(PR.3. pag.180)
 As encenações nas praças e mercados, em palcos distribuídos em círculo, sobre os quais se representavam repetidamente as paixões, retomaram a disposição circular em torno da cena, características do teatro grego. Mas desta vez o público estava aproximado pela fé, e se deslocava com as figuras divinas, sagradas para diferentes espaços a eles destinados- exatamente como se supõe ter acontecido na paixão de cristo- andando, sofrendo, “morrendo”, glorificando-se e “ressuscitando-se” com a sacra representação.
            Apesar do retorno a posição circula o objetivo do teatro medieval estava ligado a conquistar o público através da fé e do medo. Assim os espectadores iam se encantando e se envolvendo com as encenações ao mesmo tempo em que estavam sendo catequizados e amedrontados.

(PR.2 pag181)
 Outra ilustração relacionada a Lyon Terenz, de 1493, descreve um palco na Itália, com proscênio, cabines e várias portas, com o público agrupado e distanciado em três galerias à frente.
As representações passaram a acontecer nas galerias e o publico ficavam ao redor  divido em três galerias diferentes não compartilhavam do mesmo momento. Acredito que esse foi um dos motivos em adaptar as representações a um único palco, mesmo que de maneira primitiva. Surge a referencia do público frente ao espetáculo e não mais no formato semicírculo.

(PR.3pag 182)
 De 1584, em Veneza, na Itália, o Teatro Olímpico reflete a estrutura dos teatros romanos, mas com auditório oval, ricos portais, orchestra utilizada por músicos, paredes do palco arquitetadas em três níveis, teto com nuvens pintadas para Lembrar os teatros abertos e iluminação natural através das janelas de fundo.
Buscava- se assim uma acomodação maior do público, um conforto e um encantamento arquitetônico voltado pra o luxo que os teatros gregos e romanos não ofereciam, para que fosse comprovada a evolução do teatro, tonando o espetáculo algo novo. A partir desse momento a evolução dos palcos teatrais foi na busca de novidades e de impressionar os espectadores, através das grandes construções da perspectiva e da reestruturação da “caixa cênica”. Porém traziam as mesmas características do teatro romano com divisões de classes.
           
(PR1 pag.185)
A manifestação da platéia formada pelos nobres, muitas vezes deveria esta de acordo com a reação dos nobres. Se o rei risse em alto e bom tom de alguma ação mostrada em cena, o público estava autorizado, ou talvez até “obrigado” a fazê-lo também. Caso contrário poderia incorrer em gafes e ferir certos princípios, certas regras de comportamento, ofensivas ao rei. Rir de algo que o rei não achava engraçado poderia trazer más conseqüências.
 A platéia perde a sua liberdade e as representações cênicas passam a acontecer de acordo com a vontade dos nobres, para satisfazer a essa classe social, se distanciando cada vez mais do caráter popular.

(PR.1. pag186)
Alguns autores associam o início da redemocratização do teatro ocidental a este período, quando as arquiteturas teatrais passam a abrigar um público predominantemente burguês. Eles passam a exigir boa visão e boa acústica, o que até então tinha sido privilégio de poucos nas construções antigas.
            Com o surgimento da burguesia os teatros passaram a atender melhor as exigências do publico em geral. Suas construções eram voltadas para uma comodidade que respeitasse o direito de todos- ouvir e ver bem os espetáculos, independente de sua classe social. A partir desse momento os encenadores possuíam um foco para os espetáculos e idealizaram as representações e as estruturas dos palcos para atenderem mais e bem os espectadores. As representações passaram a ser em lugares mais comuns- praças, fabricas, igrejas pra atender a todo público.
             
(PR1. pag.189)
Hoje são inumeráveis os locais onde se apresentam as diferentes encenações e conseqüentemente, os diferentes modos de recepção: na rua, em circos, fachada, janelas, ruínas, quartos, montanhas, cemitérios, rios, praias, fábricas abandonadas, num vagão de trem, um bar, hospitais, ou seja, não existe de antemão lugar onde o teatro não possa ser encenado. Assim, como destaca Fischer-Lichte, “do espectador contemporâneo exige-se não somente sua atividade como também sua criatividade”.
            O espectador contemporâneo está cadê vez mais exigente e buscam a inovação dentro do teatro. Apesar de que hoje é muito difícil encontrar algo que nunca tenha sido utilizado, o espectador procura dentro do espetáculo a criatividade de unir varias idéias decorrentes ao longo dos anos e transformar em algo novo. Essa experiência nova em que o espectador procura pode surgir dos espaços diferentes como podem surgir de atmosferas construídas conscientemente no espetáculo, prendendo a visão do público contemporâneo. É o que trata o texto a seguir.

Atmosfera e recepção numa experiência com o teatro na Alemanha. Cláudio Cajaíba.

 (PR.4. pag.1)
A “metáfora cênica” referida por Mendes- pode-se argumentar- tem sido a maior responsável pelo trânsito dos textos dramáticos pelo mundo. Esse universo metafórico abre precedentes para novas metaforizações, fazendo com que um mesmo drama se transforme em tantos outros, com que atmosferas sejam reconstituídas de modos diferentes. [...] Ao drama, mais que outra coisa, importa a possibilidade de operar metáforas, importa envolver o espectador em uma determinada atmosfera [...]
            Através do texto dramático surgem novas possibilidades vindas de um texto já conhecido, porém com uma encenação diferenciada, o que o torna novo e atraente aos olhos do espectador.
                                
(PR.7. pag.2)
Para que as coisas e o teatro deixem de ser vistas por pessoas razoáveis é preciso que o discurso sobre eles também deixe de ser “razoável”. È preciso que a recepção seja vista como livre das amarras impostas pelo romantismo, que pressupõe o artista genial e o receptor ignaro.
O espectador tem uma função importante para o teatro, sendo assim as representações devem possuir características próprias que trará a diferencia e a criatividade do espetáculo. Para enxergar essas diferencias o espectador deve está aberto para o novo e buscar sempre uma referência para compreender e analisar o que está recepcionando.

 (Pr.2. pag2)
As considerações atuais sobre o fenômeno da recepção teatral, que por sua vez se baseiam nos princípios teóricos da hermenêutica, da fenomenologia e da recepção literária impõem uma aproximação do teatro a filosofia.
A hermenêutica estuda a teoria da interpretação, que pode se referir-se tanto a arte da interpretação, ou a teoria e treino da interpretação. A fenomenologia afirma a importância dos fenômenos da consciência e os quais devem ser estudados em si mesmo. E a recepção literária é a teoria de que o texto provoca uma necessidade de esclarecimento, de compreensão.   Ambas são teorias ligadas à filosofia, mas que se encaixam muito bem ao decurso teatral que geralmente são baseados de um discurso fragilizado sem embasamento teórico. O que não tornam concretos e não valorizam a arte. Que deveria ser dividida em emoção, mas também em razão.

(Pr.3. pag3)
[...] “toda atmosfera é imprecisa em relação ao seu status ontológico”. Isso significa dizer  que mesmo essa descrição conterá ainda a imprecisão e que uma descrição, onde estão implicados sujeitos e objetos, sempre aparecerá  nebulosa e carente de uma complementação pelo sentir.
Ao meu vê essa teorias aproximam o estudo do teatro com a filosofia, e o que distancia é o fator de a arte em geral é o complemento do sentir com o refletir, quando tratamos da atmosfera uma primeira referencia que tenho é os conhecimentos “absorvidos” , decorados da aula de geografia, “atmosfera é uma camada de ar que envolve a terra” hoje esse conceito faz mas sentindo ao refletir defender que a atmosfera no teatro seria algo da representação que envolve o espectador.
(Pr.1pag.4)
Apesar da denominação “nova estética”, o filósofo contemporâneo lembra que através de Goethe se ode dizer que “a estética faz uma grande diferença, que ela se aproxima de um saber, de uma ciência, e que ela é uma porta através da qual se entra a vida”. [...] uma estética assim poderia ser reformulada de três modos: “A estética até então predominante é uma estética de juízo” [...] Essa estética “de modo algum deixa evidente que um determinado artista, com sua obra, queira compartilhar algo com um possível observador”. Walter Benjamin se refere, com o seu conceito de aura, a uma atmosfera de distância e de apreciação, que uma obra original proporciona.
            O que podemos perceber que o conceito de estética foi mudando do relacionamento a sensações para o julgamento e a percepção, com analises aos signos e significados e dentro do conceito de aura, que se trata de um elemento imaterial que envolve os seres ou objetos, retornamos ao seu conceito de sentir. Assim uma nova estética é uma mistura da analise do receptor e do seu envolvimento com a representação.
As experiências vivenciadas pelo autor e descritas nesses artigos comprovam o que os dois textos discutiram, o espectador contemporâneo busca o novo com referencias do que já existe, mas para fazer essa referencias é preciso buscar o conhecimento, não criar uma resistência, uma formalização do conhecimento absorvido. Está aberto para o novo e deixar-se envolver pela atmosfera dessa nova estética em recepção.

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