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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Texto 4: Performance Recepção Leitura. Paul Zumthor

Texto 4
Performance  Recepção Leitura. Paul Zumthor.
Autora: Marli Souza
FICHAMENTO:
 (PR.2 pag. 28)
O meu corpo é o peso sentido na experiência que faço dos textos. Meu corpo é a materialização daquilo que me é próprio, realidade vivida e que determina minha relação com mundo. Dotado de uma significação incomparável, ele existe à imagem de meu ser: é ele que eu vivo, possuo e sou para o melhor e para o pior.

 (PR. 2 pag.29)
            [...] Ora em alguns casos (que é preciso definir) a leitura deixa de ser unicamente decodagem e informação. Somam-se a isto e, em casos extremos em substituição, elementos não informativos, que têm a propriedade de propiciar um prazer, o qual emana de um laço pessoal estabelecido entre o leitor que lê o texto como tal.

(PR.1. pag.30)
Nesses planos intervém fatores que designam os termos tradição, código ou (para tomar uma palavra já muito  mais ainda utilizável como prudência) ideologia
 
(PR.1. pag.34)
 A forma da canção do meu camelô de outrora pode se decompor, analisar, segundo as frases ou versificação, a melodia ou a mímica do intérprete. Essa redução constitui um trabalho pedagógico útil e talvez necessário mas, de fato (no nível em que o discurso é vivido) ele nega a existência da forma. Essa com efeito, só existe na performance.

(PR.2 pag34/35)
 Habituados como somos, nos estudos literários, a só tratar do escrito, somos levados a retirar, da forma global da obra performatizada, o texto e nos concentrar sobre ele. A noção de performance e o exemplo dos folcloristas nos obrigam a reintegrar o texto no conjunto dos elementos formais, para cuja finalidade ela contribui, sem ser enquanto tal e em principio privilegiada. 



(PR.2pag 36)
 A performance se situa num contexto ao mesmo temo cultural e situacional: nesse contexto ela aparece como uma “emergência”, um fenômeno  que sai desse contexto ao mesmo tempo em que nele encontra lugar. Algo se criou, atingiu a plenitude e, por aí mesmo, ultrapassa o curso comum dos acontecimentos.
           
(PR1 pag.37)
A performance de qualquer jeito, modifica o conhecimento. Ela não é simplesmente um meio de comunicação: comunicando ela o marca.

(PR.1. pag38-39)
A forma se percebe em performance, mas a cada performance ela se transmuda.
             
(PR1. pag.42)
Primeiro: a partir de McLuhan sabemos que a história das mentalidades e dos modos de pensar (de fato, quase tudo o que designa nossa palavra cultura) é determinada pela evolução dos meios e modos de comunicação.

 (PR.1. pag.45)
Segundo: no uso mais geral, performance se refere de modo imediato a um acontecimento oral e gestual. [...] O conhecido é a performance estudada e descrita pela etnologia; falta ver o que, dessa descrições e estudos, pode ser re-empregado, sem prejudicar a coerência no sentido, na analise de outras formas de comunicação. Elo ao menos qualquer que seja a maneira pela qual somos levados a remanejar (ou a espremer para extrair a substancia) a noção de performance encontraremos sempre ai um elemento irredutível, a idéia da presença de um corpo.
                  
(PR.7. pag.2)
Terceiro: a performance não apenas se liga ao corpo mas, por ele, ao espaço. Esse laço se valoriza por uma noção, a de teatralidade (sem explorar todas as virtualidades), que me chegou muito tempo antes de pensar em “performance”. [...] A idéia base desse artigo é a de que o corpo do ator não é elemento único, nem mesmo o critério absoluto da “teatralidade”; o que mais conta é o reconhecimento de um espaço de ficção.




 (Pr.2. pag50)
Quarto: utilizando o conceito de performance, o que buscamos questionar não é uma origem; é nesse engano que pesquisadores interessados em culturas do terceiro mundo tratam como qualquer coisa de historicamente primitiva. A interrogação à qual induz a idéia de performance não se formula em termos relativos a uma gênese histórica.

(Pr.1. pag53-54)
[...] Isto mesmo supõe a necessidade e a convergência de três elementos, constitutivo de toda literatura e também da poesia, em sua universalidade. Por um lado um grupo de produtores de texto, fabricando objetos que se poderia qualificar poéticos ou literários. Esses produtores são assim identificados pelo grupo. Segundo, um conjunto de texto que sejam socialmente considerados como tendo um valor em si próprios. [...] Enfim, terceiro elemento necessário, a participação de um público, recebendo esses textos como tais.   

(Pr.1pag58)
Recepção é um termo de compreensão histórica, que designa um processo, implicando pois a consideração de uma duração. Essa duração, de exercício imprevisível, pode ser bastante longa. Em todo caso ela se identifica com a existência real de um texto no seio da comunidade de leitores e ouvintes. Ela mede a extensão corporal, espacial, social onde o texto é conhecido.

(Pr.1. pag59)
A performance é outra coisa. Termo antropológico e não histórico, relativo, por um lado, as condições de expressão, e de percepção, por outro, performance designa um ato de comunicação como tal; refere-se a um momento tomando com presente. A palavra significa presença concreta de participantes implicados nesse ato de maneira imediata.

(Pr. 2.pag 73)
 Nesse sentido não se pode duvidar de que estejamos hoje no linear de uma nova era da oralidade, sem dúvida muito diferente do que foi a oralidade tradicional; no seio de uma cultura no qual a voz, em sua qualidade de emanação do corpo, é um motor essencial da energia coletiva.

(Pr.1pag89)
A retórica da Antiguidade [...] ensinava [...] que para ir ao sentido de um discurso [...] era preciso atravessar as palavras; mas que as palavras resistem [...] exige, para que elas sejam compreendidas, uma intervenção corporal, sob a forma de uma operação vocal.




(Pr.2pag 91-92)
[...] não somente o conhecimento se faz pelo corpo mas ele é, em seu princípio, conhecimento do corpo. [...] Antepredicativo [...] se trata de uma acumulação de conhecimentos que são da ordem da sensação [...] uma memória do corpo.
           
Comentário:
O texto de Paul Zumthor defini o que é performance, leitura e recepção e como esses três contexto andam juntos e comungam do poder de transformação do individuo que tem o contato com eles. Para Zumthor o corpo é a representação do ser humano é o que comunica expressivamente o que somos, na performance esse corpo expressa nossas sensações, emoções e  pensamentos  através de ações, onde uma vez encenada através de seus signos possui um valor único e imodificável, cada representação será única e diferente das outras, apesar de seguir o mesmo texto, o performista apresentará de maneira diferente e o público terá uma leitura individual e única através do ato de recepção.
Na performance o corpo apresenta algo, e ao mesmo tempo a performace é a representação desse corpo em um espaço. Para o espectador, a performance é um meio de comunicação- ao meu vê o autor coloca a performance como um meio de comunicação evoluído do texto. Essa comunicação promove um conhecimento através da recepção. Conhecimento esse que modifica o receptor através da identificação e reflexões pessoais.
Apesar de diferentes existem três aspectos que ligam o texto, a performance e a recepção. Para que ocorra a comunicação é necessária a presença dos produtores de texto, seja ele poético ou literário, os textos socializados e com um valor em si próprio- a exemplo nas representações através das performances, onde possuem um valor pro performista diferenciado do valor para o receptor- a performance torna-se um ato de comunicação imediata- e a participação do público pela recepção. Pois a recepção irá medir a expansão corporal, espacial e social do texto conhecido.

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