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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Teatralidade tátil: alterações no ato do espectador Flávio Desgranges

Teatralidade tátil: alterações no ato do espectador
Flávio Desgranges

Por Liz Novais

“[...] a relação do espectador com o teatro está intimamente relacionada com a maneira, própria a cada época, de ver-sentir-pensar o mundo.” P. 01
“[...]a recepção para a ser compreendida por seu caráter de experiência, que, para se efetivar, depende de uma disponibilidade distinta do espectador, inaugurando outro modo participativo.” P. 01
“O drama burguês utiliza-se deste potencial de aprendizagem, já presente nos efeitos da tragédia heróica, com intuito de ampliá-lo (com adaptações), estabelecendo uma tensão entre a nova forma e os propósitos da burguesia em ascensão. A fábula deve servir como um exemplo para a conduta na vida; um exemplo negativo, do qual se podem tirar lições.” P.02
“[...] por caracterizar o palco como fragmentação da própria vida [...], a cena precisa abandonar qualquer recurso em que a teatralidade esteja revelada.” P.03
“[...] o leitor da cena observa esse mundo fictício sob o ponto de vista do protagonista.” P.03
“Ao contrário daquela teatralidade surgida em consonância com os princípios burgueses, na cena moderna o autor se faz presente, revela as soluções artísticas, expõe os recursos cênicos que utiliza em sua montagem, mostra a sua concepção de teatro, assume posicionamentos críticos e estimula o espectador a fazer o mesmo.” P.04
“[...] recepção tátil se efetiva de modo inverso ao da recepção contemplativa, pois, ao invés de convidar o espectador a mergulhar na estrutura interna da obra, faz imergir o objeto artístico no espectador, atingindo-o organicamente – daí noção de tátil.”P.05
“[...] na teatralidade pós moderna [...]- a recepção opera de modo contrário: o objeto artístico é que invade o espectador, atingindo-o em seu íntimo, fazendo surgir sensações, percepções, imagens, entre outras produções, advindas da experiência pessoal do participante.”P. 06
”O espectador não se pergunta ‘o que isto quer dizer?’, mas sim “o que está acontecendo comigo?” [...] porque se propõe como experiência, e, enquanto tal, só se efetiva plenamente se o próprio espectador se dispuser a constituí-lo enquanto joga.” P. 07

Comentário
O texto inicia com uma frase de Benjamim,em que afirma que desaparecimento da ilusão é um um avanço de opções de jogar, de se relacionar com a obra de arte. Inicia com um apanhado histórico pontual, sobre a forma de relação do espectador como teatro. Da tragégia grega ao drama burguês existe uma valorização do espaço ficcional da obra. A grande diferença entre eles, é a conquista de uma identificação da burguesia em ascensão, alimentando sua ideologia enquanto na tragédia clássica, o herói trágico era fruto de grupo nobre.
Ambas se preocupam em perpetuar pedagogicamente os valores morais em vigor na sociedade. No drama burguês, essa necessidade é sustentada a tal ponto que, existe a necessidade de que o drama burguês seja fragmento da vida, reduzindo os recursos que evidenciem a teatralidade.
Uma questão bem importante, relacionada a essa modalidade, é a capacidade do leitor da cena utilizar sempre o ponto de vista do protagonista. Estar na pele dele e aprender nessas condições.
O drama moderno, encabeçado por Brecht, é fruto de um pensamento contrário ao último modelo, em que assume a teatralidade, posicionamentos críticos e estimula ao espectador à tomar uma postura crítica perante à obra teatral. No espetáculo em circulação nas escolas do PIBID, “É Tudo Nosso!?”, os elementos eram bastante evidenciado na cena, inclusive várias bolsistas resolveram utilizá-lo com uma margem de pesquisa de identificação dos elementos do teatro no espetáculo.
A proposta da recepção tátil já envolve uma participação do leitor, visto que só se dá a partir de conjuntos de sensações, associações, memórias vividas pelo espectador atividade pela apreciação artística.
Me parece que esse modelo se aproxima-se mais do espectador, no momento que considera a sua participação efetiva na construção do espetáculo. Acho muito pertinente o uso do termo ‘tátil’, pois condiz com a aproximação da participação do espectador com sua leitura da obra, fruto da valorização da recepção como experiência.

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