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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

CAJAIBA,Luis Claudio Soares.Disposição palco/platéia ao longo da história: Lugar e papel do espectador.In Ensaios em cena/organizadores Cássia Navas,Marta Isaacsson,Silvia Fernandes.-1.ed.-Salvador,BA : ABRACE_Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-graduação em Artes Cênicas;Brasilia,DF:CNPq,2010.

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A estrutura das artes cênicas,desenvolvida pelos gregos,determinou os princípios básicos da relação espetáculo/espectador que vigoram até hoje,principalmente no que se refere à arquitetura teatral.

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As encenações nas praças e mercados ,em palcos distribuídos em circulo,sobre os quais se representavam repetidamente as paixões,retomaram a disposição circular em torno da cena,característica do teatro grego.Mas desta vez o publico estava aproximado e unificado pela fé,e se deslocava com as figuras divinas,sagradas para diferentes espaços a eles destinados.

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Uma ilustração (...)datada do inicio do século XV,descreve uma disposição circular,porém diferente do modelo grego: em um púlpito coberto,Calliopius (espécie de ator na época)lia textos dramáticos,enquanto sua narração era acompanhada pela pantomima(...).O público em pequeno número,se acomodava em torno do pulpito numa atmosfera bem intimista.

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Do sec.XVI(...)há uma ilustração que mostra um primitivo palco intinerante armado ao ar livre(...).Com apenas cortina simples ao fundo,estes palcos/tablados também permitiam a visão do público pelas laterais,mas guardando as características de confrontação entre publico e platéia e não mais a circular.

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Mas o período renascentista não experimentaria apenas esse tipo de construção,que poderia se considerada “ingênua”,principalmente se comparada à estrutura grga/romana de disposição palco/platéia.

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Em Paris,1581,o palco construído para a representação do Ballet Comique de La Reine,a propósito das comemorações das núpcias do Duque(...),foi concebido de forma retangular,com capacidade para 10 mil espectadores.O meio da sala era destinado ao palco/carroça e aos dançarinos(...)

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Também os lugares especiais destinados à nobreza,o publico comum era mantido a certa distância,tendência que se pode verificar em outros palcos franceses e que permaneceu até século XVI (...).

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Os palcos ingleses eram divididos em céu,terra e inferno,localizados em diferentes níveis espaciais e em diferentes galerias (...).tal estrutura permitia ao publico ver e ser visto,o que consiste num importante aspecto(...).

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A manifestação da platéia formada pelos não nobres ,muitas vezes deveria estar de acordo com a reação dos nobres.

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Contribuindo para a consolidação do “palco italiano”,a casa de ópera de Viena,de 1668,foi construída com o objetivo de se tornar o teatro imperial do mundo.

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Alguns autores associam o inicio da redemocratização do teatro ocidental a este período ,quando as arquiteturas teatrais passam a abrigar um publico predominantemente burguês.Eles passam a exigir boa visão e boa acústica,o que até então tinha sido privilégio de poucos(...).

Pg.186 Pr.3

(...) Richard Wagner, junto com o arquiteto Brueckwald,empreendeu o FESTSPIELHAUS,EM Bayeruth,que possuía um duplo proscênio incluindo-se o fosso para a orquestra e a platéia semicircular em nível elevado a cada fileira.

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Em 1927,Walter Gropius concebeu o projeto de um teatro político proletário para Erwin Piscator,com sofisticados recursos que permitiam modificações e transformações do mesmo teatro ,em teatro arena,com proscênio móvel,palco profundo e até mesmo sua utilização como cinema.

Pg.187 Pr.5

Artaud, na França,concebeu um despretensioso teatro em forma de circulo,com um palco em torno do publico,que por sua vez teria lugar no centro da sala e se moveria em cadeiras giratórias.

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Max Reinhardt e Meyerhold utilizaram rampas,plataformas,encenaram em igrejas,em circos,sempre privilegiando a unificação entre palco e platéia.

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O principio biomecânico (...) tinha entre outros, o objetivo de apoiar e destacar as novas estruturas da arquitetura dos palcos,desenvolvidas com a clara intenção de atingir o espectador.

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Hoje são inumeráveis os locais onde se apresentam as diferentes encenações e consequentemente,os diferentes modos de recepção(...)ou seja não existe de antemão um luar,onde o teatro não possa ser encenado(...) do espectador contemporâneo exige-se não somente sua atividade como também sua criatividade.

Comentario:

Observamos que em grande parte dos estudos teatrais as referencias que possuímos sobre a sua história se baseia na tradição ocidental do pensar-fazer teatro,essa especificidade determina as formas desenvolvidas relacionadas tanto a encenação,a atuação dos atores,a recepção dos espectadores como a própria interação,significação entre o teatro e a comunidade,isto é,os aspectos sociais desenvolvidos nas relações existentes entre o fazer teatral e o fazer social.

Segundo Vernant (1999) “ a tragédia instaura na cidade um novo tipo de espetáculo.Traduz aspectos da experiência humana(...),marca uma etapa na formação do homem interior,do homem como sujeito responsável(...).

É possível observar que a própria evolução das festividades Dionisiacas até os concursos de tragédia e comédias,imprimem ali as necessidades de se pensar em um outro individuo que correspondesse aos ideais da sociedade grega da época, e neste caso o homem- personagem trágico representa a confrontação de valores entre a Grécia Mitica e a Grécia Jurídica ,as antigas formas de pensamentos expressos pela tragédia, segundo Vernant ,representa o próprio desenvolvimento jurídico da Pólis,o homem civilizado,apolíneo.

Assim é possível perceber que a própria estrutura organizacional de representação espetacular ao se transformar,problematiza as relações espaciais,atorais e sociais. Se antes as procissões Dionisiacas aconteciam nas ruas, propondo uma relação mais hibrida entre ator;espectador,palco/platéia ,na Grécia das tragédias a construção de teatros viabiliza novas formas de organização políticas e pedagógicas voltadas para o desenvolvimento desse individuo grego civilizado.Para isso era preciso repensar não somente na forma de representação mas também em um novo espaço que propiciasse os ideais da sociedade grega.

Desta forma percebe-se que o Theatron,por origem etimológica é traduzido como o lugar de onde se vê, neste sentido este é o lugar político da sociedade grega que exista para ensinar os valores morais e éticos da Pólis grega, era o lugar destinado ao aprendizado,à instrução,estruturalmente pensado para que todos vissem e aprendessem com as fabulas.

Portanto é possível perceber que bem como salientou Rolnik (1988) “Construir cidades significa também uma forma de discurso” , ou seja percebe-se nesta afirmação que as arquiteturas dos lugares produzem um discurso que intrinsecamente existem na distribuição e organização dos espaços, que a forma também é discurso. Neste sentido consigo relacionar o discurso da forma que Rolnik evidencia, com o termo Pan-óptico utilizado por Focault em Vigiar e Punir ao tratar da sociedade disciplinar. Embora o termo Pan- óptico tenha sido empregado com freqüência por Focault para “Compreender a formação e funcionamento das sociedades disciplinares ocidentais a partir dos séculos XVII e XVIII” Capeller (2011), e esteja atrelada a investigações concernentes a práticas de controle e disciplina do corpo, a idéia possibilita uma reflexão acerca das arquiteturas dos espaços teatrais desde a Grécia até os tempos atuais.

Na área do teatro-educação, mas especificamente nas instituições escolares que tipo de reflexão podemos instigar os educandos ao observarem os espaços em que estão inseridos diariamente?

Que ambiente é esse em que educandos e educadores estão inseridos?

É possível propor formas de organização que dialogue com o espaço, possibilitando o rompimento das barreiras discursivas impressas nas arquiteturas do espaço escolar?

Como me apropriar do espaço de forma critica criativa?

As disposições espaciais, podem influenciar pontos de vistas,leituras bem como relações de poder

Em suma é possivel observar que a forma em que a encenação organiza e se apropria dos espaços possuem deliberadamente ou não discursos, conseqüentemente a disposição palco/platéia propõe perspectivas,disponibiliza ao corpo formas de interagir e compreender o objeto de arte .

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