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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Por Camila Costa


GIANINI, Marcelo. Processos de criação como prática pedagógica. Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.


“ ‘Enfrentar   o   caos,   traçar   um   plano,   esboçar   um   plano   sobre   o   caos’,   escrevem DELEUZE e GUATTARI (1992; 253). Pensar é criar. O que diferencia a criação artística da criação filosófica e da criação científica é a forma de operacionalização. E como se pensa? Como se cria? Enfrentando o caos. Traçando um plano sobre o caos. O Caos: lugar do pensamento   não   pensado,   território   infinito   de   velocidades   infinitas;   uma   zona   de possibilidades, de potencialidade.”

“ Já a ‘arte quer criar um finito que restitua o infinito: traça um plano de composição que carrega por sua vez monumentos ou sensações compostas, sob a ação de figuras estéticas’.(DELEUZE e GUATARI, 1992; 253) À arte não interessa mexer com as velocidades infinitas do caos, desacelerá-las. A arte emoldura o caos. Dentro de uma moldura, de uma formalização, a arte enquadra o caos mantendo sua aceleração infinita. Por isso podemos dizer que toda obra de arte é uma potência absoluta, pois conserva nela o infinito.”

“Como levar o aluno a esta Zona de Experiência? Talvez provocar seja o verbo mais interessante. Provocar no aluno a vontade, o desejo de entrar na zona de potência. Indicar-lhe caminhos, possibilidades, que talvez não cheguem a nada, ou, com sorte, nos lancem dentro destas velocidades infinitas.”

“Será que uma pessoa sem experiência em criação artística, isto é, um não artista pode ensinar arte? Parece-me difícil, pois se essa pessoa não tem a experiência da criação de fissuras, como ensiná-las, como provocá-las?”

“Por outro lado um artista que não tenha a capacidade de compreender e compartilhar suas experiências, sua descobertas, seus processos de criação também terá muita dificuldade em ser este provocador, este condutor de um processo artístico e pedagógico.”

“Experimentar, experienciar, atuar junto, lado a lado. Mostrar como se enfrenta o caos enfrentando-o. Não narrar, mas  atuar.  Compartilhar experiências similares e paralelas no momento em que elas acontecem. (...)Criar junto!”

“Como não cair no decalque de outros processos? (...) Como fugir da resposta única? Da forma única de fazer? (...) Encontramos uma resposta possível no jogo. O jogo abre possibilidades de traçar novas linhas de fuga do próprio estrato teatral.”

“Ao propor um jogo de improvisação em que alguns elementos técnicos estão presentes (o Quem, o O Quê, o Onde e o Foco) e não deixar que os jogadores combinem previamente o Como, o Jogo Teatral cria a todo o momento novas possibilidades de solução, de jogo, de criação. Como não há um Como previamente combinado, não há uma forma a ser seguida. Todas as formas são bem vindas, são possibilidades de soluções. Não há nunca apenas uma solução, somente uma resposta. As repostas variam de grupo a grupo, de tempo a tempo, de espaço a espaço.”

“(...) abertos a novas conecções de frases e palavras, prontos para serem surpreendidos pelo acaso e, assim, acharem novos significados, novos pensamentos, novas molduras para o texto poético.”

“Reduziremos então, depois de todas as preocupações com a condução de um processo criativo, nosso teatro à apresentação?”

“Convidar o público para participar.”

“A produção do espetáculo é parte inerente do processo teatral. O teatro, efêmero e presencial por natureza, tem na apresentação do espetáculo uma parte do seu processo.”

COMENTÁRIOS:
O fato de o autor abordar a arte como contempladora do caos, me deslumbra, pois entendo que o que o autor define por ‘velocidade infinita do caos’, a subjetividade individual do ser humano, que lhe permite interpretar uma obra de arte de acordo com a sua forma de enxergar o mundo. Quando ele fala de seduzir o aluno e com isso gerar ‘velocidades infinitas’ entendo como o espaço vazio e livre para uma criação artística. Fala da junção dos aspectos para a formação do professor artista ou arte-educador, lembra muito o que a universidade pretende ainda que o currículo seja falho.

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