FIGUEIREDO, Ricardo Carvalho de. DIÁLOGO ENTRE SABERES: a formação extra-curricular do professor de teatro. Universidade Federal de Ouro Preto.
“(...) a importância dessa atividade para a complementação da formação do licenciando e a sua produção de conhecimento através de saberes adquiridos e produzidos na relação com a comunidade(...).”
“(...) a formação docente é um processo permanente de construção que se realiza na estreita relação com as possibilidades de interação dos sujeitos, através dos fazeres da sala de aula e fora dela, sendo possível concretizar uma proposta de ensino e aprendizagem que signifique efetivas interações no sentido da transformação dos conhecimentos.”
“Além de revelar ao sujeito que sua história pessoal tem grande importância para o grupo,
possibilitava sentir-se pertencido e acolhido por essa esfera.”
“Discutimos tanto a setorização do conhecimento durante as aulas de teatro-educação nos ensinos fundamental e médio, mas como pensar isso para o ensino superior?”
“Chego, pois, a uma questão: como proporcionar ao estudante de teatro uma formação que contemple também a pesquisa e a extensão, rompendo com a fragmentação dos saberes e dialogando com os mundos “da rua” e “da escola”?”
“Ele traz consigo essa experiência adquirida “na rua” e a faz presente na escola, questionando os saberes apresentados.”
“Acontece que para esse estudo é preciso que isso se dê de forma consciente, ou seja, que esses saberes tenham lugar de comunhão formalizado. Saliento a importância de colocar em pé de igualdade todos os saberes(...).”
“(...), pois como nos disse Paulo Freire (1987: p.68): ‘Não há saber mais, nem saber menos, há saberes diferentes’.”
“Esses alunos foram desafiados a sair de seus lugares seguros, seja a sala de aula, seja o próprio teatro e além de romper os muros acadêmicos passaram a ser protagonistas do ensino-aprendizagem teatral.”
“Esses estudos foram progressivos, alternados entre leituras das peças brechtianas, reflexão sobre seus estudos e a prática teatral.”
“Durante a avaliação do jogo, um aspecto muito forte esteve presente em todos os grupos: o pré-conceito ou a idéia prévia que os educandos traziam das pessoas com as quais iriam trabalhar.”
“Essas des-construções foram se dando aos poucos, de forma particular para cada um, mas propuseram profundas transformações em todos: educandos, comunidade e professor. Foi então que os alunos começaram a se preocupar com a questão/problema social que essas pessoas apresentavam. Isso foi possível graças às descobertas dessas pessoas enquanto seres humanos dotados de desejos, inseguranças, crenças; seu trabalho, suas trajetórias pessoais, suas inexistentes lutas classistas etc.”
“Esteticamente, começaram a elaborar cenas, inspiradas nas obras de Brecht para uma primeira apresentação a essa comunidade.”
“Os problemas percebidos com o público eram trazidos para discussão em aula(...).”
“(...) até onde nosso aprendizado estético dialoga com a ética profissional? Essas pessoas são tratadas por nós como sujeitos dessa proposição (protagonistas) ou objetos-pesquisados?”
“(...) a equipe de alunos percebeu que a proposta, antes de qualquer resultado, propunha o encontro, o afeto e a troca(...).”
COMENTÁRIOS:
O professor como uma pessoa que tem valores também e colocar a ele o desafio de superar esses conceitos no intuito de se tornar ‘neutro’ e poder lidar mais tranquilamente com os perfis de alunos. Importante como, embora alguns objetivem desarmar os alunos e atraí-los na sua prática e para as aulas, nada adianta se o próprio mediador não estiver desarmado ele mesmo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário