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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Por Camila Costa


 TELLES, Narciso. De onde viemos para onde estamos indo: a demonstração prática como caminho pedagógico teatral. Demonstração Prática Universidade Federal de Uberlândia.
 
“ Ele   observava   a   demonstração   do   professor   para   em   seguida   repetir   os procedimentos.   Com   o   advento   da   prática   pedagógica   mais   crítica   e   reflexiva,   esta   visão puramente mecanicista vai perdendo força e a demonstração didática ganha novos contornos (VEIGA; 1991, p. 133-134).”
“(...) mais   um  elemento  metodológico  (...)  proporciona   ao  aluno construir   sua   própria   percepção   do   mundo   a   partir   da   experiência,   articulando   trabalho intelectual com trabalho prático. Ao observar como o artista-docente maneja seu instrumento de trabalho, o aluno pode perceber, com mais clareza, as possibilidades de desenvolvimento de seu trabalho em cada atividade proposta.”
“(...)  passa   pelo   indivíduo   aluno   e   por   suas   informações   corpóreo-sensoriais.  (...)
a demonstração de vários dos participantes da oficina ampliou a percepção e a compreensão das atividades propostas, o que possibilitou uma maior dinâmica no processo de trabalho.”
“(...) aprofundar e consolidar conhecimentos; ilustrar o que foi exposto, discutido ou lido; estimular a criticidade e a criatividade; propor alternativas para resolver problemas.”
“(...) explicitar com clareza todos os objetivos. (...). A demonstração deve acontecer num ritmo que possibilite o acompanhamento dos alunos(...).”
“Contextualizar o conhecimento possibilita ao aluno: uma maior compreensão de toda a experiência vivida pelo artista-docente, de suas tensões e enfrentamentos diante deste elemento técnico, e re-configura uma  relação que não estará baseada na estrutura autoritária de poder (...).”
“(...)significa explicitar aos participantes que o conhecimento trabalhado se   insere   no   trajeto   de   aprendizado   do   próprio   artista-docente.   Este   modo   de   ensinar explicitando as fontes possibilita ao aluno perceber que seu professor também se encontra num processo de formação contínua, sendo ‘um aprendiz com experiência’.”
 “ Os viewpoints (...) compostos por pontos de atenção, divididos em duas categorias, que o performer  aciona   para   desenvolver   seu   trabalho.   No   Brasil,   este   tipo   de   procedimento   é realizado em processos de criação do Teatro da Vertigem(...).”
“Em   todas   estas   experiências   o   jogo   relacional   do   ator   com   os   elementos cênicos é algo preponderante.”
“Os Vps são divididos em três categorias: os de tempo onde se trabalha: resposta cinestésica, repetição, tempo e duração; e os de espaço no qual se investiga: relação espacial, gesto, forma, arquitetura   e   o   padrão   de   chão   e   os   de   voz   que   acionamos:   tom,   dinâmica, aceleração/desaceleração, timbre e silêncio.”
“A   utilização   dos  viewpoints  foi   fundamental  (...) a resposta cinestésica, ou seja, (...) uma ação que acontece fora de você,   procurando   que   o   aluno-ator   adquira   uma   escuta   atenta   e   total,   uma   resposta   “sem pensar”, a partir sempre de estímulos externos.”
  “A proposta era que o aluno-pesquisador procurasse movimentar a partir   da   escuta   e   percepção   do   espaço   físico,   podendo   mudar   seu   trajeto   totalmente   pelos estímulos externos ao seu redor.”
“(...)ia   ampliando   a percepção e reação a inúmeros estímulos apresentados e aos alunos-atores caberia a seleção do que   trabalhar   e   em   quanto   tempo.”

COMENTÁRIOS:
O autor usa a demonstração para estreitar o contato com o aluno. Uma coisa que não chegamos a dar valor ou a pensar enquanto ferramenta de trabalho e que pode gerar uma repercussão interessante e ter grande êxito se usada corretamente na metodologia. Entra numa característica mais teatral; relacionando o ator e os elementos cênicos. O que inicialmente é meramente visto como demonstração acaba virando uma técnica muito interessante de como estimular o aluno a se entregar e a criar sem racionalizar demais, sem hesitar; desenvolvendo assim uma maior capacidade de expressar o seu lado subjetivo e artístico.

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