TELLES, Narciso. De onde viemos para onde estamos indo: a demonstração prática como caminho pedagógico teatral. Demonstração Prática Universidade Federal de Uberlândia.
“ Ele observava a demonstração do professor para em seguida repetir os procedimentos. Com o advento da prática pedagógica mais crítica e reflexiva, esta visão puramente mecanicista vai perdendo força e a demonstração didática ganha novos contornos (VEIGA; 1991, p. 133-134).”
“(...) mais um elemento metodológico (...) proporciona ao aluno construir sua própria percepção do mundo a partir da experiência, articulando trabalho intelectual com trabalho prático. Ao observar como o artista-docente maneja seu instrumento de trabalho, o aluno pode perceber, com mais clareza, as possibilidades de desenvolvimento de seu trabalho em cada atividade proposta.”
“(...) passa pelo indivíduo aluno e por suas informações corpóreo-sensoriais. (...)
a demonstração de vários dos participantes da oficina ampliou a percepção e a compreensão das atividades propostas, o que possibilitou uma maior dinâmica no processo de trabalho.”
“(...) aprofundar e consolidar conhecimentos; ilustrar o que foi exposto, discutido ou lido; estimular a criticidade e a criatividade; propor alternativas para resolver problemas.”
“(...) explicitar com clareza todos os objetivos. (...). A demonstração deve acontecer num ritmo que possibilite o acompanhamento dos alunos(...).”
“Contextualizar o conhecimento possibilita ao aluno: uma maior compreensão de toda a experiência vivida pelo artista-docente, de suas tensões e enfrentamentos diante deste elemento técnico, e re-configura uma relação que não estará baseada na estrutura autoritária de poder (...).”
“(...)significa explicitar aos participantes que o conhecimento trabalhado se insere no trajeto de aprendizado do próprio artista-docente. Este modo de ensinar explicitando as fontes possibilita ao aluno perceber que seu professor também se encontra num processo de formação contínua, sendo ‘um aprendiz com experiência’.”
“ Os viewpoints (...) compostos por pontos de atenção, divididos em duas categorias, que o performer aciona para desenvolver seu trabalho. No Brasil, este tipo de procedimento é realizado em processos de criação do Teatro da Vertigem(...).”
“Em todas estas experiências o jogo relacional do ator com os elementos cênicos é algo preponderante.”
“Os Vps são divididos em três categorias: os de tempo onde se trabalha: resposta cinestésica, repetição, tempo e duração; e os de espaço no qual se investiga: relação espacial, gesto, forma, arquitetura e o padrão de chão e os de voz que acionamos: tom, dinâmica, aceleração/desaceleração, timbre e silêncio.”
“A utilização dos viewpoints foi fundamental (...) a resposta cinestésica, ou seja, (...) uma ação que acontece fora de você, procurando que o aluno-ator adquira uma escuta atenta e total, uma resposta “sem pensar”, a partir sempre de estímulos externos.”
“A proposta era que o aluno-pesquisador procurasse movimentar a partir da escuta e percepção do espaço físico, podendo mudar seu trajeto totalmente pelos estímulos externos ao seu redor.”
“(...)ia ampliando a percepção e reação a inúmeros estímulos apresentados e aos alunos-atores caberia a seleção do que trabalhar e em quanto tempo.”
COMENTÁRIOS:
O autor usa a demonstração para estreitar o contato com o aluno. Uma coisa que não chegamos a dar valor ou a pensar enquanto ferramenta de trabalho e que pode gerar uma repercussão interessante e ter grande êxito se usada corretamente na metodologia. Entra numa característica mais teatral; relacionando o ator e os elementos cênicos. O que inicialmente é meramente visto como demonstração acaba virando uma técnica muito interessante de como estimular o aluno a se entregar e a criar sem racionalizar demais, sem hesitar; desenvolvendo assim uma maior capacidade de expressar o seu lado subjetivo e artístico.
Nenhum comentário:
Postar um comentário