VALENTE, Lucilia Maria de Oliveira Rodrigues. Para uma teorização do teatro emancipador. Universidade de Évora.
“(...) não haver individuação sem socialização, sendo ambas fundamentais na relação do indivíduo consigo próprio e com os outros (Kemmis & MacTaggart, 2005), na medida em que envolve o indivíduo na análise dos seus conhecimentos e na forma como ele se interpreta e como interpreta o mundo.”
“ (...) uma forma de intervenção artística e teatral, a qual designo por teatro emancipador: comunidade, processos grupais, sem deixar de atender ao desenvolvimento pessoal e social dos alunos em formação.”
“De acordo com Boal (2005), o que define uma perspectiva de teatralidade de cariz social é o facto das problemáticas sociais serem os motores da intervenção teatral. No entanto, a perspectiva que defendemos não se esgota na cariz social, sendo também centrada nas problemática pessoal e ecológica.”
“Estas formais teatrais decorrem do processo que procura potenciar as possibilidades individuais de transformação, autonomia e conscientização, no sentido freiriano que nos tem inspirado .”
“A dinâmica do teatro emancipador depende em grande parte da pessoa que o conduz, o professor-motor, um jogador activo, simultaneamente ‘facilitador’, ‘propulsionador’ e ‘encenador co-criador’.”
“O professor-motor deverá desenvolver a capacidade de assumir vários papeis como o de actor ou de encenador, fazendo constantemente inversões destes vários papeis. Esta capacidade implica uma atitude e um saber artístico-pedagógico que exige uma grande flexibilidade. (...)Muitas delas têm de ser convocadas em simultâneo: quando o professor desempenha o papel de actor dentro do grupo continua a ter que manter o papel propulsor e facilitador; e as performances são co-criadas com o grupo.”
“Ao experimentar, ele está, ao mesmo tempo, a reflectir em novos factos e novas ideias. A intervenção comunitária com base no teatro emancipador, é um espaço de experimentação, um espaço flexível de observação, um espaço próprio de criação artística (co-criação em acção), no qual se pensa, se sente e se age, atendendo a si próprio e ao grupo, bem como aos processos interactivos entre todos os intervenientes.”
“O uso intencional das experiências criativas, quando estas preenchem necessidades afectivas, sociais e cognitivas, constitui um meio de proporcionar benefícios psicológicos a grupos e indivíduos, o que confere uma vertente terapêutica ao teatro emancipador(...).”
“Estar na educação e na comunidade de uma forma pró-activa (...) assente em três áreas chave: 1. auto-conhecimento (saber ouvir o outro para nos apercebermos de nós); 2. auto-aprendizagem (dar o nosso melhor e receber do outro o que nos falta); 3. auto-consciencialização (melhorando as relações afectivas entre as pessoas).”
“(...) as artes, com a função de Formação Cultural e Cívica , devem estar ligadas a valores da Cooperação e do Humanismo: um maior conhecimento e um maior culto da imaginação e da partilha é das formas mais eficazes de garantir uma atitude cooperante e humanizada.”
COMENTÁRIOS:
A autora fala da figura do professor como “reinventor teatral”, alegando que este deve estar apto em vários aspectos para conseguir concretizar seu ofício com excelência. Entre essas capacitações devem-se encontrar um pouco de psicologia (retratada pela autora através do psicodrama e da dramaterapia). De artista (ator, encenador) e de educador-pedagogo (quando ela fala dos princípios de Freire).
Fala também das relações que o indivíduo tem socialmente e consigo mesmo, pautando essas relações dentro do teatro e em contato com a figura do professor-motor. Na minha opinião a autora foi muito feliz nas suas experimentações e nos caminhos que escolheu para fundamentar sua pesquisa.
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