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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Por Camila Costa


VALENTE, Lucilia Maria de Oliveira Rodrigues. Para uma teorização do teatro emancipador. Universidade de Évora.

“(...) não haver individuação sem socialização, sendo ambas fundamentais na relação do indivíduo consigo próprio e com os outros (Kemmis & MacTaggart, 2005), na medida em que envolve o indivíduo na análise dos seus conhecimentos e na forma como ele se interpreta e como interpreta o mundo.”
“ (...) uma  forma de intervenção artística e teatral, a qual designo  por teatro emancipador: comunidade, processos grupais, sem deixar de atender  ao desenvolvimento pessoal e social dos alunos em formação.”
“De acordo com Boal (2005), o que define uma perspectiva de teatralidade de cariz social é o facto das problemáticas sociais serem os  motores da  intervenção teatral.  No entanto, a perspectiva que defendemos não se esgota na cariz social, sendo também centrada nas problemática  pessoal e ecológica.”
“Estas formais teatrais decorrem do processo que procura potenciar as possibilidades individuais de transformação, autonomia e conscientização,  no sentido freiriano que nos tem inspirado .”
“A dinâmica do teatro emancipador depende em grande parte da pessoa que o conduz, o professor-motor, um jogador activo, simultaneamente ‘facilitador’, ‘propulsionador’ e ‘encenador co-criador’.”
“O professor-motor deverá desenvolver a capacidade de assumir vários papeis como o de actor ou de encenador, fazendo  constantemente inversões destes vários papeis. Esta capacidade implica uma atitude e um saber artístico-pedagógico que exige uma grande flexibilidade. (...)Muitas delas têm de ser convocadas em simultâneo: quando o professor desempenha o papel de actor dentro do grupo continua a ter que manter o papel propulsor e facilitador; e as performances são co-criadas com o grupo.”
“Ao experimentar, ele está, ao mesmo tempo, a reflectir em novos factos e novas ideias.  A intervenção   comunitária   com   base   no   teatro   emancipador,   é   um   espaço   de experimentação,  um espaço flexível de observação, um espaço próprio de criação artística (co-criação em acção), no qual se pensa, se sente e se age, atendendo a  si próprio  e ao grupo, bem como aos processos interactivos entre todos os intervenientes.
“O uso intencional das experiências criativas, quando estas preenchem necessidades afectivas, sociais e cognitivas, constitui um meio de proporcionar benefícios psicológicos a grupos e indivíduos, o que confere uma vertente  terapêutica ao teatro emancipador(...).”
“Estar na educação e na comunidade de uma forma pró-activa (...) assente em três áreas chave: 1. auto-conhecimento (saber ouvir o outro para nos apercebermos de nós); 2.    auto-aprendizagem  (dar o nosso melhor e receber do outro o que nos falta); 3. auto-consciencialização (melhorando as relações afectivas entre as pessoas).”
“(...) as artes, com a função de Formação Cultural e Cívica , devem  estar ligadas a  valores da Cooperação e do Humanismo: um maior conhecimento e um maior culto da imaginação e da partilha é das formas mais eficazes de garantir uma atitude cooperante e humanizada.”
COMENTÁRIOS:
A autora fala da figura do professor como “reinventor teatral”, alegando que este deve estar apto em vários aspectos para conseguir concretizar seu ofício com excelência. Entre essas capacitações devem-se encontrar um pouco de psicologia (retratada pela autora através do psicodrama e da dramaterapia). De artista (ator, encenador) e de educador-pedagogo (quando ela fala dos princípios de Freire).
Fala também das relações que o indivíduo tem socialmente e consigo mesmo, pautando essas relações dentro do teatro e em contato com a figura do professor-motor. Na minha opinião a autora foi muito feliz nas suas experimentações e nos caminhos que escolheu para fundamentar sua pesquisa.

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