GRISA, Aline Cristina. Corações e Mentes: Um estudo acerca das possibilidades de relações dos jovens e o teatro. UFRGS – Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas.
“Assim, o jovem é um dos assuntos mais freqüentes na sociedade contemporânea(...).”
“ (...) para embasar a definição de jovem e juventude, encontra-se no sociólogo José Machado Pais algumas alternativas de diálogo a respeito de quem são os jovens de hoje, (...) quando diz que este grupo não forma um todo coeso e homogêneo, não podendo ser agrupados apenas por pertencer a uma “fase da vida”, ou seja, possuir a mesma faixa etária, como um grupo de sujeitos que antecede a entrada no mundo adulto. (2003)”
“Para Pais (2003, p.37) ‘A juventude é uma categoria socialmente construída, formulada no contexto de particulares circunstâncias econômicas, sociais ou políticas, uma categoria sujeita, pois, a modificar-se ao longo do tempo’.”
“Culturas Juvenis”
“(...) um grupo definido pela faixa etária (teoria geracional), ou, um grupo diversificado através da origem de classe (teoria classicista). Segundo esta última corrente, a transição dos jovens para vida adulta encontrar-se-ia sempre pautada por desigualdades sociais; as culturas juvenis (leia-se culturas de classe) teriam sempre um significado político, manifestado através da capacidade de resistência: com a moda, a linguagem, as práticas de consumo.”
“Com base nisso, através da análise do cotidiano, busca-se quais são e em que se fundamentam os processos de constituição das culturas juvenis, tornando-se necessário verificar se o teatro aparece dentro das práticas culturais exercidas pelos jovens contemporâneos e como se dá tal relação.”
“ ‘(...) os jovens não participam do mesmo tipo de práticas sociais e culturais, que as vivem de forma diferente (...); enfim, que a socialização dos jovens, no domínio do lazer, origina diferentes culturas juvenis.’(Pais, 2003, p.226-227).”
“Pavis (1999, p.347), deixa claro que o teatro possibilita um ponto de vista sobre um acontecimento, um olhar, um ângulo de visão. Este deslocamento provoca uma fricção da relação entre olhar e objeto olhado, que fissura aquilo que denominamos real, abrindo a entrada para possibilidades de outros reconhecimentos deste mesmo real, através da construção de um novo olhar que estabelece: a teatralidade.”
“Para Féral (1988), a teatralidade surge na modificação das relações entre os sujeitos. Essa noção permite tanto para o sujeito que faz, como para aquele que olha, a passagem do aqui a outro lugar.”
“Já, Peter Brook,(...)complementa os demais com a sua citação conhecida de que para haver teatro basta uma pessoa fazendo e outra observando.”
“(...) estudar as relações dos jovens com o teatro, entendendo este último sem restrições a uma arte apenas ligada a apresentação/representação em um local apropriado, mas sim, definida pela modificação do olhar (...).”
“(...) interessa entender a criação por parte dos jovens de uma teatralidade, buscando também defini-la e revelando aos poucos as possibilidades de relações. Ou seja, o que é teatro para os jovens? Será que o jovem busca alguma significação através do teatro? Como ou em que situações o teatro é significativo para eles?”
COMENTÁRIOS:
É interessante como o autor torna a figura do jovem protagonista na sua fala, mesmo que o tema da sua pesquisa seja a relação do jovem com o teatro. Eu não havia até agora considerado a importância de um estudo mais aprofundado sobre a figura do jovem, enquanto público-alvo da minha pesquisa. E fico muito feliz, por ter tido a oportunidade de descobrir mais um ponto extremamente importante para amadurecer a minha forma de lidar com eles e ainda mais a minha pesquisa.
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