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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PARA UMA TEORIZAÇÃO DO TEATRO EMANCIPADOR

BOLSISTA: CÁSSIA BATISTA DOMINGOS

Autora: Lucilia Maria de Oliveira Rodrigues Valente
Universidade de Évora

“A investigação participante é um processo social que reconhece não haver individuação sem socialização, sendo ambas fundamentais na relação do indivíduo consigo próprio e com os outros (Kemmis & MacTaggart, 2005), na medida em que envolve o indivíduo na análise dos seus conhecimentos e na forma como ele se interpreta e como interpreta o mundo.”p.1

“Surge assim a necessidade dos professores possuírem, além de "conhecimentos" na área do teatro, uma formação em relações humanas, centrada na animação e dinamização de grupos na comunidade.”p.1

“Neste sentido, os projectos-laboratório, formas de intervenção inspiradas nos princípios da investigação-acção, fomentam uma abertura à sociedade actual através de uma forma de intervenção artística e teatral, a qual designo por teatro emancipador: comunidade, processos grupais, sem deixar de atender ao desenvolvimento pessoal e social dos alunos em formação.”p.1

“Assim, o teatro emancipador é uma intervenção artístico-formativa que visa
uma ligação entre a actividade educativa, teatral e cívica.”p.1
“No entanto, a perspectiva que defendemos não se esgota na cariz social, sendo também centrada nas problemática pessoal e ecológica. Estas formais teatrais decorrem do processo que procura potenciar as possibilidades individuais de transformação, autonomia e conscientização, no sentido freiriano que nos tem inspirado .”p.1-2

“A dinâmica do teatro emancipador depende em grande parte da pessoa que o conduz, o professor-motor, um jogador activo, simultaneamente “facilitador”, “propulsionador” e “encenador co-criador”p.2

“O professor-motor deverá desenvolver a capacidade de assumir vários papeis como o de actor ou de encenador, fazendo constantemente inversões destes vários papeis. Esta capacidade implica uma atitude e um saber artístico-pedagógico que exige uma grande flexibilidade.”p.2

“No teatro emancipador, o professor-motor é sobretudo um reinventor teatral que, a partir de processos de investigação acção participante, é capaz de descobrir, em acção, outros caminhos, outras direcções, de acordo com a população específica com quem trabalha .”p.2

“A intervenção comunitária com base no teatro emancipador, é um espaço de experimentação, um espaço flexível de observação, um espaço próprio de criação artística (co-criação em acção), no qual se pensa, se sente e se age, atendendo a si próprio e ao grupo, bem como aos processos interactivos entre todos os intervenientes.”p.2

“Estar na educação e na comunidade de uma forma pró-activa e interventiva, caracterizada por uma atitude inclusiva e transformadora, implica um trabalho pessoal e interpessoal permanente, assente em três áreas chave:

1. auto-conhecimento (saber ouvir o outro para nos apercebermos de nós)
2. auto-aprendizagem (dar o nosso melhor e receber do outro o que nos falta)
3. auto-consciencialização (melhorando as relações afectivas entre as pessoas)” p.3

COMENTÁRIO:

O teatro emancipador é influenciado pelas propostas teatrais de Augusto Boal, pelas idéias educacionais de Paulo Freire, pela dramaterapia, pelo psicodrama, entre outras referencias. O objetivo de transformação pessoal, a um nível psicológico, e o de transformação social dialogam na abordagem estudada por Lucília Valente.
A intervenção do teatro emancipador na comunidade prima por uma forma artística-formativa que contemple a ligação entre teatro, educação e cívica. O mediador desse processo é professor-motor, que deve ter conhecimentos da área teatral e também da área de relações humanas, visto que esse conduzirá a atividade, participando em diversas funções (ator, encenador, mediador...), assim assumindo o papel de um reinventor teatral, capaz de conduzir o processo de acordo com as necessidades do grupo.
O resultado esperado é o desenvolvimento de autonomia, transformação e conscientização do indivíduo em relação a ele mesmo (auto-conhecimento) e ao mundo.
Em relação ao papel do arte-educador nesse processo, é interessante a flexibilidade artística e pessoal que demanda o teatro emacipador desse profissional, maleabilidade esta, tão necessária também em outros processos de teatro-educação. No entanto, fica a reflexão sobre o cuidado necessário para um trabalho que envolva traços de psicodrama ou ainda dramaterapia, visto que uma investigação psicológica merece uma condução apropriada e específica.
Não alcancei o nível de profundidade dessa investigação pessoal do teatro emancipador, no entanto o considero uma ação de valiosa intenção de transformação social, trabalhando o sujeito tanto na sua relação com grupo, como na sua relação consigo mesmo, partido de problemáticas sociais.

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