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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A forma-ação do ator-professor: as intimações do imaginário na reeducação do sensível

BOLSISTA: CÁSSIA BATISTA DOMINGOS

Autor: Adriano Moraes de Oliveira
Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE/UFPel
Doutorado – Cultura Escrita, Linguagens e Aprendizagem – Or. Profª Lúcia Peres
Professor do Curso de Teatro – Universidade Federal de Pelotas

“A ideia de reeducação do sensível surgiu em um momento da pesquisa com três sujeitos, alunos do curso de teatro da UFPel, em 2008. Buscava estimulá-los para o fato deque o movimento no teatro não é natural. E que a consciência da forma que é expressa a partir de uma determinada perspectiva altera a qualidade do movimento. O fato de ter consciência de representar em relação a um grupo determinado de espectadores faz com que um conjunto de símbolos adquira uma forma distante do natural.” p. 1

“Amparado por Stanislavski e Grotowski, e pelas questões do imaginário e da simbólica, não podia deixar de lado os processos formativos pelos quais meus sujeitos de pesquisa haviam passado. Assim, compreendi que aquilo que entendo ser um caminho para a formação de um ator-professor é um processo de conhecimento da nossa própria sensibilidade, isto é, de como percebemos e expressamos nossa percepção do mundo.” p.2

“A reeducação do sensível adquiriu, entre 2008 e 2009, uma conotação afim com as bases epistemológicas de meu projeto: o trabalho do ator sobre si mesmo que liga Stanislavski a Grotowski e a valorização das intimações do imaginário e das funções da imaginação simbólica presentes nas teses de Gilbert Durand.” p.2

“Percebi nesses dois anos de pesquisa que, para entender as implicações das
experiências de todos os alunos, isto é, seus trajetos antropológicos, para propor um movimento de reeducação, é fundamental considerar as seguintes questões: 1. o conceito de teatro que cada indivíduo carrega e como esse conceito é transformado; 2. As solicitações da sociedade do espetáculo e como essa lógica é seguida ou confrontada; 3. A apropriação pelos alunos dos procedimentos metodológicos de ensino de teatro utilizados nas aprendizagens; 4. a força com que age nos sujeitos o encontro com obras dramáticas de outras épocas, mas com temas de seu interesse.”p. 3

“O objetivo era o de compreender como a exploração da teatralidade, imersa em movimentos constantes de projeção do imaginário, influenciava na formação do ator-professor.”p. 3

“Propus como possibilidade desse processo de reeducação do sensível algumas experiências físicas. Chamei-as de experimentos poéticos.” P.4

“A investigação é realizada em dois níveis de experimentos poéticos: um focado no trabalho do ator sobre si mesmo e o outro nas experiências com poéticas teatrais. O primeiro sugere a necessidade de controle e autoconhecimento; o segundo a necessidade de organização do teatro como um encontro.”p.4

“A complexidade de uma reeducação do sensível está no fato de tudo isso ser materializado por meio de ação física. Ação que pode ser flagrada por meio de narrativas, mas que em muitos dos casos é apenas impressão dos próprios sujeitos.”p.4

“O que percebo na investigação é que o caminho para a reeducação do sensível em um mundo globalizado e em muitos casos anestesiado pelas solicitações da sociedade do espetáculo se faz a passos lentos e numa espécie de movimento à margem.”p.4

“No processo de desnudamento, pelo qual precisa passar o ator-professor em minha proposta de reeducação do sensível, certamente essas intimações do imaginário agirão dialeticamente. É na linguagem que os imaginários podem ser surpreendidos.”p.5

COMENTÁRIO:

O autor propõe uma experiência de formação do professor de teatro, considerando-o também no seu papel de ator, na expectativa de uma reeducação do sensível partindo das intimações do imaginário para as movimentações físicas. Para tanto se apóia em Stanislavski e Grotowski, além das questões do imaginário.

Considero de suma importância que o professor de teatro não se distancie da sua condição de artista, visto que uma vez que isso ocorra esse profissional corre o risco assumir uma forma tecnicista e fria no educar para e pela arte, ou ainda, de levantar questões como: do que é mesmo que estamos falando?

Mesmo que o licenciado em teatro opte por uma carreira pautada, majoritariamente, na arte feita em sala de aula e se distancie do papel de ator, colocar-se como aluno de vez em quando propiciará um reencontro com a sensibilidade artística em outra perspectiva, assim afirmo a relevância da proposta de Adriano Morais de Oliveira ao pensar em um processo de formação do professor pelo caminho da vivência prática. 

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