BOLSISTA: CÁSSIA BATISTA DOMINGOS
Autora: Aline Cristiane Grisa
UFRGS – Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas
“O presente projeto está inserido na Linha de Pesquisa “Linguagem, Recepção e Conhecimento em Artes Cênicas” no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFRGS devido à possibilidade de uma reflexão mais abrangente sobre o tema levantado, ou seja, a utilização dos mais diversos referenciais teóricos, realizando, também, cruzamentos quando necessário entre outras áreas (como a filosofia, a educação e a sociologia) e as teorias teatrais (com Pavis, Féral e Brook).”p.1
“(...) nos estudos e escritos especificamente teatrais não encontramos quase nenhum enfoque de pesquisa preocupado ou direcionado para este grupo particular,(...)”p.1
“Com isso, para embasar a definição de jovem e juventude, encontra-se no sociólogo José Machado Pais algumas alternativas de diálogo a respeito de quem são os jovens de hoje.”p.1
“(...) este grupo não forma um todo coeso e homogêneo, não podendo ser agrupados apenas por pertencer a uma “fase da vida”, ou seja, possuir a mesma faixa etária, como um grupo de sujeitos que antecede a entrada no mundo adulto. (2003)”p.1
“Com base nisso, através da análise do cotidiano, busca-se quais são e em que se fundamentam os processos de constituição das culturas juvenis, tornando-se necessário verificar se o teatro aparece dentro das práticas culturais exercidas pelos jovens contemporâneos e como se dá tal relação.”p.1
“Entretanto, o projeto em questão mesmo com discussões mais amplas, não descarta o respaldo de leis que implicam a juventude uma extensão etária dos 12 até 29 anos, tendo em vista uma escrita articulada entre dados culturais e biológicos para buscar uma definição mais confortável ao falarmos sobre a juventude hoje.”p.2
“Agora, no que diz respeito a definição de Teatro, seria Patrice Pavis e sua obra “Dicionário de Teatro” (1999), um dos alicerces para construção de definições importantes para o avanço dos estudos. Juntamente com ele estaria Josette Féral, com seus estudos sobre teatralidade e Peter Brook com sua prática artística.”p.2
“Em conjunto com estes autores podemos estudar as relações dos jovens com o teatro, entendendo este último sem restrições a uma arte apenas ligada a apresentação/representação em um local apropriado, mas sim, definida pela modificação do olhar, borrando neste trabalho as fronteiras e definições mais fechadas sobre teatro e validando as diferentes práticas produzidas pelos jovens, ou seja, ações de performance, evento, acontecimento impregnado de teatralidade, etc... desde que estas sejam entendidas e denominadas também por eles de teatro.”p.2
“Ou seja, o que é teatro para os jovens? Será que o jovem busca alguma significação através do teatro? Como ou em que situações o teatro é significativo para eles?”p.2
“Ora, se é apenas um espaço vazio, preenchido unicamente por um agente e um espectador que, segundo Brook, constituem a condição suficiente para que surja um fenômeno novo através do qual pode-se dar asas ao imaginário, então poderia ser, o teatro, o espaço de manifestação mais propício para o jovem?”p.2-3
COMENTÁRIO:
O estudo da participação do teatro – em seu conceito amplo – na vida do jovem é instigante para os bolsistas PIBID de teatro da UFBA por se tratar do nosso universo de trabalho, visto que os nossos alunos têm entre 15 e 18 anos - ao menos a maior parte deles está nesta faixa etária - ou seja, encontram-se num momento intermediário da juventude, nem estão no começo dela, nem perto do fim se considerarmos 29 anos a idade limítrofe dessa fase da vida.
O projeto de Aline Cristiane Grisa busca investigar a relação entre os jovens e o teatro e as possibilidades de encontro entre esses elementos, sendo assim, uma pesquisa de grande utilidade para o pensamento sobre uma prática docente no ensino médio.
As questões levantadas pela autora nos últimos parágrafos do texto podem ser norteadoras para a prática do teatro-educação com esse público e ainda despertam outros questionamentos: Será que já não fazem teatro, ou tem um comportamento teatralizado, sem saber, quando criam coreografias de hip hop ou ainda de pagode no horário do intervalo? Ou ainda no universo de brincadeiras com os colegas?
Os jovens riem bastante da comicidade uns dos outros, talvez achem inusitadas as performances que os colegas fazem, será que o riso não é provocado pela forma de um colega contar uma história? Formas extracotidianas de comportamento podem ser vistas em corredores e pátios dos colégios em que damos aulas? Como aproveitar essas potencialidades nas aulas de teatro?
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