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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

DIÁLOGO ENTRE SABERES: a formação extra-curricular do professor de teatro

BOLSISTA: CÁSSIA BATISTA DOMINGOS

Autor: Ricardo Carvalho de Figueiredo
Universidade Federal de Ouro Preto
“(...) a formação docente é um processo permanente de construção que se realiza na estreita relação com as possibilidades de interação dos sujeitos, através dos fazeres da sala de aula e fora dela, sendo possível concretizar uma proposta de ensino e aprendizagem que signifique efetivas interações no sentido da transformação dos conhecimentos.”p.1

“Por esse viés, por que não pensar numa formação integral do sujeito, mesmo no ensino superior, diminuindo ou pelo menos tencionado a formação fragmentada e depositária (Paulo Freire) à qual tecemos diversas críticas? Discutimos tanto a setorização do conhecimento durante as aulas de teatro-educação nos ensinos fundamental e médio, mas como pensar isso para o ensino superior?”p.1-2

“Chego, pois, a uma questão: como proporcionar ao estudante de teatro uma formação que contemple também a pesquisa e a extensão, rompendo com a fragmentação dos saberes e dialogando com os mundos “da rua” e “da escola”? Como incentivar e estreitar os laços entre universidade e comunidade na produção do conhecimento em teatro?”p.2

“Saliento a importância de colocar em pé de igualdade todos os saberes, buscando não hierarquizá-los, pois como nos disse Paulo Freire (1987: p.68): ''Não há saber mais, nem saber menos, há saberes diferentes''.p.2

“A forma que encontramos de socializar esses saberes foi através desse projeto onde os alunos da licenciatura, divididos em equipes, desenvolveram uma alfabetização teatral junto à comunidade, dialogando seus saberes e propondo tanto a apreciação do evento teatral quanto o fazer artístico, intercalando-os com a contextualização – histórica, política, social etc.”p.2

“Esses educandos começaram a elencar os grupos sociais existentes na cidade e chegaram aos seguintes: garis, prostitutas, integrantes dos alcoólicos anônimos (AA), idosos do asilo, comunidade hip-hop.”p.2

“Esses alunos foram desafiados a sair de seus lugares seguros, seja a sala de aula, seja o próprio teatro e além de romper os muros acadêmicos passaram a ser protagonistas do ensinoaprendizagem teatral.”p.2

“Aproveitamos para estudar concomitantemente com os educandos tanto o teatro épico, especificamente os ditos de Bertolt Brecht, quanto à formação do espectador – sua pedagogia (Ingrid Koudela, Flávio Desgranges etc.).”p.2
“Nossos encontros eram permeados por grandes alvoroços, descobertas, (des)construções, enfim, de grandes aprendizagens.”p.3

“Foi então que os alunos começaram a se preocupar com a questão/problema social que essas pessoas apresentavam. Isso foi possível graças às descobertas dessas pessoas enquanto seres humanos dotados de desejos, inseguranças, crenças; seu trabalho, suas trajetórias pessoais, suas inexistentes lutas classistas etc.”p.3

“Esteticamente, começaram a elaborar cenas, inspiradas nas obras de Brecht para uma primeira apresentação a essa comunidade. A experiência criativa e didática começou a dialogar e trazer lugares de desconforto para esses alunos.”p.3

“A estética, a ética, a linguagem elaborada começava a ser fruto de discussão para a preparação das oficinas pedagógicas que os educandos organizavam para esses espectadores.”p.3

“(...)até onde nosso aprendizado estético dialoga com a ética profissional? Essas pessoas são tratadas por nós como sujeitos dessa proposição (protagonistas) ou objetos-pesquisados?”p.3

COMENTÁRIO:

A prática extensionista, sem dúvidas, engrandece a formação do licenciando em teatro, visto que para esses profissionais em formação, entrar em contato com diferentes perfis de alunos é sempre uma troca de conhecimentos transformadora para todos os envolvidos.

No caso em questão, equipes de alunos de licenciatura em teatro, fizeram um levantamento de grupos sociais existentes na cidade e propuseram a eles a realização desse trabalho, o que consistia em oficinas de teatro e um trabalho de recepção teatral.

Enquanto a prática ocorria, o professor desses licenciandos promovia uma fundamentação teórica que norteou os trabalhos.

A proposta tinha como raiz a preocupação com a formação extra-curricular dos graduandos, a percepção da necessidade de dar vazão aos conteúdos vistos na academia na própria comunidade, num processo que valorize o intercambio de saberes. 

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