BOLSISTA: CÁSSIA BATISTA DOMINGOS
Autor: Narciso Telles
Demonstração Prática
Universidade Federal de Uberlândia
“No campo teatral, as demonstrações práticas - demonstrações de trabalho - têm ganhado evidência junto aos artistas que a utilizam com a intenção didática explícita ou não de apresentar seus procedimentos de criação e “treinamento”.p.1
“Com o advento da prática pedagógica mais crítica e reflexiva, esta visão puramente mecanicista vai perdendo força e a demonstração didática ganha novos contornos (VEIGA; 1991, p. 133-134).”p.1
“Ao observar como o artista-docente maneja seu instrumento de trabalho, o aluno pode perceber, com mais clareza, as possibilidades de desenvolvimento de seu trabalho em cada atividade proposta.”p.1
“O processo de aquisição de conhecimento teatral, no caso do ensino de interpretação no ocidente, passa pelo indivíduo aluno e por suas informações corpóreo-sensoriais.”p.1
“A respeito da demonstração didática, Ilma Veiga (1991) relacionou uma série de objetivos, dos quais destacamos os seguintes: aprofundar e consolidar conhecimentos; ilustrar o que foi exposto, discutido ou lido; estimular a criticidade e a criatividade; propor alternativas para resolver problemas.”p.1
“A demonstração deve acontecer num ritmo que possibilite o acompanhamento dos alunos, fornecendo as explicações necessárias sobre o que está fazendo e quais os procedimentos acionados, clareando seus conceitos e princípios de trabalho.”p.1-2
“Contextualizar o conhecimento possibilita ao aluno: uma maior compreensão de toda a experiência vivida pelo artista-docente, de suas tensões e enfrentamentos diante deste elemento técnico, e re-configura uma relação que não estará baseada na estrutura autoritária de poder (FOUCAULT, 1996), que muitas vezes garante ao professor uma incomunicabilidade com seus alunos e o estabelecimento não de uma troca, mas de uma ordem no processo de ensinoaprendizagem.”p.2
“Os viewpoints como procedimentos criação foram desenvolvidos pela diretora norteamericana Anne Bogart, compostos por pontos de atenção, divididos em duas categorias, que o performer aciona para desenvolver seu trabalho.”p.2 (os negritos são meus)
“Em todas estas experiências o jogo relacional do ator com os elementos cênicos é algo preponderante.”p.2
“Os Vps são divididos em três categorias: os de tempo onde se trabalha: resposta cinestésica, repetição, tempo e duração; e os de espaço no qual se investiga: relação espacial, gesto, forma, arquitetura e o padrão de chão e os de voz que acionamos: tom, dinâmica, aceleração/desaceleração, timbre e silêncio.”p.2 (os negritos são meus)
“Na sala de aula avançamos neste processo trabalhando as distâncias no espaço, entre um corpo e outro, entre um corpo e o grupo, a formação de pequenas coletividades (dois a quatro atores) até a união de todo o grupo em atividade de improvisação.”p.3
“A proposta era que o aluno-pesquisador procurasse movimentar a partir da escuta e percepção do espaço físico, podendo mudar seu trajeto totalmente pelos estímulos externos ao seu redor.”p.3
“No avanço desta escuta e resposta a partir da relação (outro ator e/ou espaço), começamos, aos poucos, a introduzir outros elementos de estímulo: figurinos, objetos e sonoridades. Este conjunto de estímulos, além dos estímulos já trabalhados anteriormente, ia ampliando a percepção e reação a inúmeros estímulos apresentados e aos alunos-atores caberia a seleção do que trabalhar e em quanto tempo. Este trabalho de assimilação dos procedimentos e constituição da demonstração de trabalho foi realizado durante um período de quatro meses na sala de aula do laboratório de encenação/interpretação da UFU.”p.3
COMENTÁRIO:
A demonstração prática em sala de aula configura-se como uma metodologia de ensino do teatro, conforme o texto de Narciso Telles. O professor, ao se colocar como exemplo prático de uma atividade, estará estimulando o grupo a participar da aula, pois, expondo-se também, fortalecerá a relação de confiança com o grupo.
A demonstração deve acontecer segundo o ritmo da aula, para que a fluidez do processo não seja interrompida, da mesma forma que a contextualização do conhecimento ilustrado deve se dá com o mesmo cuidado. Como planejar uma aula que contemple momentos de demonstração/contextualização sem que haja perdas na organicidade do processo?
A proposta pode sim aproximar o professor e as técnicas apreendidas em sua formação dos seus alunos, pode despertar neles a admiração e o respeito pelo conteúdo, que quando ilustrado ganha novas cores. No entanto, a respeito disto cabem alguns questionamentos: a proposta pode ser desenvolvida com qualquer conteúdo? Será eficaz com qualquer perfil de grupo de alunos? Em qualquer contexto educacional?
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