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terça-feira, 26 de abril de 2011

Atmosfera e recepção numa experiência com teatro na Alemanha

Cláudio Cajaiba

“Tratar de recepção do teatro remete as origens deste fenômeno, localizadas pelas referencias históricas na Grécia, especificamente na noção de catarse identificada na obra de Aristóteles”.

“Para que as coisas e o teatro deixem de ser vistas por pessoas razoáveis é preciso que o discurso sobre eles também deixe de ser ‘razoável’. É preciso que a recepção seja vista como livre das amarras impostas pelo romantismo, que pressupõe o artista genial e o receptor ignaro”.

“ Uma nova estética, assim, poderia ser formulada em três modos: (i) ‘A estética até então predominante é uma estética do juízo, ou seja, uma estética que não trata da experiência, ou da experiência sensitiva, como o termo designava, em sua origem grega’[...](ii)Este lugar do julgamento passou a ser central na teoria estética, com uma predominância para o domínio lingüístico e, hoje em dia, para o domínio da semiótica.[...](iii)Walter Benjamin se refere com seu conceito de aura, a uma atmosfera de distância e de apreciação, que uma obra original proporciona”.

“Benjamin ‘propõe uma noção de natureza como pano de fundo na relação com a aura, mas que também se baseia numa definição do observador’”.

“ Participei do 45º Theatertreffen-TT, evento que reúne, a cada ano, geralmente em Berlim, a produção que se destaca nos diferentes estados alemães, assim como em algumas cidades da Áustria e da suíça, países de língua alemã”.

“A cada dia, as diferentes atmosferas iam se sucedendo, sendo vivenciadas a cada drama/ espetáculo/peformance, enfim, a cada evento apresentado”.

“Na abertura do evento, após breves discursos, se inicia A tempestade. O Drama de Shakespeare, já tantas vezes encenado, revela um importante traço do teatro alemão, que está sempre promovendo experiências arrojadas, ao privilegiar, como mostra sua história, a quebra de padrões, a inovação, sem ignorar, contudo, as contribuições já existentes. [...] Sobre esse aspecto chamo atenção ás ‘metáforas cênicas’, citadas por Cleise Mendes, que os dramas incansavelmente operam”.

“Com as duas montagens seguintes. A cidade e o corte e O casamento de Maria Braun, pude compartilhar duas experiências do diretor Thomas Ostermeier, um dos mais producentes atualmente na Alemanha”.

“Essa performance-instalação, este prólogo, de forma bastante metafórica, se relacionava á abordagem da encenação que se seguiria”.

“A atmosfera proposta pelo dramaturgo, assimilada de forma contundente pelo encenador no programa do espetáculo: ‘Perceba simplesmente que tipo de ação política, emocional ou filosófica a peça exerce sobre você. A peça significa para cada expectador uma coisa diferente’.”.

“Com Emil e o detetive, direção de Frank Carstof, pude assistir, no Volksbühne, pela primeira vez, a montagem alemã destinada às crianças.[...]O elenco misturava crianças e adultos através dessa experiência se pode entender de que modo o teatro alemão conquiata desde cedo seu público, o que lhe confere uma característica de solidez e qualidade.”

“A experiência com O oráculo de Martha pubin foi a mais inusitada e provocante entre as experiências e ofereceu um excelente contraponto para a discussão atual do papel do expectador na cena contemporânea”.

“Os performers falavam diversos idiomas e eram de distintas personalidades um misto de ficção e realidade, que fazia com que o tempo transcorresse”.

“A ultima montagem que destaco é Call Cutta in a Box. Esta é ainda mais radial no que se relaciona à individualização da experiência”.

“Todas as outras montagens revelaram aspectos que mereciam comentários. Não à toa, foram selecionadas entre muitas outras para integrar o evento”.

“As atmosferas ali vivenciadas, como propõe, Böhme, me confrontaram com aspectos distintos da capacidade humana, através de uma arte que teima em se repetir, repetir, até ficar diferente”.

Comentário:

A atmosfera aparenta ser mais um dos contribuintes para compreensão e realização da recepção, pois é o que envolve o espectador durante a fruição da obra. Além disso, a recepção também é pensada por uma nova ótica que abarca o conceito de aura e sugere uma nova estética, que atua de três modos: com julgamento, através do juízo.

O juízo, somente, para a recepção, não relevaria a própria essência humana, que também é simbólica e afetiva. Tudo que dizemos sobre algo, de qual quer natureza, trazemos envolto no discurso também o juízo de valor, só que de forma simbólica e afetiva. Outros modos que a nova estética atua estão em colocar o juízo como central e o conceito de aura envolvido a atmosfera de distancia e de apreciação.

Na experiência receptiva relatada por Cajaíba, durante o Festival de Teatro na Alemanha, fica evidente as diferenças atmosféricas reveladas em cada espetáculo/performance realizado. Com isso leva o espectador/leitor a perceber através de sua recepção as peculiaridades e sensações de cada obra descrita, mesmo sabendo que ao se tratar de recepção cada pessoa elaborará a sua. Contudo, a compreensão de atmosfera, contribui para ir além de somente esboçar o juízo de valor sobre a obra, mas senti-la.

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