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domingo, 27 de março de 2011

Texto 2:Teatralidade tátil: alterações no ato do espectador. Flavio Desgranges/Uma incursão pela estética da recepção. Edélcio Mostaço

Por Marli Souza.
Teatralidade tátil: alterações no ato do espectador. Flavio Desgranges

FICHAMENTO:
 (PR.1 pag. 2)
A renovação artística que marca a transição da tragédia classicista e heróica para a forma dramática nascente se faz, pois, em tensão com as lutas da burguesia em ascensão no período.
O teatro é sempre um forte meio de representar o contexto social de uma sociedade ou de um período, a burguesia utilizava do teatro como meio de persuasão para trazer uma realidade que atendesse aos seus interesses e que fosse aceitos por todos, tendo como aliado o ilusório teatral.

 (PR. 4 pag.2)
[...] A noção, largamente difundida então, de que a poesia dramática se caracterizaria pelo ensinamento que pode proporcionar aos espectadores, que poderiam aprender com erros cometidos pelo herói, advém já de uma reinterpretação de Aristóteles realizada pelos teóricos renascentistas.
            Os burgueses ao perceber que o teatro no período classicista utilizava-o para representar a lição de moral e manipular o que seria certo ou errado, utilizam-se dessa arte para reproduzir seus ideais com intenções sociais e não apenas culturais.

(PR.4. pag.2)
[...] O drama burguês utiliza-se deste potencial de aprendizagem, já presente nos efeitos da tragédia heróica, com o intuito de ampliá-lo (com adaptações), estabelecendo uma tensão entre a nova forma e os propósitos da burguesia em ascensão.
            O drama burguês busca um encantamento e envolvimento do publico como aconteciam na tragédia, que por sua vez também procurava passar lição de moral com os contos heróicos, colocando Deus com centro do universo e os que erravam iam para o inferno, já no drama burguês busca também através do teatro apresentar lição de moral, porém o homem passar a ser o centro do universo que podem sofrer ascensões, responsáveis pelas suas ações podem sofre conseqüências positivas ou negativas a depender de suas escolhas.
 
(PR.1. pag.3)
[...] As tramas se voltam prioritariamente para a apresentação e a recriminação de falhas individuais, como a incapacidade de organizar seus apetites irracionais, seus desejos mundanos, e a valorização do amor familial e do comportamento respeitoso entre os membros do lar, base da sociedade burguesa.
             O Homem deve obedecer e respeitar os costumes morais, resistir as tentações que coloquem em riscos sua moral e sua vida familiar, aqueles que desobedecem e  desafiam a essa ordem não sofrem mas castigos divinos, mas passaram a ser visto como um mal elemento pela sociedade e suas falhas serão responsáveis pelo seu declínio social, isso envolve suas questões econômicas e morais.

(PR.2 pag.3)
Portanto, considerar a recepção e a interpretação como processos baseados em valores estéticos e políticos, traz conseqüências importantes para a formação do espectador, uma vez que não se pode mais alegar uma natureza a - histórica do conhecimento, nem contar um modelo fixo a ser seguido para valorizar algo.
            A interpretação do espectador terá ligação com a experiência pessoal e social desse espectador, pois é através das experiências estéticas que o mesmo fará ligação ao seu conhecimento individual e refletirá sobre a situação apresentada.

(PR.3 pag3)
Para se adequar aos princípios do drama, em sua busca por caracterizar o palco como fração da própria vida, e propor ao espectador envolvimento e comoção, a cena precisa abandonar qualquer recurso em que a teatralidade esteja revelada. Dessa maneira, os coros o verso, os maneirismos e exageros dos atores, a descontinuidade das cenas, os apartes, ou qualquer modo de relação direta com o publico vão pouco a pouco sendo abolidos.
            Para que o publico tenha a ilusão que se trata de uma fatia da vida trazida para o palco, aumentando assim a ilusão da situação proposta, o publico participando dessa ilusão tem uma comoção mais eficiente e participa da trama com um olhar envolvido, como se fizesse parte do espetáculo se colocando no lugar o herói.

(PR.5pag 3)
 A comoção vivida pelo personagem precisa ser cuidadosamente construída, de modo que o público possa acompanhar o herói. Somente dessa maneira se pode provocar o almejado impacto emocional capaz de “transtornar” o espectador.
É se espelhando no herói e se identificando com ele que o publico vai se comover e acompanhar a obra. Se identificando com o herói o espectador se coloca no lugar do mesmo e passa a vivenciá-lo, a sofrer e progredir com ele durante o espetáculo.
           
(PR4 pag.4)
O Drama moderno surge como oposição a essa empatia por abandono (Brecht, 1978) estabelecida pelo drama burguês. O convite crítico-reflexivo feito ao espectador, nesse caso, pode ser compreendido como um retorno freqüente a própria consciência, deslocando-se da pele do herói e reassumindo seu lugar de observador, seu ponto de vista, fora do mundo fictício, para, desse lugar que lhe é próprio, elaborar um juízo de valor acerca dos acontecimentos levados à cena.
Com oposição ao modo co que o espectador se comporta do drama burguês o drama moderno surge com o efeito de distanciamento o objetivo agora não é fazer o e espectador vivenciar o lugar do herói e sim refletir sobre as ações do mesmo, desse modo o espectador observa a situação, mas não se influencia emocionalmente com a ação sai do papel do herói e retorna a sua reflexão fazendo uma analise da situação.

(PR.4. pag4)
[...] As brechas no mecanismo dramático rompem com a ficcionalidade irrestrita e expulsam o espectador da vivencia interior da obra, lançando-o de volta à própria consciência, convidando-o a desempenhar um ato propriamente estético, reflexivo.
            O emocional não é mais valido para o acompanhamento da obra, agora o processo passa a ser apenas observar e refletir sobre o observado.
             
(PR1. pag.5)
[...] A recepção tátil se efetiva de modo inverso ao da recepção contemplativa, pois, ao invés de convidar o espectador a mergulhar na estrutura interna da obra, faz emergir o objeto artístico no espectador, atingindo-o organicamente – daí a noção de tátil. O objeto como que avança sobre o individuo, toca-lhe o intimo, e de maneira inesperada, faz surgir conteúdos esquecidos, relacionados com a memória involuntária. O retorno do esquecido, ou do recalcado- em uma acepção psicanalítica que marca também os estudos de Benjamin-, possibilita que restos da historia pessoal, associados a historia coletiva, venham à tona, prontos para serem elaborados pelo espectador.
            O espectador recebe a obra mas não refletirá sobre ela e sim o que ela faz refletir involuntariamente  na sua vida, através das lembranças que são acionadas o que acontece como espectador ao recordar essas lembranças dentro daquele contexto.

 (PR.4. pag.7)
[...] o que não acontece na teatralidade pós-dramática, que como sugere a própria denominação, refuta o principio dramático, abandona a “psico-lógica”, e não opera mais prioritariamente por empatia e imersão no universo ficcional criado pelo autor.
            Com a teatralidade pós-dramática o espetáculo é um meio e sem a obrigação de entendê-lo o espectador aprecia-o e o espetáculo o modifica involuntariamente pelo retorno as suas experiências anteriores.
                                
(PR.5. pag.8)
[...] O espectador não se pergunta “o que isto quer dizer?”,mas sim “o que está acontecendo comigo?” o que lhe solicita disponibilidade para participar de um jogo que se apresenta de modo inesperado e sem uma seqüência preestabeecida, porque  se propõe como experiência, e, enquanto tal, só se efetiva plenamente se o próprio espectador se dispuser a constituí-lo enquanto joga.
            O espectador tem que esta a disposição de se perguntar o que esta sendo ativado da sua lembrança, por que é através dela que ele aproveitará a ação dramática para refletir em quais modificações a obra influencia no momento da ação, o que se passa durante a recepção.


Uma incursão pela estética da recepção. Edélcio Mostaço
(Pr.2. pag2)
A recepção não é uma dimensão individual, mas um fenômeno coletivo, resultante das manifestações advindas das interpretações singulares ou grupais, dimensionada através das práticas de leitura e agenciamentos históricos efetuados sobre textos e autores.
Apesar de assistir o espetáculo com varias pessoas o receptor terá uma visão diferenciada dos outros, porque cada um terá uma vivencia diferente, experiências que contribuem com o que esta sendo oferecido do espetáculo para uma formação de uma concepção

(Pr.2. pag2)
[...] Em seus primórdios fixou quatro eixos de investigação: a) a obra de arte possui uma natureza singularmente histórica, ou seja, vive e revive através das sucessivas leituras que tem o poder de atualizá-la e/ou nela inscrever a percepção contemporânea...
Uma obra que ultrapassa o seu período terá uma leitura diferenciada que teve no contexto anterior, pois as idéias são diferentes, os pensamentos são diferentes e a vivencia do publico é diferenciada, o que ela pode ter conseguido despertar, chocar ou ate mesmo influenciar, será de uma maneira distinta ate mesmo quando for contemplada por públicos diferentes, sendo assim conhecimentos diferentes. 

(Pr.2pag.2)
[...] há um horizonte de expectativas em torno da obra/artística e um dado efeito que produzem em seu tempo; sendo considerados inovadores aquele que, de algum modo, desestabilizam tal relação. Esse percurso pode ser objetivado temporariamente, rastreando-se as reações junto ao publico e o juízo produzido pela critica, evidenciando as tensões sócio-ideologicas que o atravessam, os valores confrontados e os abalos quanto aos sistemas de códigos instituídos.
            Ao quebrar a expectativa do publico o diretor/professor consegue impressionar e conseqüentemente despertar o interesse do publico para a obra.

(Pr.2pag2)
[...] Para o estabelecimento do horizonte de expectativas sobre a obra, tanto no passado quanto no presente, a hermenêutica é o percurso interpretativo privilegiado para a tarefa.
Através das expectativas esperada pelo publico e as possibilidades e curiosidades que o texto desperta, criam-se novas expectativas para a recepção do espetáculo e abre novas possibilidades de interpretação.

(Pr.2pag3)
Ao emergir, em sua fase heróica, a estética da recepção provocou vários abalos, especialmente por deslocar o eixo da discussão cultural, deixando de privilegiar o autor e o seu universo para ressaltar o processo interativo que se estabelece entre a obra, o leitor e o fundo social circundante. Ou seja, as questões relativas aos sentidos provocados pela obra dependem sempre de um contexto e eles mutáveis, em função das circunstâncias de leitura.
A obra pode ser a mesma, porém o leitor é diversos cada um com uma expectativa diferente e as experiências distintas proporcionam uma recepção diferenciada em variados contextos sociais, na fase heróica era um único contexto que influenciava ao espectador a ter uma mesma visão religiosa a respeito do que é apresentado, hoje se for realizada uma encenação heróica do período clássico com certeza por ter experiências diversas e uma construção critica elaborada a recepção não se assemelha a do período.

(Pr.4. pag.3)
Se atentarmos ao ambiente político dos anos de 1960 e 1970, com a Guerra do Vietnã sinalizado o tônus de inúmeros outros conflitos mundiais e os vários abalos provocados pelos movimentos de contestação nos EUA e na Europa, teremos o quadro tenso das discussões travadas, onde a questão do engajamento intelectual cintilava como prioritária.
A arte nesse período passou a ser para poucos, apenas para os intelectuais que tiveram a oportunidade de apreciar e discutir sobre a arte, nesse sentindo valorizava-se o intelecto dos nobres e os espetáculos passaram a ser direcionados a eles com características que valorizavam sua experiência aristocrática.

(Pr.2. pag4)
Já apontado por Jauss anteriormente, o prazer enfatizava a materialidade sensível do processo artístico, as constituintes intrínsecas à arte que, irredutíveis quando da experiência estética, reverberam sobre o corpo do leitor/espectador.
Através do prazer o espectador vivenciava a arte, e a experiência estética alinhada ao prazer proporcionava a recepção.

(Pr.4. pag.4)
[...] “A dificuldade não está em compreender que a arte grega e a epopéia estão ligadas a certas formas de desenvolvimento social. A dificuldade reside no fato de nos proporcionarem ainda um prazer estético e de terem para nós, em certos aspectos, o valor de normas e de modelos inacessíveis” (Marx, 1973, p.131; grifos meus)...
Apesar do seu valor estético, o que eram apresentados nessas artes estão fora do nosso contexto social, não diria q estamos em um período mas avançado, mas diria que temos uma acumulo de experiências com a arte maior, possibilitando um censo critico mas apurado.

(Pr.4. pag.4)
[...] “O objeto de arte, tal com qualquer outro produto, cria um publico capaz de compreender a arte e de apreciar a beleza. Portanto, a produção não cria somente um objeto para o sujeito, mas também um sujeito para o objeto” (Marx, 1973, p.116).
Através da apreciação o publico passa a se educar e se acostumas a freqüentar atividades artísticas, o que ampliam as suas experiências e proporcionam novas observações, assim a arte não pode ser interpretada apenas para intelectuais, mas sim para ser aproveitada na construção de novos receptores telespectadores.

 (Pr.3pag.5)
Estabelecendo vários graus e modalidades de empatia, ele distingue, por exemplo, a atilada postura de Brecht, salientando como dramaturgo alemão soube manipular “um reconhecimento do efeito e da recepção da obra literária”, ainda que orientando sua produção para a educação do espectador ao invés do prazer estético, transformando a empatia numa atitude reflexiva e critica.
Através do efeito de distanciamento Brecht propôs ao espectador uma recepção diferenciada, proporcionando uma reflexão crítica do espetáculo, porém através da sua dramaturgia consegui manter o interesse e a curiosidade do espectador de uma forma prazerosa e não apenas pela estética. Na verdade bem menos de estética e muito mais pela construção dramática.

(Pr.6pag. 5)
A estética da recepção parte do pressuposto de que a arte é um fazer, uma construção e, como tal, infunde uma dada relação com o leito/espectador.
O espectador esta em ação contribui com o espetáculo construindo durante sua recepção imagens e reflexões acerca do espetáculo apresentado, então sua apreciação não é inerte e sim ativa a todo o momento.

(Pr.5 pag. 6)
[...] Jauss destaca algo importante: “a função comunicativa da experiência estética não é necessariamente medida pela função catártica. Também pode decorrer da aishesi, quando o observador, no ato contemplativo renovante de sua percepção, compreende o percebido como informação acerca do mundo do outro ou quando, a partir do juízo estético, se apropria de uma norma de ação.
Pequenos detalhes, ou símbolos podem proporcionar ao espectador uma nova experiência ou remeter a uma lembrança ou uma situação vivenciada.

(Pr.3pag 7)
De modo que a recepção, na atualidade, diz a respeito a um sem numero de agenciamento no vasto território de cena, apresentando subsídios quer para a pedagogia quer para a historia, quer para a sóciosemiótica quer para quer para analise dos discursos, fomentando plataformas que estão alargando os estudos teatrais.
Atualmente no contexto social temos diversas possibilidades de experiências artísticas vivenciadas ao longo da historia, por isso hoje o mundo artístico e possibilitado de diversas informações diferenciadas que contribuem para uma visão múltipla do espectador. Sendo assim o receptor de hoje grandes experiências com as contemplações artísticas visualizadas ao longo do tempo.

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