Páginas

Para encontrar nossas fotos, relatórios, projetos, planos de aula e etc...

Pesquise aqui!

segunda-feira, 14 de março de 2011

O espaço da pedagogia na investigação da recepção do espetáculo Biange Cabral

“A complexidade da recepção teatral reside na polaridade entre sua dimensão coletiva (um grupo de pessoas assistindo a um espetáculo) e a singularidade das percepções individuais.”

“A dificuldade da interação entre produção e recepção reside tanto em receber a crítica quanto em realizá-la.”

Não se restringe ao teatro como campo profissional, mas também na sala de aula.
“A questão é ‘o que o aluno aprendeu e não se ele aprendeu o que o professor ensinou’. [...] no caso da formação do espectador, a pergunta seria ‘o que ele percebeu ou como ele leu a cena, e não se ele captou a intenção do autor’.
”Esse ponto é muito importante, pois traz a tona o perfil do defasado do professor que espera do aluno uma resposta pronta, que apenas confirme o ensinou. Em teatro isso é ainda mais grave na aplicação dos jogos, que devem ter o professor como um figura de mediador, que tenha sensibilidade para perceber as interferências dos alunos e assimilar prováveis modificações no jogo.
“Professor e diretor são ambos mediadores, entre a produção e a recepção do espetáculo. Mas, para que haja mediação é necessário explicitar a concepção de ensino do trabalho a ser desenvolvido em parceria, o que implica considerar a dimensão estética e política do processo ou produto em foco.”
É preciso ser muito claro na proposta de condução de um trabalho, seja num processo teatral de montagem, seja em sala de aula, para os envolvidos acreditem e que de fato se envolvam ativamente no processo.
“Hoje é possível observar um crescente interesse pela recepção, como parte da tendência das ciências humanas de privilegiara auto-reflexão e reconhecer a relevância do contexto.”
“Umberto Eco argumenta [...], que ao selecionar convenções e signos e ao estabelecer relações co-textuais os atores estão lidando com ambiguidades e oferecendo uma série de conotações, isto é, sugerindo mais do que é realmente falado ou demonstrado.”
“Por outro lado, a leitura dos espectadores será sempre mediada pelo seu ângulo de visão, o qual permite interpretar os signos verbais e visuais, e fazer inferências juntando as novas informações com seu conhecimento anterior.”
Esse trecho reafirma a importância do horizonte de expectativa do espectador para a leitura de uma obra artística,em específico, teatral.
“[...]considerar a recepção e a interpretação como processos baseados em valores estéticos e políticos, traz consequências importantes para formação do espectador, uma vez que não se pode mais alegar uma natureza a-histórica do conhecimento, nem contar comum modelo fixo a ser seguido para valorizar algo.”
“O teatro de Brecht se concentrou na mudança dos modos tradicionais de produção e recepção através da introdução [...] “recursos simbólicos planejados para interromper a unidade imaginária entre produtor e texto, ator e papel, espectador e palco, tais como: efeito do estranhamento, foco no gesto, apelo pelo espectador.[...]”
Os estudos de Brecht foram movidos pelo desejo de instigar o espectador a uma observação crítica e estimular a atividade na esfera social.
“O prazer teatral é prazer do signo.”
Segundo Anne Ubersfeld, “o objetivo não é encontrar a verdade, na interpretação de uma multiplicidade de signos, mas perceber o mundo que está para ser interpretado”.
“[...] a preocupação com o espectador e a interpretação representa também um sintoma da evolução recente faz ciências humanas em direção à auto-reflexão e ao reconhecimento da relevância do contexto.”
A valorização do contexto, de uma teia de fatores que favorecem um determinada visão de mundo (relacionada a um tempo).
“[...] o impacto cultural de um espetáculo está relacionado quer com sua ressonância com o contexto social do espectador, quer com a transgressão das formas usuais e/ou cotidianas do uso do espaço e texto.”
“Este procedimento [investigação do impacto por meio dos questionários] amplia o campo de percepção do espectador, que identifica o que lhe foi mais significativa; o ponto de partida passa a ser o reconhecimento de percepções distintas, em vez da busca de um consenso em termos de interpretação.”
Acaba sendo proveitoso especialmente para quem está em diretamente em contato com a produção artística, pois faz-se perceber novos elementos, pontos de surpresa no trabalho, apesar da contínua execução. Irriga a visão do espetáculo e consequentemente estimula novas formas de resoluções cênicas.
“Se o horizonte de expectativas examina a recepção pela perspectiva do desjo e da visão de mundo do espectador, os vazios do texto (os gaps) apontam para apropriação do texto pelo leitor. Um texto aberto permite diferentes leituras, como tal, sua atualização pelo espectador requer coerência interna e, em trabalhos de grupo, seu enquadramento ou contextualização.”
“O papel do professor, além de identificar um texto aberto para o trabalho em grupo, está também em dirigir a atenção dos participantes para estes vazios do texto (mesmo que ele resulte da criação coletiva do grupo).”
“Ao selecionar e incluir alternativas para preenchê-las em um questionário, o professor recebe informações que permitem identificar tanto a quebra de expectativas, quanto o cruzamento de fronteiras culturais.”
“Na fronteira entre a pedagogia e o teatro o estudo da recepção permite explorar formas de inserir o espectador no espaço espetacular e incluir sua voz na construção da narrativa teatral.”

Nenhum comentário: