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sexta-feira, 25 de março de 2011


Heyder Stephano de Oliveira Moura

MOSTAÇO.Eldécio.Uma incursão pela estética da recepção.

Pg.1 Pr.1

A estética da recepção ainda não expandiu totalmente suas possibilidades entre nós.A principal referência continua sendo a coletânea organizada por Luis Costa Lima,da apresentação da corrente em 1979,vinte anos após seu surgimento em Constança,Alemanha.

É possível observar que ainda atualmente os estudos sobre a recepção estão para ser explorados e expandidos,inclusive no Brasil,como cita o autor .Esse espaço a ser ainda investigado,lugar de possibilidades, mostra que o desenvolvimento do conhecimento,do saber na contemporaneidade é orientado pelo fluxo ,pela contaminação das informações,pelas relações/interações desenvolvidas por diferentes áreas do conhecimento, e pelo aparecimento de redes informacionais.O que se percebe por um lado é que embora os trabalhos apresentados sobre a estética da recepção no Brasil sejam ainda em menor quantidade,observa-se que a noção desenvolvida acerca da autonomia,de co-autoria,de processos colaborativo e coletivos em arte,a questão da interdisciplinaridade, são bastante desenvolvidas nos cursos de graduação em educação e arte das faculdades brasileiras,o que esclarece de certa maneira que por mais que exista um espaço considerável desde a tradução das primeiras obras acerca das especificidades no campo da recepção (e neste caso a teatral), a discussão sobre a experiência dos sujeitos e sua interação com/no contexto social na produção de perspectivas, discutidas em outras áreas do saber facilitam a compreensão, ao passo que também complexifica o assunto sobre recepção.O que de certa maneira possibilita a curiosidade investigativa e conseqüentemente a expansão dos trabalhos acerca da recepção no Brasil.

Pg.1 Pr.2

A recepção não é uma dimensão individual,mas um fenômeno coletivo,resultante das manifestações advindas das interpretações singulares ou grupais,dimensionadas através das práticas de leitura e agenciamentos históricos efetuados sobre textos e autores.

É possível observar a significativa abordagem que a recepção vêm desenvolvendo sobre o papel do leitor-espectador, a medida em que possibilita aos indivíduos o reconhecimento de sua intervenção criadora e transformadora no mundo.Na área de educação a teoria da recepção propõe um novo olhar sobre as práticas de ensino-aprendizagem,a medida em que solicita aos educandos a consciência de sua participação criativa e colaborativa na sociedade, entendendo que o desenvolvimento de suas habilidades e potencialidades ocorre através do seu engajamento critico no mundo- lugar de possibilidades de leituras,percepções-,ciente de seu inacabamento,de seu constante processo de transformação,adaptação e intervenção no mundo.

Pg.2 Pr.2

A estética a recepção provocou vários abalos,especialmente por deslocar o eixo da discussão cultural deixando de privilegiar o autor e seu universo para ressaltar o processo interativo que se estabelece entre a obra,o leitor e o fundo social circundante.

Neste sentido a estética da recepção amplia seu campo de discussão direcionando suas investigações não somente para as preocupações voltadas ao entendimento da composição do autor e o deciframento por parte do espectador,mas também pela apreensão das questões interativas que ocorrem entre obra,espectador e o contexto social que por sua mutabilidade influência significativamente a recepção.É possível observar no texto a questão das relações estabelecidas por diferentes áreas do saber,e entende-las também como suporte teórico para as discussões,constituição e desenvolvimento na área da recepção.O autor cita ainda o movimento do new criticism como reavaliador dos aspectos sociológicos e históricos do contexto.

Pg.3 Pr.5

Após associar o cultivo do gozo,o prazer e das emoções ao desenvolvimento exploratório como promovido pela industria cultural e aí seu exorcismo por intermédio da negatividade.

No texto o autor discorre sobre diferentes pontos de vista defenidos por vários autores acerca da catarse- um dos ângulos estruturais da estética da recepção.A discussão gira em torno da produção do prazer,citando as idéias de Theodor Adorno e Marx a respeito do efeito da catarse como ludibriador da verdade,como modelo regidos pelos interesses políticos de uma determinada classe,imprimindo os valores morais constituintes da classe burguesa,neste sentido a catarse- o prazer as emoções- expurga os sentimentos recalcados do indivíduos,possibilitando sua coerção no sistema social pré-determinado,percebe-se então que a medida que a catarse identifica e faz reconhecer o individuo como instrumento do sistema,impossibilitando a sua intervenção critica-criativa no mundo(já que a catarse ocorre pela identificação e imersão dos individuos na obra),é possível entender que a negação destes pensadores acerca do fenômeno catarse se dá justamente pelo excesso de entrega emotiva e sentimental do espectador.Não é difícil perceber que a sociedade industrial capitalista dentro do seu modus operandi vai incentivar tanto a produção dramas burgueses,capazes de envolver profundamente o espectador causando “a empatia por abandono” proposta por Brecht citada por Desgranges(Teatralidade Tátil:alterações no ato do espectador) como uma empatia de modo irrefletido,aceitável,determinista capaz de até aliena-lo.Por outro lado o fenômeno da catarse pode ser compreendido como efeito estético proposto ao espectador como uma via que possibilita a experiência estética a medida que dialoga com as subjetividades dos individuos.

Pg.4 Pr.3

Jauss recuperou a aristotélica Katharsis enquanto dimensão comunicativa subjacente à obra artística,salientada como a esfera onde os fenômenos de identificação e empatia vão produzir-se.Estabelecendo vários graus de modalidades de empatia,ele distingue por exemplo,a atilada postura de Brecht.

Neste sentido é possível observar que Jauss identifica o fenômeno da catarse enquanto uma possibilidade da fruição artística,assim percebe-se que embora Brecht tenha criticado o drama burguês devido ao apelo exacerbado à identificação e empatia do espectador pela história do protagonista,ele utiliza esses mesmo elementos para propor seu teatro,no entanto apropria-se das questões políticas-ideologicas da época,o drama burguês não corresponde mais as necessidades sociais, a divisão de classes se intensifica,o proletariado exige a sua participação nas decisões sociais,a história é construída e por isso mesmo a necessidade da intervenção dos sujeitos.Desta forma compreende-se que por mais que Becht tenha absorvido certas características do drama burguês intervindo em sua estrutura,criando outro efeito estético o de distanciamento através das interrupções das cenas,a assunção da teatralidade e da narrativa,abrindo caminhos para a atuação dialética os indivíduos envolvidos na obra e neste caso tanto atores,quanto espectadores.Por isso mesmo o autor salienta a questão das modalidades de empatia tranformando-a numa atitude reflexiva e critica.

Na área de teatro educação percebo que o esclarecimento de diferentes correntes artísticas propiciam a discussão acerca da produção e recepção da obra de arte e do modo social na sociedade contemporânea.

Pg.5 Pr.3

Os teóricos de Constança grifaram a função da leitura sob dois aspectos: a do horizonte de expectativas (...)e o de emancipação(...).Ou seja,circunscrevem a pluralidade de instâncias subjacentes às poiesis,aisthesis e katharsis,três fases concomitantes a experiência estética que levam à apreensão da obra.

O que corresponde ao horizonte de expectativas diz respeito aos códigos,preceitos,experiências sociais diversas e comportamento instruídos pelo habito,na questão da emancipação estão ligados questões da finalidade e o efeito propostos pela arte,liberando a fruição e articulando um novo universo sensorial.Neste sentido o autor afirma que mesmo obras que propõe o distaciamento,a ironia partem de uma identificação inicial.Desta forma diz que tanto a poiesis que implica no prazer que sentimos como realizadores de uma obra,,quanto a aisthesis implica na dimensão de percepção reconhecedora ou de reconhecimento perceptivo(penso que no nível mais sensorial e menos racional da obra),bem como a katharsis fenômeno de liberação e expurgação da psique frente a conteúdos reprimidos; estão intimamente ligadas com as apreensões dos individuos durante a fruição de uma obra,é valido lembrar ainda que essas instancias que operam no interior do leitor-espectador constituem diversas formas de receber a obra.

Pg.5 Pr.6

As três instancias da experiência estética são subjetivas e intersubjetivas,não obedecendo a uma hierarquia de camadas ou importância (...).

Pg.6 Pr.2

De modo que a recepção na atualidade diz respeito a um sem numero de agenciamentos no vasto território da cena(...),fomentando plataformas que estão alargando os estudos teatrais.

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