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sexta-feira, 25 de março de 2011

Heyder Stephano de Oliveira Moura

FICHAMENTO

DESGRANGES.Flávio.Teatralidade tátil: alterações no ato do espectador.

Pg.1 Pr.1

A relação do espectador com o teatro esta intimamente relacionada com a maneira,própria a cada época,de ver-sentir-pensar o mundo.

A produção teatral pode ser considerada,desde então,não como obra,mas como objeto artístico,passando a assumir função social bastante diversa daquela compreendida até então.

Isto não significa apenas e, superficialmente que as obras de arte imprimem o pensamento político-ideológico e filosófico de uma determinada época,mas nos revela também que as informações e a produção do saber são produzidas, no sentido de desenvolver um determinado conjunto de valores éticos, morais e ideológicos em prol do fortalecimento de uma determinada classe social.Independente de valores estéticos tanto do drama burguês como o drama moderno representam as tensões estabelecidas em um momento histórico marcado pela luta de classes e seus ideais sociais.Percebo que apesar da importante contribuição que o teatro épico possibilitou em termos sociais e artísticos ao propiciar o questionamento do individuo frente a obra,de certa maneira o drama burguês também colocou o individuo comum no centro do embate com o pensamento absolutista dos monarcas.A questão não é mensurar os dois tipos de correntes do drama,mas entender que a produção e apreensão do mundo se dá através das transformações históricas da sociedade.

Neste sentido penso que a noção de objeto artístico contempla de forma democrática a função do espectador em relação a produção artística,democrática no sentido em que possibilita a pluralidade das perspectivas sobre o objeto,e ainda por redimensionar o papel do leitor-espectador enquanto colaborador.Neste sentido é possível observar a evolução das propostas políticos-ideológicas e estéticas ,bem como perceber que as relações sociais na contemporaneidade se dão através da reciprocidade das informações,na contaminação ocorridas entre as diferentes áreas do saber e conseqüentemente nas relações estabelecidas entre os sujeitos.O enfraquecimento nas lutas de classe e o fim das disputas estabelecidas pela bipolaridade mundial, o desenvolvimento das tecnologias digitais,da globalização e da internete,re-significam a função da arte assim como seus fruidores.

Pg.1 Pr.2

Afinado com os ideais iluministas que propunham importantes reformas políticas e sociais,o drama burguês se afirma no decorrer do século XVIII em contraposição à tragédia neo-classica.

A idéia norteadora iluminista baseada no antropocentrismo propunha a constituição do homem como centro do universo,a de homens livre capazes de traçar seus próprios rumos,ao passo que também estabelece bases morais para o progresso da humanidade.Assim o drama burguês se apropria do modelo do herói trágico proposto por Aristóteles para desenvolver as historias em torno das situações cotidianas e privadas dos homens comuns – os burgueses em ascensão.

A concepção iluminista do sujeito racional,situa o protagonista do drama como individuo psico-lógicos, o que justifica a composição lógica de suas ações,e é sobre este aspecto que ratifica a nobreza dos atos do herói do drama, diante do reconhecimento de seus atos,fator e importância fundamental no drama psicológico,o conhecimento de si,de sua identidade.

É observável que através dos estilos teatrais é possível desenvolver pesquisas na área de teatro e educação que fomente a curiosidade dos alunos acerca dos diferentes modos de produção e recepção em teatro.Na contemporaneidade, ou como sugere Stuart Hall na pós- contemporaneidade: “em vez de falarmos identidade como uma coisa acabada,deveríamos falar de identificação em processo e andamento",uma idéia bastante similar a noção de teatro pós-dramático citado por Desgranges , que de certa maneira expressa a forma de estar- pensar-criar o mundo na atualidade.

Pg.4 Pr.4

O drama moderno,por sua vez ,se vale de variados recursos cênicos narrativos,que se caracterizam pela assunção de teatralidade e visam a ruptura com a ilusão do palco dramático.

Em educação a compreensão de que propostas estilísticas correspondem situações históricas na sociedade,propicia o desenvolvimento do educando enquanto sujeito critico-reflexivo interventor no mundo.A teatralidade rompe com a ilusão do mundo-palco propondo que o espectador se distancie da ficcionalidade a medida que se conscientize de que não só a arte mas a vida no mundo industrial capitalista apropria-se de certos mecanismos elaborados no/pelo próprio fazer artístico.

Pg.5 Pr.3

No ensaio “A obra de arte na era a sua reprodutibilidade técnica” (Benjamin,1993),escrito dez anos depois,em 1936,o filósofo estabelece que a recepção tátil se efetiva de modo inverso ao a recepção contemplativa.

Penso que a noção de recepção tátil proposta por Benjamin,ocorre no nível de percepção sensorial,aquela que ocorre no interior dos sujeitos onde são acionados conteúdos relacionados com a memória involuntária,por isso mesmo esse tipo de recepção se dá de forma sensível,pois não opera de forma racional,lógica ,mas sim por outras vias de recepção como propõe De Marinis ao falar dos subprocessos que compõem o ato receptivo onde são acionadas uma diversidade de faculdades sensoriais e cognitivas.

Por outro lado a recepção contemplativa é aquela convida o espectador a mergulhar emotivamente no universo da obra.

A idéia de recepção tatil ,propõe aos educadores que o desenvolvimento da cognição perpassa por áreas onde a sensibilidade se encontra latente,pelo nível da aisthesis.

Pg.6 Pr.3

Somente uma recepção distraída,em que o consciente seja surpreendido,pego desatento,poderia se deixar atingir pelo instante significativo(...).

A questão de que as experiências fazem sentido a partir do momento em que surgem as tensões estabelecidas entre o passado e o presente acionados pela recepção tátil.

Pg.7 Pr.2

O que configura outra noção de memória e de sujeito,pois “este não é mais definido antes e tudo por sua atividade,consciente,voluntaria,mas também por um tipo de atividade passiva,receptiva”(...).

Pg.8 Pr.1

(...)na teatralidade pós-dramática que se estrutura não como obra,mas como objeto artístico,que trabalha não com a idéia de algo que não está pronto,e que para efetivar-se solicita ampla atuação do espectador(...).

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