Fcihamento 2
Bolsista: Marco Aurélio Calil
Data: 25/03/2011
Teatralidade Tátil: alterações no ato do espectador – Flávio Desgranges
“Pois a relação do espectador com o teatro está intimamente relacionada com a maneira, própria a cada época, de ver-sentir-pensar o mundo.”
“Ressaltarei aqui, especialmente, aspectos da teatralidade recente, em que, como tentarei descrever, a recepção passa a ser compreendida por seu caráter de experiência, que, para se efetivar, depende de uma disponibilidade distinta do espectador, inaugurando outro modo participativo.”
Comentário:
Esses dois trechos retratam justamente a idéia de que o espectador é mutável, na qual o espectador varia de época para época, pois a cada momento o modo de pensar das pessoas é de um jeito e que essa linha de pensamento em relação ao mundo e em suas próprias experiências é quem vai decidir o modo participativo do espectador.
“Uma das questões de fundamental importância para que o drama burguês se afirme está na possibilidade de que personagens pertencentes a essa classe social se tornem protagonistas das novas peças.”
“George Lillo, para defender o ponto de vista dos dramaturgos burgueses, argumenta que o herói trágico não necessita necessariamente ser um nobre, mas um homem com espririto nobre.”
“Ou seja, segundo a astuta argumentação de Lillo, não é o burguês que depende do teatro, mas o teatro que depende do burguês.”
“O drama burguês, surgido em tempos de afirmação do núcleo familiar, faz das reprimendas de conduta seu efeito primordial.”
“O espectador se vê convidado a vivenciar com o herói, não apenas as suas falhas, mas, e principalmente, as reprimendas que lhe são impostas no decorrer da trama.”
Comentário:
Estes trechos destacados relatam a realidade do drama burguês. Eles trazem a idéia de que os personagens dessa classe sempre sejam os protagonistas, os heróis, que o teatro dependa deles. Retrata toda essa estrutura familiar de comportamento e respeito entre os membros do lar. Com isso, o espectador vive a emoção e o sentimento fictício do protagonista, produzindo importantes lições para eles mesmos, o público.
“O drama moderno surge como oposição a essa empatia por abandono estabelecida pelo drama burguês. O convite crítico reflexivo feito ao espectador, nesse caso, pode ser compreendido com um retorno freqüente à própria consciência, descolando-se da pele do herói e reassumindo seu lugar de observador, seu ponto de vista, fora do mundo fictício, para, desse lugar que lhe é próprio, elaborar um juízo de valor acerca dos acontecimentos levados à cena.”
“Ao contrário daquela teatralidade surgida em consonância com os princípios burgueses, na cena moderna o autor se faz presente, revela as soluções artísticas, expõe os recursos cênicos que utiliza em sua montagem, mostra a sua concepção de teatro, assume posicionamentos críticos, e estimula o espectador a fazer o mesmo.”
Comentário:
Estes outros trechos destacados revelam o drama moderno, que acaba sendo o inverso do drama burguês. No drama moderno é como se o espectador tivesse uma maior autonomia, pois ele reassume seu lugar de observador, colocando seu ponto de vista, elaborando juízo de valor ao que acontece em cena. Outra diferença é a ruptura da ilusão do palco dramático, expondo os recursos cênicos, quebrando com a lógica do drama fechado, tornando o autor presente, assumindo posicionamentos críticos o que estimula o espectador a fazer o mesmo.
“(...) o filósofo estabelece que a recepção tátil se efetiva de modo inverso ao da recepção contemplativa, pois, ao invés de convidar o espectador a mergulhar na estrutura interna da obra, faz imergir o objeto artístico no espectador, atingindo-o organicamente – daí a noção de tátil.”
“O objeto como que avança sobre o individuo, toca-lhe o intimo e, de maneira inesperada, faz surgir conteúdo esquecidos, relacionados com a memória involuntária. O retorno do esquecido, ou do recalcado, possibilita que restos da história pessoal, associados à história coletiva, venham à tona, prontos para serem elaborados pelo espectador.”
“Esses conteúdos, ao virem à tona, trazendo imagens do passado, provocam o individuo a se debruçar sobre situações vividas e a chocar os ovos da experiência, fazendo nascer deles o pensamento crítico.”
Comentário:
Estes trechos abordam a recepção tátil., que traz a idéia de que o objeto artístico emerge sobre o espectador, despertando seus sentimentos, suas memórias, situações vividas, fazendo assim nascer o pensamento critico do próprio espectador.
Uma incursão pela estética da recepção – Edélcio Mostaço
“A recepção não é uma dimensão individual, mas um fenômeno coletivo, resultante das manifestações advindas das interpretações singulares ou grupais, dimensionadas através das práticas de leitura e agenciamentos históricos efetuados sobre textos e autores.”
Comentário:
Este trecho traz a idéia da recepção como um fenômeno coletivo e não individual, na qual essa relação é advinda de processos históricos ligados a autores e textos.
“Ao emergir, em sua fase heróica, a estética da recepção provocou vários abalos, especialmente por deslocar o eixo da discussão cultural, deixando de privilegiar o autor e seu universo para ressaltar o processo interativo que se estabelece entre obra, o leitor e o fundo social circundante.”
Comentário:
Esse trecho revela a estética da recepção em um processo relativo aos sentimentos provocados pela obra, do seu contexto social, interativos com o leitor.
“A estética da recepção parte do pressuposto de que a arte é um fazer, uma construção e, como tal, infunde uma dada relação com o leitor/espectador.”
Comentário:
Este trecho traz a obra artística como um despertar de um sujeito que compreende a arte e aprecia a beleza, produzindo também a criação de sujeito para objeto.
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