Fichamento 1
Bolsista: Marco Aurélio Calil
Data: 14/03/11
O espaço da pedagogia na investigação da recepção teatral – Biange Cabral
“O mesmo acontece com relação à recepção; para ler a cena, os espectadores precisam perceber o contexto e as circunstâncias em que ela ocorre.”
Comentário:
É importante sempre destacar essa afirmação, de que não adianta ler aquela cena isoladamente, mas sim conhecer todo o contexto que a envolve, pois sem isso outras interpretações daquela cena surgirão.
“Portanto, considerar a recepção e a interpretação como processos baseados em valores estéticos e políticos, traz conseqüências importantes para a formação do espectador, uma vez que não se pode alegar uma natureza a-histórica do conhecimento, nem contar com um modelo fixo a ser seguido para valorizar algo.”
Comentário:
Nesse trecho, a importância dada ao histórico e a mutabilidade dos acontecimentos e do conhecimento, influenciam nos processos de recepção e interpretação, assim como na formação do espectador, pois ele acaba por acompanhar essas mudanças, trazendo com isso novas considerações e análises.
“O objetivo não é encontrar a verdade, mas perceber que o mundo está lá para ser interpretado (Ubersfeld, 1982, p. 127-35).”
Comentário:
Acredito que essa frase se encaixa muito bem com o estudo da recepção teatral ou de qualquer outro produto artístico, pois o objetivo não é encontrar a verdade dita pelo diretor ou pelos atores, mas a sua interpretação sobre aquilo que está diante de você.
“Pesquisas sobre a recepção teatral, que realizei entre 1997 e 2006, revelaram que o impacto cultural de um espetáculo está relacionado quer com sua ressonância com o contexto social do espectador, quer com a transgressão das formas usuais e/ou cotidianas do uso do espaço e texto.”
Comentários:
É fácil perceber isso até com nós mesmos quando assistimos espetáculos que não fazem parte do nosso contexto social, nosso cotidiano, nossa linguagem, o desinteresse acaba sendo automático e imediato.
“A atuação do professor no espaço da investigação teatral é assim caracterizada como mediação ao nível da configuração do horizonte de expectativas do aluno e da sua interpretação, uma vez que a identificação dos vazios do texto influenciará sua percepção.”
Comentário:
Este trecho reafirma a idéia de que o professor não é o dono da verdade nem o detentor do conhecimento, pois é do aluno e de seu horizonte de expectativas que esses vazios serão preenchidos e a interpretação do texto irá sempre ser diferente uma da outra.
Redefinições nos estudos de Recepção/Relação Teatral – Clóvis Massa
“O vocábulo recepção, fortemente marcado pela teoria da informação, parecia contradizer a atividade produtiva do espectador, a concepção de que, em seu processo de apreensão, ele não apenas ‘recebe’, mas é co-responsável pelos sentidos da obra.”
Comentário:
Interessante analisar este trecho destacado, pois ele traz a idéia de um espectador que “recebe” aquela obra, mas contextualiza com suas vivências, pensamentos, idéias, não sendo apenas um espectador passivo diante daquilo que ver, sente, ouve.
“Enquanto atividade de preenchimento de lacunas ou vazios de um texto por parte do leitor, o conceito de concretização possibilitou aos teóricos da Escola de Constança compreender uma obra a partir de sua interação com o horizonte de expectativas – o sistema de referências ou esquema mental que um indivíduo emprega em seu processo de leitura, para investigar seus efeitos sobre o público.”
Comentário:
Este trecho reafirma a idéia de que o espectador daquela obra, traz consigo seus horizontes de expectativas, preenchendo essas lacunas ou vazios dessa obra, causando assim as múltiplas interpretações de diversas pessoais.
“Contudo, apesar da ênfase dos estudos na atividade do espectador, a carência metodológica das investigações é verificada, segundo De Marinis, pela incompreensão de que a competência teatral deve ser ‘entendida como o conjunto de tudo aquilo (atitudes, capacidades, conhecimentos, motivações) que coloca o espectador em condições de compreender (no sentido mais amplo do termo) uma representação teatral’ (De Marinis, 1997, p.79).”
Comentário:
Essa análise dos estudos na atividade do espectador, também tem haver com o pré-conhecimento que o espectador tem ou tenha que ter em relação aquela obra, a aquela representação teatral, assim como estado em que ele se encontra naquele momento, envolvendo todo o conjunto (atitude, capacidade, etc) que influenciam nessa compreensão.
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