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terça-feira, 15 de março de 2011

Fichamento 1 - Clóvis Massa

MASSA, C. D.. Redefinições nos estudos de Recepção/Relação Teatral. Revista Sala Preta, 2008, v.8, ECA-USP.
“O vocábulo recepção, fortemente marcado pela teoria da informação, parecia contradizer a atividade produtiva do espectador, a concepção de que, em seu processo de apreensão, ele não apenas ‘recebe’, mas é o co-responsável pelo sentido da obra. Concretização, por sua vez, deixou simplesmente de corresponder ao processo de interpretação do leitor, e precisou ser diferenciada da concretização cênica, realizada pelos produtores do espetáculo”.
“Nas últimas décadas, a idéia de público enquanto entidade sociológica abstrata e homogênea cedeu lugar à noção antropológica de espectador. Entretanto, os lineamentos desta nova teatrologia devem pressupor a experiência estética não apenas como ‘trabalho do espectador’, mas considerá-la em seu caráter coletivo e plural”.
“Para o esclarecimento desse ponto de vista, cabe distinguir os estudos de recepção em dois tipos: um diretamente vinculado à estética da recepção, com a intenção de examinar a acolhida de certas obras por um grupo num determinado período; outro, mais desenvolvido pela semiótica teatral, destinado a investigar os processos mentais, intelectuais e emotivos do espectador”.
“Enquanto atividade de preenchimento de lacunas ou vazios de um texto por parte do leitor, o conceito de concretização possibilitou aos teóricos da Escola de Costança compreender uma obra a partir de sua interação com o horizonte de expectativas – o sistema de referências ou esquema mental que um indivíduo emprega em seu processo de leitura, para investigar seus efeitos sobre o público”.
“Ainda que a hermenêutica literária tenha aberto caminho para a compreensão do caráter de co-criação do espectador, a noção abstrata e teórica do horizonte de expectativas requereu maior definição pelos estudos teatrais. Pelo viés da estética de produção e da recepção teatral, Patrice Pavis vinculou o circuito de concretização à dinâmica cultural em que o trabalho do espectador se realiza, ou seja, ao seu contexto social. (...) Para ele, a confrontação entre o metatexto (ou discurso) do diretor e o metatexto do espectador – nem sempre coincidentes – forma a concretização da encenação. (...) Mais do que um texto (cênico) junto ao texto dramático, o metatexto é o que organiza, desde o interior, a concretização cênica, o que não está junto ao texto dramático, mas, de alguma forma, em seu interior, como resultante do circuito entre significante, contexto social e significado do texto”.
“O modelo de percepção proposto por Marco De Marinis parte da teoria do espectador-implícito para entender como um espetáculo deixa margens de indeterminação que são determinadas pelo ponto de vista do espectador”.
“(...) Como a experiência da recepção é individual, mas a relação cena-sala em que se produz tal experiência é de caráter coletivo, Miguel Santagada acredita que seja possível ‘investigar os conteúdos da experiência em termos de uma concretização solicitada a vários espectadores de um mesmo espetáculo. E que, em razão de certas influências comuns, dois ou mais espectadores coincidam aproximadamente na descrição que fazem – a instâncias da investigação – do mesmo espetáculo’”.
“Santagada parte da elaboração de um modelo canônico de concretização, como exercício de imaginação em que se procura reconstruir o ponto de vista dos informantes. Essa concretização hipotética visa criar um padrão de referência e obter critérios específicos para as formulações posteriores. (...) A partir do modelo canônico, as concretizações eem seu estudo ficam restritas a duas chaves para compreender as respostas: uma, ideológica, de adesão à concretização canônica, que concorda com os significantes e justifica seu emprego em intenção crítica à realidade local; outra, moralista, que indica a rejeição ou a indiferença dos espectadores quanto ao léxico e as situações vistas em Decadência, e que demonstram que as alusões críticas do espetáculo não são de todo percebidas”.
Comentário:
Clóvis Massa aborda teorias da recepção a fim de promover uma reflexão sobre as definições e redefinições relacionadas aos estudos de recepção, perpassando pela conceituação da concretização, vista como a relação de troca entre autor e espectador, isto é, a capacidade de resignificação do espetáculo, tanto o autor quanto o espectador inserem partes da sua realidade no texto.

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