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sexta-feira, 25 de março de 2011

Desgranges e Mostaço

Por Maria Gabriela sena de Lima

Fichamento do Artigo
Teatralidade tátil: alterações no ato do espectador
Autor: Flávio Desgranges

“(...) Pois a relação do espectador com o teatro está intimamente relacionada com a maneira, própria a cada época, de ver-sentir-pensar o mundo.”

“A produção teatral pode ser considerada, desde então, não como obra, mas como objeto artístico, passando a assumir função social bastante diversa daquela compreendida até então.”

“Afinado com os ideais iluministas que propunham importantes reformas políticas e sociais, o drama burguês se afirma no decorrer do século XVIII em contraposição á tragédia neoclássica (...). Essa forma dramática, que acompanha o nascimento e o estabelecimento da classe social que lhe empresta o nome, vai, aos poucos, afastando as antigas convenções e estilizações da cena, em conformidade com o refinamento de seus propósitos estéticos.”

“Uma das questões de fundamental importância para que o drama burguês se afirme está na possibilidade de que personagens pertencentes a essa classe social se tornem protagonistas das novas peças. Pois, como anota Diderot, as regras do teatro clássico indicam que, ‘se quiser representar uma fábula trágica, o dramaturgo deve escolher personagens de condição principesca, reservando os burgueses ao estilo baixo da comédia jocosa’ (Diderot, 2005, p. 19).”

“Segundo a astuta argumentação de Lillo, não é o burguês que depende do teatro, mas o teatro que depende do burguês.”

“O drama burguês utiliza-se desse potencial de aprendizagem, já presente nos efeitos da tragédia heróica, com o intuito de ampliá-lo (com adaptações), estabelecendo uma tensão entre a nova fórmula e os propósitos da burguesia em ascensão. A fábula deve servir como um exemplo para a conduta na vida; um exemplo negativo, do qual se podem tirar lições.”

“As tramas se voltam prioritariamente para a apresentação e a recriminação de falhas individuais, como a incapacidade de organizar seus apetites irracionais, seus desejos mundanos, e a valorização do amor familial e do comportamento respeitoso entre os membros do lar, base da sociedade burguesa.”

“A força dramática de convicção e de persuasão se estabelece em cena como uma cortina de lágrimas (...). A relação do espectador com a cena teatral se vê caracterizada por forte envolvimento emocional, mascada por identificação irrestrita com o protagonista. Colado à pele do herói, cada individuo da platéia vivencia os acontecimentos que constituem sua trajetória: suas dores, sofrimentos, agruras, e também suas alegrias, descobertas, resoluções.”

“Para se adequar aos princípios do drama, em sua busca por caracterizar o palco como fração da própria vida, e propor ao espectador envolvimento e comoção, a cena precisa abandonar qualquer recurso em que a teatralidade esteja revelada.”

“A constituição da trama se dá a partir da caracterização individual, são os ‘personagens que criam suas próprias ações, que movem por si mesmos a grande máquina, de forma autônoma e inelutável, sem precisar das divindades e das nuvens’ (Lenz, 2006, p.38).”

“A cena moderna não inviabiliza, pois, a identificação do espectador com o protagonista, mas quer impedir que a empatia e o mergulho no universo ficcional se dêem de maneira abandonada, sem retorno reflexivo.”

“Somente uma recepção distraída, em que o consciente seja surpreendido, pego desatento, poderia se deixar atingir pelo instante significativo em que, na relação com o objeto artístico, o olhar nos é retribuído, nos toca o íntimo, e faz surgir o inadvertido, trazendo à tona experiências cruciais do passado.”

“A recepção opera de modo contrário: o objeto artístico é que invade o espectador, atingindo-o em seu íntimo, fazendo surgir sensações, percepções, imagens, entre outras produções, advindas da experiência pessoal do participante. O espectador desempenha o ato de leitura valendo-se, tanto da análise de elementos de significação oriundos do texto cênico proposto pelo autor, quanto de conteúdos outros, percebidos, lembrados e criados durante seu percurso de leitura.”

COMENTÁRIO:

Este artigo ressalta que o objeto artístico invade o espectador e a partir disto estimula as sensações. A partir do que se vê o espectador sente, ainda que sejam diferentes estéticas teatrais o espectador absorve o que ele lê do objeto mostrado passando a se identificar com alguns aspectos mostrados e a partir disto ele pode gostar do espetáculo, não gostar, torcer por um personagem, entre outras coisas relacionadas à identificação. O texto fala de leitura e experimentação, ou seja, a interação com o texto que pode te levar a experiênciar, a relembrar o passado, mais uma vez é necessária a identificação com o que se vê. Para acontecer à identificação é preciso me por no lugar do outro para tentar enxergar a situação como sendo minha e em seguida voltar para o plano real para que a partir disto possa perceber as diferenças e expor opiniões. Muitas vezes isso acontece sem que o espectador perceba. Este artigo demonstra também as mudanças da teatralidade e a maneira que o espectador recebe essas diferenças. Cada época recebe de maneira diferente as questões mostradas em cena, pois a maneira de pensar as coisas também muda de acordo com o tempo.

Fichamento do Artigo:
Uma incursão pela estética da recepção
Autor: Edélcio Mostaço

“A recepção não é uma dimensão individual, mas um fenômeno coletivo, resultante das manifestações advindas das interpretações singulares ou grupais, dimensionada através das práticas de leitura e agenciamentos históricos efetuados sobre textos e autores.”

“Ao estabelecer tal deslocamento, a recepção aproveitou o que de melhor o new criticism havia produzido enquanto análise imanente da obra, reavaliando os aspectos sociológicos e históricos do contexto, rebatendo não apenas marxistas (Lúkacs, Szondi, e Adorno) como também sociólogos de arte (Hauser, Duvignaud, Lucien Goldmann).”

“Ao deslocarem o eixo analítico da produção para a recepção, os teóricos de Constança grifaram a função da leitura sob dois aspectos: a de horizonte de expectativa (que soma os códigos, preceitos, experiências sociais diversas e comportamento instituído pelos hábitos) e o de emancipação (a finalidade e o efeito propostos pela arte, liberando a fruição e articulando um novo universo sensorial). Ou seja, circunscrevem a pluralidade de instâncias subjacentes às poiesis, aisthesis e katharsis, três fases concomitantes da experiência estética que levam à apreensão da obra. Mesmo propostas estéticas que almejam o distanciamento, o estranhamento, a ironia (como o dadaísmo, o surrealismo ou Brecht) necessitam partir, no plano da experiência, de uma identificação inicial.”

“Atuando concomitantemente e podendo reverberar ao longo do tempo, as três instâncias da experiência estética são subjetivas e intersubjetivas, não obedecendo a uma hierarquia de camadas ou importância e implicando numa relação de autonomia uma em relação às demais, apresentando-se sequenciais ou não. Elas dizem respeito quer ao criador quanto ao destinatário, variando os ângulos de suas apreensões em função desse posicionamento.”

“No bojo desse intenso movimento de revisão das relações entre obra e leitor/espectador, avolumaram-se as preocupações em torno da decifração, da interpretação, da contextualização de informações delas emanadas. Ficou claro que a tarefa era complexa e que o entrelaçamento de várias operações era indispensável para dimensionar o problema, na busca de superar o velho e insuficiente esquema proposto pela comunicação.”

COMENTÁRIO

O texto fala mais da formação do espectador e da poiesis, aisthesis e katharsis. Não me agradou esse texto, ele não é de fácil entendimento o que dificultou minha leitura, portanto meu comentário também será prejudicado. A poiesis, aisthesis e katharsis são métodos investigativos que foram criados a partir de eixos. Eixos que dizem, por exemplo, que a arte vive e revive através das leituras ao longo do tempo e essas leituras acabam atualizando as obras de arte. Dizem que Existe um Horizonte de expectativas em torno das obras de arte, e essa expectativa na maioria das vezes é em busca do novo, de algo que desestabilize a relação já existente. Com o tempo objetiva-se esse percurso observando as reações de público e o que a crítica diz em relação às obras mostradas. Ou seja, a obra de arte dialoga com o tempo a partir da relação artista/espectador.

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