Comentário Geral
A voz como base da comunicação humana, é lançada na obra de Paul Zumthor como uma forma de apreensão de conhecimentos através da via sensível. A obra sugere aos leitores um diálogo entre a oralidade e a escrita, o que os estimula à uma apreensão mais livre das amarras e regras literárias de outros tempos. O autor faz uma abordagem sobre a Performance e a Leitura, respectivamentes entendidas como uma via de recepção coletiva e uma via de recepção individual.A Performance, segundo o autor, caracteriza-se como uma forma eficaz de comunicação poética, já a Literatura exercida pelo homem ocidental,caracteriza-se como uma forma de comunicação silenciosa.
“Os meios eletrônicos, auditivos e audiovisuais são comparáveis à escrita por três de seus aspectos:
1. Abolem a presença de quem traz a voz;
2. Mas também saem do puro presente cronológico, porque a voz que transmitem é reiterável, indefinidamente, de modo idêntico;
3. Pela sequência de manipulações que os sistemas de registro permitem hoje, os mídiatendem a apagar as referências espaciais da voz viva: o espaço em que se desenrola a voz midiatizada torna-se ou pode tornar-se um espaço artificialmente composto.” (p.17)
“Estou particularmente convencido de que a idéia de performance deveria ser amplamente estendida; ela deveria englobar o conjuntos de fatos que compreende, hoje em dia, a palavra recepção, mas relaciono-a ao momento decisivo em que todos os elementos cristalizam em uma e para uma recepção sensorial – um engajamento do corpo.” (p.22)
“(...) O autor, sujeito produtor do texto, cai sob o fogo cruzado dos projetores; o leitor, a quem não se nega a qualidade de sujeito da recepção, fica na penumbra. (...)” (p. 25)
“[...] tratando-se da presença corporal do leitor de “literatura”, interrogo-me sobre o funcionamento, as modalidades e o efeito (em nível individual) das transmissões orais da poesia. ” (p.31)
“Recorrer à noção de performance implica então a necessidade de reintroduzir a consideração do corpo no estudo da obra. Ora, o corpo (que existe enquanto relação, a cada momento recriado, do eu ao seu ser físico) é da ordem do indizivelmente pessoal.” (p.45)
“(...) não somente o conhecimento se faz pelo corpo mas ele é, em seu princípio, conhecimento do corpo. (...)Antepredicativo (...) se trata de uma acumulação de conhecimentos que são da ordem da sensação (...) uma memória do corpo.” (p. 91-92)
“Nesse sentido não se pode duvidar de que estejamos hoje no linear de uma nova era da oralidade, sem dúvida muito diferente do que foi a oralidade tradicional; no seio de uma cultura no qual a voz, em sua qualidade de emanação do corpo, é um motor essencial da energia coletiva.” (p. 73)
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