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quinta-feira, 17 de março de 2011


Por: Maria Gabriela Sena de Lima
*FICHAMENTO DO ARTIGO
O espaço da pedagogia na investigação da recepção do espetáculo
Autor: Biange Cabral
“A dificuldade da interação entre produção e recepção reside tanto em receber a crítica quanto em realizá-la. O aspecto sensível que envolve a relação entre o artista e a avaliação de seu trabalho não se restringe ao teatro profissional – está presente na sala de aula, quer em disciplinas práticas ou teóricas. Existe uma similaridade entre as questões postas a formação do espectador e à avaliação do desempenho do aluno.”
“Professor e diretor são ambos mediadores, entre a produção e a recepção do espetáculo. Mas, para que haja mediação é necessário explicitar a concepção de ensino do trabalho a ser desenvolvido em parceria, o que implica considerar a dimensão estética e política do processo ou produto em foco.”
“É esta concepção do espetáculo ou da investigação cênica que pode ficar explícita através de um questionário, e permitir que sejam identificadas formas distintas de percepção dos mesmos.”
“Hoje é possível observar um crescente interesse pela recepção, como parte da tendência das ciências humanas de privilegiar a auto-reflexão e reconhecer a relevância do contexto. Em termos pedagógicos isto representa uma maneira segura para focalizar as respostas individuais em trabalhos de grupo: a percepção individualizada do aluno; a proteção que o foco na leitura oferece ao envolvimento emocional com a ação dramática; o espaço do contexto na interpretação.”
“De acordo com Eco, ‘o viés ideológico do leitor virá à tona, e irá ajudar a desnudar ou ignorar a estrutura ideológica do texto’ (Eco, 1979, p. 22)”
“A maioria dos desempenhos pobres no ensino de teatro se relaciona com a carência de informações – as referências se esgotam, os alunos passam a se repetir, ou desistem de participar.”
“O mesmo acontece com relação à recepção; para ler a cena, os espectadores precisam perceber o contexto e as circunstâncias em que ela ocorre. Além disso, há outra interferência na percepção e fruição artística – ambas dependem também do gosto e experiências pessoais. Assim sendo, a formação do espectador requer que sejam ouvidas as percepções individuais e evitadas as interpretações por parte tanto dos alunos quanto do professor.”
“Considerar a recepção e a interpretação como processos baseados em valores estéticos e políticos, traz conseqüências importantes para a formação do espectador, uma vez que não se pode mais alegar uma natureza a-histórica do conhecimento, nem contar com um modelo fixo a ser seguido para valorizar algo.”
“Em segundo lugar, os atores, formandos de uma licenciatura em Artes Cênicas, foram unânimes na constatação de que o questionário os fez perceber a extensão do trabalho realizado, em termos da identificação dos elementos trabalhados.”
“Para Hans-Robert Jauss, a comunicação literária só conserva o caráter de uma experiência estética se mantiver o caráter do prazer. O prazer por meio da experiência estética permeia um acontecimento que deve provocar um deslumbramento, tirando o contemplador da percepção automatizada ou habitual do cotidiano à dimensão estética.”
“Na fronteira entre a pedagogia e o teatro, o estudo da recepção permite explorar formas de inserir o espectador no espaço espetacular e incluir sua voz na construção da narrativa teatral. Uma investigação em processo aponta tanto para uma avaliação diagnóstica quanto para um planejamento que promova travessias estéticas, pedagógicas e teóricas.”
*FICHAMENTO DO ARTIGO
Redefinições nos estudos de recepção/Relação Teatral
Autor: Clóvis Massa
“Como havia ocorrido com a historiografia literária uma década antes, ainda nos anos oitenta os estudos teatrais passaram a enfocar os processos de recepção. Não demorou muito para a semiótica eleger o texto espetacular como seu principal objeto de estudo, em detrimento da ultrapassada visão de espetáculo, que nunca dera conta da atividade do público. Posteriormente, a noção abstrata e teórica de um espectador idealmente pensado foi substituída por um espectador de carne e osso.”
“Nas últimas décadas, a idéia de público enquanto entidade sociológica abstrata e homogênea cedeu lugar à noção antropológica de espectador. Entretanto, os lineamentos desta nova teatrologia devem pressupor a experiência estética não apenas como ‘trabalho do espectador’, mas considerá-lo em seu caráter coletivo e plural.”
“Por meio do desvio entre texto e cena (leitura do contexto social de ontem e do contexto de hoje), a encenação dispõe o texto em busca de enunciadores cênicos que, reunidos pela encenação, produzem um texto espetacular global, dentro do qual o texto dramático adquire sentido particular: ‘Mais do que um texto (cênico) junto ao texto dramático, o metatexto é o que organiza, desde o interior, a concretização cênica, o que não está junto ao texto dramático, mas, de alguma forma, em seu interior, como resultante do circuito entre significante, contexto social e significado do texto (Pavis, 1998, p. 100)”
“O segundo tipo de pesquisa sobre recepção teatral, a que investiga os processos mentais, intelectuais e emotivos do espectador, procura analisar as operações do espectador a partir de uma base coerente de dados experimentais. Contudo apesar da ênfase dos estudos na atividade do espectador, a carência metodológica das investigações é verificada, segundo De Marinis, pela incompreensão de que a competência teatral deve ser ‘entendida como o conjunto de tudo aquilo (atitudes, capacidades, conhecimentos, motivações) que coloca o espectador em condições de compreender (no sentido mais amplo do termo) uma representação teatral’(De Marinis, 1997, p. 79).”
“O modelo de percepção proposto por Marco De Marinis parte da teoria do espectador-implícito para entender como um espetáculo deixa margens de indeterminação que são articuladas pelo ponto de vista do espectador. Para examinar as operações que o espectador realiza no teatro, a partir de uma base coerente de dados, suas noções necessitariam se integrar a uma teoria dos modelos de espectadores, ainda por se realizar.”
“Como a experiência da recepção é individual, mas a relação cena-sala que se produz tal experiência é de caráter coletivo, Miguel Santagada acredita que seja possível ‘investigar os conteúdos da experiência em termos de uma concretização solicitada a vários espectadores de um mesmo espetáculo. E que, em razão de certas influências comuns, dois ou mais espectadores coincidam aproximadamente na descrição que fazem – a instâncias de investigação – do mesmo espetáculo’ (Santagada, 2004, p. 27)”.
Comentário:
Ainda hoje se cria espetáculos para um público sonhado, idealizado pelo autor. Público que segundo o autor se emocionará com sua temática, entenderá o que ele quer dizer, e leve para casa a moral de tudo aquilo que foi visto. Creio que a idealização do público é comum, mas não se pode ser levada tão a sério. As pessoas se identificam com o que vê de acordo com a realidade de cada um, o espetáculo chega para aqueles que estão abertos a isso. Por isso é importante fazer o espetáculo diretamente para o público, com a intenção de que ele realmente compreenda o que foi visto, ou caso não compreenda de fato que ao menos se emocione com as cenas, interaja com o espetáculo, ainda que seja uma interação interna. Os espectadores realmente são de carne e osso, são pessoas que sentem e precisam realmente sentir o que é visto em cena. A recepção é individual, cada espectador vai se comportar e enxergar o espetáculo de acordo com seu horizonte de expectativa chega para cada pessoa de uma maneira diferente, ainda que alguns a descrevam da mesma maneira, a experiência é única e individual, podendo mudar a cada pessoa que vê um espetáculo. É de extrema importância se preocupar com o espectador que assistirá a uma peça teatral, com a estética deste espetáculo, nas idéias-chave do texto para que chegue diretamente em cada um, para que suas experiências sejam identificadas e a partir disto o espectador tenha prazer no que está sendo visto, ocorra o deslumbramento e a identificação se torne mais intensa. É também importante o estudo da recepção em sala de aula, afinal o aluno é também um espectador, e o professor é um mediador dentro da escola. Por isso o estudo da recepção é imprescindível dentro do nosso foco de estudo. Estudar a recepção é saber lidar com as diferentes situações provocadas tanto por alunos de uma escola, quanto por espectadores de um espetáculo.

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