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segunda-feira, 14 de março de 2011

Fichamento 1
Bolsista: Angelo Soares
Data: 14/03/11
Redefinições nos estudos de RecepçãoO espaço da pedagogia na investigação da recepção teatral – Clóvis massa
“Nas Ultimas décadas, a idéia de público enquanto entidade sociológica abstrata e homogênia cedeu lugar à noção antropológica de espectador”
“... cabe distinguir os estudos de recepção em dois tipos: Um diretamente vinculado à estética da recepção, com a intenção de examinar a acolhida de certas obras por um grupo num determinado período; outro, mais desenvolvido pela semiótica teatral, destinado a investigar os processos mentais, intelectuais e emotivos do espectador”
“... o conceito de concretização possibilitou aos teórico da Escola de Constança compreender uma obra a partir de sua interação com o horizonte de expectativas”
“ ... o circuito de concretização à dinâmica cultural em que o trabalho do espectador se realiza, ou seja, ao seu contexto social. Para tanto , propôs a idéia de metatexto, ou seja, o conjunto de textos conhecidos pelo espectador ou pelo espectador ou pelo encenador e utilizados por ambos na leitura do texto”
“Nesse ultimo nível, traz como proposição de análise o modo como a obra se apresenta as espectador, com uma multiplicidade de pontos de vista e de instâncias contraditórias”
“Anne Ubersfeld e Marco De Martins, também procuraram o restabelecimento da dialética entre a produção e recepção e chegam ao mesmo prescindir da primazia do texto dramático.”
“O modelo de percepção proposto por Marco De Martins parte da teoria do espectador-implícito para entender como um espetáculo deixa margens de indeterminação que são articuladas pelo ponto
de vista do espectador.”
“O conjunto de tudo aquilo que coloca o espectador em condições de compreender uma representação teatral (atitudes, capacidades, conhecimentos, motivações) necessita de revisão para não destoar do fenômeno teatral como encontro fundado na presença simultânea de atores e espectadores”
O espaço da pedagogia na investigação da recepção teatral – Beatriz Cabral
“A complexidade da recepção teatral reside na polaridade entre sua dimensão coletiva (um grupo de pessoas assistindo a um espetáculo) e a singularidade das percepções individuais, uma vez que aqui se inter-relacionam distintas áreas do conhecimento: ética, psicologia, sociologia, filosofia (as mais comuns a qualquer processo/produto artístico).”
“ A aproximação das funções do professor e do diretor, na contemporaneidade, reforça a oportunidade de investigar a recepção [...] Professor e diretor são ambos mediadores , entre a produção e a recepção do espetáculo”
“... ao selecionar convenções e signos e ao estabelecer relações co-textuais os atores estão lidando com ambigüidades e oferecendo uma serie de conotações, isto é, sugerindo mais do que é realmente falado ou demonstrado [...] a leitura do espectador será sempre mediada pelo seu ângulo de visão, o qual permite interpretar os signos verbais e visuais, e fazer interferências juntando as novas informações com seu conhecimento anterior”
“A maioria dos desempenhos pobres no ensino de teatro se relaciona com a carência de informações – as referências se esgotam, os alunos passam a se repetir ou desistem de participar”
“O mesmo acontece com a recepção [...] a formação do espectador requer que sejam ouvidas as percepções individuais e evitadas as interpretações por parte tanto dos alunos quanto do professor”
“Esse modo ativo de decodificar convenções e signos se aproxima do desafio e do estimulo proporcionado por um jogo “ O prazer teatral é o prazer do signo” [...] Acima de tudo este prazer deriva da atividade; do envolvimento do espectador na interpretação de uma multiplicidade de signos”
“... o impacto cultural de um espetáculo está relacionado quer com sua ressonância com o contexto social do espectador, quer com a transgressão das formas usuais e/ou cotidianas do uso do espaço e texto.”
“ Se o horizonte de expectativas examina a recepção pela perspectiva do desejo e da visão de mundo do espectador, os vazios do texto (os gaps) apontam para uma apropriação do texto pelo leitor”
“... um trabalho de criação segundo Iser, tem dois pólos: o artístico (o texto) e o estético (a realização do texto pelo leitor) [...] Não podem ser idênticas porque cada texto tem uma parte não escritas, os vazios do texto (seus gaps) que precisam ser preenchidos pelo leitor”
“O papel do professor, alem de identificar um texto aberto para o trabalho em grupo, está também em dirigir a atenção dos participantes para estes vazios do texto”
“... a mudança da autora é causada pelo espaço liminar, cuja indeterminação básica flutua entre o cânone, a leitura e o registro.”
“... o prazer de aprender se associa ao rompimento de barreiras na área do conhecimento”
Abordando a temática da recepção teatral por caminhos diferentes, amos os textos tratam da complexidade da relação artista/espetáculo com a platéia.
Biange Cabral chama a atenção para a entre o vazio no texto (gaps) e o horizonte de expectativas do leitor/receptor. A autora relata ainda uma experiência vivida entre 1997 a 2006 onde através de questionários constatou que o publico se provocado ou estimulado por realidades culturais diferentes tendem a reagir de forma similar há um espetáculo teatral, bem diferente daquelas que concretizam a obra baseando-se somente nas suas experiências.
Abordando problemas parecidos só que com uma carga teórica mais aprofundada nas teorias de recepção, Clóves Massa Aponta para o cuidado que se deve ter ao direcionar uma obra para o publico, que por algum tempo foi entendido como abstrato e homogêneo. Ressalta a importância de se buscar formas para que o espectador tenha condições para compreender o texto de acordo com seu horizonte de expectativas.
Das leitura dos textos, o que mais me chamou a atenção foi a relação entre os vazios do texto e o horizonte de expectativas. Essa linha de raciocínio me proporcionou uma reflexão que muito contribuirá para as minhas futuras montagens, já que as vezes ao apresentar um texto para os meus alunos, acabo por influenciar a montagem com minhas vivências, impossibilitando assim, que meus alunos coloquem em cena a interpretação do texto que condiz com suas realidades.

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