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sexta-feira, 25 de março de 2011

Fichamentos: Flávio Desgranges/Edécio Mostaço

Teatralidade tátil: alterações no ato do espectador
Flávio Desgranges
“... a relação do espectador com o teatro está intimamente relacionada com a maneira, própria a cada época, de ver-sntir-pensar o mundo”
O mergulho no universo ficcional
“o drama surge como critica ao existente, valendo-se de argumentos e soluções formais que mantêm em tensão as naturezas política e poética de seus princípios”
“São colocados em jogo, deste modo, aspectos fundamentais do Iluminismo: a constituição de homens livres, capazes de traçar seus próprios rumos, para além de qualquer submissão política”
“...uma das questões fundamental importância para o drama burguês se afirme está na possibilidade de que personagens pertencentes a essa classe social se tornarem protagonistas das novas peças [...] George Lillo, para defender o ponto de vista dos dramaturgos burgueses, argumenta que o herói trágico não precisa necessariamente ser um nobre, mas um homem com espírito nobre
“Além do que, a ampliação da condição da nobreza do herói pode significar a própria ampliação do alcance do teatro, que não precisa mais se restringir a um pequeno segmento da sociedade, mas pode interessar e atingir um vasto contingente da população”
“A fábula deve servir como um exemplo para a conduta na vida; um exemplo negativo do qual se podem tirar lições”
“A relação do espectador com a cena teatral se vê caracterizada por forte envolvimento emocional, marcada por identificação irrestrita com o protagonista [...] As peripécias do protagonista são cuidadosamente concebidas de maneira a produzirem importantes lições para o público”
“A caracterização psicológica de cada personagem torna-se, a partir de então, fundamental na definição do encadeamento da ação e na sustentação da coerência da trama [...] Se na antiguidade o destino geria as peripécias dos heróis, em tempos iluministas, de constituição de sujeitos livres e de rompimento com a inexorabilidade das determinações divinas, a trajetórias de cada ser humano precisa ser composta por seus próprios atos”
“são os personagens que criam suas próprias ações, que movem por si mesmos a grande máquina”
Antes do primeiro tópico, desgranges afirma que a relação do espectador com a obra sofre alterações de acordo com o pensamento vigente em cada época, em seguida faz uma explanação sobre a situação dramática do século XVIII, onde as tragédias clássicas colocavam apenas os nobres com heróis. Contrapondo essa realidade, o pensamento iluminista vinha apresentando outra linha de pensamento, uma nova forma dramática, onde o herói não precisava ser nobre, mas sim, ter um espírito nobre, capaz de decidir seu futuro. Assim aos burgueses a oportunidade de se tornarem protagonistas em produções teatrais, aumentando o alcance do teatro. Mais adiante é exposto o pensamento que afirmava que através do teatro era possível, através de forte envolvimento emocional, se criar uma reflexão que ajudaria na melhora na qualidade da sociedade, em especial a família.
O ponto chave era a mudança no pensar sobre o destino do herói, agora não é mais o destino que rege o futuro deste, mas, suas escolhas e atitudes durante sua historia.
A explicação do ato estético
“O convite crítico reflexivo feito ao espectador, nesse caso, pode ser compreendido como um retorno freqüente à própria consciência, deslocando-se da pele do herói e reassumindo seu lugar de observador seu ponto de vista, fora d mundo fictício, para, desse lugar que lhe é próprio, elaborar um juízo de valor acerca dos acontecimentos levados á cena”
“As brechas no mecanismo dramático rompem com a ficcionalidade irrestrita e expulsam o espectador da vivência interior da obra, lançando-o de volta à própria consciência, convidando-o a desempenhar um ato propriamente estético, reflexivo.”
“Devo identificar-me com o outro e ver o mundo através de seu sistema de valores, tal como elo o vê; devo colocar-me em seu lugar, e depois voltar ao meu lugar”
“... noção de obra aberta, em que a ambigüidade das opções de linguagem, a multiplicidade de significados que convivem em um mesmo significante, constitui-se em uma das finalidades explícitas da obra, um valor de importância destacada na própria feita ao espectador
O conceito de pensamento critico é o que sustenta a nova fase do drama, o espectador é convidado a sair do mundo fictício e reassumir seu lugar no mundo, tendo assim a possibilidade de estar em um angulo que o permite avaliar a situação e criar seus valores a cerca dos acontecimentos. Para tal fim existem brechas no mecanismo dramático, que trazem o espectador para o seu lugar.
A recepção Tátil
“... a recepção tátil se efetiva de modo inverso ao da recepção contemplativa, pois, ao invés de convidar o espectador a mergulhar na estrutura interna da obra, faz imergir o objeto artístico no espectador, atingindo-o organicamente”
“... conteúdos, ao virem à tona, trazendo imagens do passado, provocam o individuo a se debruçar sobre as situações vividas e a choca os ovos da experiência, fazendo nascer deles o pensamento crítico.”
“Uma compreensão oposta à concepção clássica de um sujeito racional, consciente, soberano, que se vale da memória de maneira voluntária, obediente, pronta para cumprir a única função de registrar classificar e inventar o passado.”
“A falta de lógica a priori estabelecida se relaciona com a noção de uma recepção compreendida como experiência [...] uma produção radicalmente autoral do espectador, que passa a produzir vários elementos de significação, justapondo-os àqueles propostos pelo autor [...] ainda que não façam parte do texto organizado pelo autor, se fazem presentes na leitura do espectador [...] trata-se cada vez menos, nesse caso, de entender o que o autor quis dizer”
Aqui é exposto um pensamento completamente oposto ao que até então existia sobre a recepção de uma obra de arte, Walter Benjamim propõem que ao invés do espectador entrar no mundo da obra, esta por sua vês, nos invada despertando memórias e pensamentos involuntários e esquecido pela nossa psique, quebrando a estereotípico de homem sempre racional. O texto leva a constatação de que pelo desgaste do dia-a-dia acabamos, assim como naquela época, nos “esfriando” para certas áreas de nossos sentimentos, nos tornando operacionais, frios e calculistas.
A inversão receptiva
“No teatro pós-dramático, o que se observa [...] é uma inversão da relação travada entra o espectador e proposta cênica. Se, no princípio estético do drama [...] a constituição do mundo fictício convida o espectador ao mergulho, na teatralidade pós-dramática [...] a recepção opera de modo contrário: o objeto artístico é quem invade o espectador, atingindo o seu intimo”
“Em sua relação com a cena pós-dramática, o espectador não encontra orientação de leitura [...] A frustração marca esse movimento de leitura proposta não dramática, e, ao mesmo tempo, o estimulo á concepção de percursos próprios”
“O espectador não se pergunta “o que isso quer dizer?”, mas sim “o que está acontecendo comigo?””
A concepção pós-dramática trabalha o pensamento de que não há algo fechado em uma obra, tudo pode acontecer entre a obra, partindo de um estimulo dado pelo autor o espectador deve criar a obra de acordo com suas vivencias. Aqui o espectador lê a obra dependendo da forma que esta lhe toca, sem a preocupação com “o que o autor quis dizer”
Uma incursão pela estética da recepção
Edécio Mostaço
“A recepção não é uma dimensão individual, mas um fenômeno coletivo, resultante das manifestações adivindas das interpretações singulares ou grupais”
Uma Virada
“... o eixo da discussão cultural, deixando de privilegiar o autor e seu universo para ressaltar o processo interativo que se estabelece entre a obra, o leitor e o fundo social circundante”.
“...o prazer enfatizava a materialidade sensível do processo artístico, as constituintes intrísicas à arte que, irredutíveis quando da experiência estética, reverberam sobre o corpo do leitor/espectador”
Polemicas e aproximações
“O objeto de arte, tal como qualquer outro produto, cria um publico capaz de compreender a arte e de apreciar a beleza. Portanto, a produção não cria somente um objeto para o sujeito, mas também um sujeito para o objeto”
“Além da fenomenologia e da hermenêutica proposta por Gadamer [...] teoria de Paul Valéry, exposta num estudo sobre Leonardo da Vinci [...] Estética poética [...] (ver pelo intelecto) daquele propiciando pela arte (ver pelos olhos), abrindo-se para o campo da experiência.
Arte como fazer e receber
“A estética da recepção parte do pressuposto de que a arte é um fazer, uma construção, como tal, infunde uma dada relação com o leitor/espectador.”
“... arte como constrição, como procedimento, como estranhamento, paródia (enquanto desautoração) uma vez que implicam na relação estabelecida com o leito/espectador.”
“...o conceito de concretização - cota de participação do leitor ao conferir significados ás indeterminações da escritura [...] essencial na estância comunicativa engendrada pela obra”
“Ao desolarem o eixo analitico da produção para a recepção, os teóricos de Constança grifaram a função da leitura sob os aspectos: a de horizonte de expectativas [...] e o da emancipação [...] Mesmo propostas estéticas que almejam o distanciamento, o estranhamento, a ironia (como o dadaísmo, o surrealismo ou Brecht) necessitam partir, no palco da experiência, de uma identificação inicial.”

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