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sexta-feira, 18 de março de 2011

Fichamento Recepção

Heyder Stephano de Oliveira Moura

FICHAMENTO

CABRAL,Biange. O espaço da pedagogia na investigação da recepção do espetáculo.

Pg.1 Pr.1.

A complexidade da recepção teatral reside na polaridade entre sua dimensão coletiva (um grupo de pessoas assistindo a um espetáculo)e a singularidade das percepções individuais,uma vez que aqui se inte-relacionam distintas áreas do conhecimento.

Acredito que de certa maneira uma das principais problemáticas encontradas no estudo da recepção teatral se deva ao fato de que ela possui diferentes abordagens conceituais e metodológicas que implicam perspectivas diferenciadas acerca da recepção do leitor-espectador.O que de certa forma ratifica a idéia de Clovis Massa ao dizer que os escritos sobre recepção permanecem mais defendidas do que desenvolvidas,ou seja as relações produzidas por diferentes áreas de conhecimento acerca do acontecimento teatral,permanecem complexificando os estudos sobre recepção,gerando por um lado o desenvolvimento de possibilidades metodológicas,ao passo que também produz a necessidade de um recorte contextual para a investigação mais delimitada do campo de observação.E essa delimitação corresponde a uma realidade especifica,dentro de um assunto/ tema amplo e complexo.

Pg.1 Pr.2

O aspecto sensível que envolve a relação entre o artista e a avaliação do seu trabalho não se restringe o teatro profissional. Existe uma similaridade entre as questões posta à formação do espectador e a avaliação do desempenho do aluno.

Este aspecto dos estudos de recepção teatral,é bastante significativo para praticas metodológicas pedagógicas,pois levanta questões acerca da autonomia do educando-espectador-leitor,possibilitando o desenvolvimento,quer por mediação ,de um posicionamento mais critico,reflexivo e democrático tanto por parte dos educadores,quanto por parte do educandos.

Pg.1 Pr.5

Professor e diretor são ambos mediadores, entre a produção e a recepção do espetáculo.

O que de certa forma ratifica as proposições pedagógicas-ideológicas desenvolvidas e defendidas tanto por Paulo Freire em sua pedagogia libertadora quanto por Brecht em suas experiências com o teatro didático e dialético,que consideram o papel social do artista/educador como uma ação prioritariamente política.

Pg.2 Pr.1

Hoje em dia é possível um crescente interesse pela recepção,como parte da tendência das ciências humanas de privilegiar a auto-reflexão e reconhecer a relevância do texto.

Pg.2 Pr.2

O foco na recepção emergiu como uma reação contra o papel exclusivo do texto no processo de construção de significados em arte.

É possivel observar que proposições artísticas que ganharam foco no decorrer do século XX,como o teatro experimental e a performance,repensam o papel do texto na produção da ação artística,em ambos os casos percebe-se uma autonomia em relação ao discurso do artista criador,ressignificando o texto,utilizando-o como elemento pré-textual,intertextual,tradução intersemiótica, desfocando a primazia do texto como obra acabada,fechada,levantando também questões acerca do papel do leitor-espectador como agente criador,critico.Possibilitando ainda um espaço autônomo, democrático e político.

Pg.2 Pr.3

Apesar das diferenças entre seus métodos de investigação,as teorias de Responsividade,e da Psicologia Cognitiva compartilham dois princípios que são particularmente importantes para a área da pedagogia em teatro.

Em ambos os casos afirmam que o entendimento ocorre no momento do engajamento do leitor com o texto,ou seja na sua participação na fruição da obra,que por sua vez produz interferências,pois se relaciona com o seu gosto e experiências pessoais.Acredito que uma experiência estética ocorra também em um nível sensorial,abstrato,simbólico sem que haja necessariamente um engajamento do leitor,no sentido mais racionalizado de observação.Ou seja este engajamento pode ocorrer de forma sensível.

Pg.2 Pr.4

Umberto Eco argumenta que ao selecionar convenções e signos e ao estabelecer relações co-textuais os atores estão lidando com ambigüidades e oferecendo uma serie de conotações,isto é,sugerindo mais do que é falado ou demonstrado.

No campo da arte,acredito que essa possibilidade de lidar com ambigüidades e propor conotações sugere um espaço criativo bastante produtivo e significativo em arte,pois permite a possibilidade de pensar,criar estratégias,posicionamentos,que não estão estabelecidos por uma perspectiva cristalizada ideologicamente,onde não há espaço para o absoluto.É um espaço de constante criação e interação poética.Na área pedagógica percebe-se muitas vezes a supremacia do pensamento cientifico na formação cognitiva dos indivíduos,isto é aquilo que é a partir de uma comprovação exata das coisas,aspecto que em algumas experiências considero arrogante e mesmo absurda,mas que por outro lado pode ser bastante produtivo quando propicia um espaço onde a ciência se faz como um mecanismo que apresente possibilidades de interação individuo – coletivo,singular – plural,pois aquilo que esta nos “entre” poderá ser uma lacuna de possíveis pontos de vista, que somente será preenchida pelas vivências psicoficas de cada sujeito em particular.

Pg.3 Pr.1

A maioria dos desempenhos pobre no ensino de teatro se relaciona com a carência de informações.

Isso se deve tanto ao fato de que no ensino a informação é vista como aquilo que Freire falou sobre a “educação bancária”,e neste sentido não é só a carência de informação que faz o ensino pobre, mas sim a forma como ela é desenvolvida,por outro lado as informações só

serão significativas se tiverem algum sentido na experiência de quem a vivência,no entanto penso que o problema é realmente de que forma é proposto essa relação do ensino (teatro) com a carência das informações e as coisas que circundam o fazer educacional.

Pg.3 Pr.3

Considerar a recepção e a interpretação como processos baseados em valores estéticos e políticos,traz conseqüências importantes para a formação do espectador.

Pg.2 Pr.5

Susan Bennet acentua que é no teatro de oposição pós-brechtiano que a platéia atingiu um papel gradualmente mais produtivo.

Pg.3 Pr.2

A partir do ano 2002 um projeto de pesquisa sobre teatro em comunidade passou a usar um questionário.O questionário foi visto como uma possibilidade de pontuar os aspectos da estética teatral priorizados na encenação,delimitando assim o campo de observação.

Sobre essa questão penso que a proposição de um questionário ao passo que favorece os estudos em termos de delimitação e orientação,por outro lado a possibilidade de criação do espectador é afetada,e mesmo influenciada pelo questionário,o que acredito não ser uma solução produtiva em termos de criação.Essa solução de certa maneira propõe também a verificação de informações em comum entre os espectadores, no entanto essa idéia é muito instável pois como esclarece Clovis Massa no texto Redefinições nos estudos de recepção/relação teatral: “Uma teoria dos modelos de espectadores ainda está por se realizar.”

Pg.3 Pr.6

Ao mediar a interação do espectador com a cena através de um questionário que represente uma cartografia do campo a ser investigado,o professor/diretor esta por um lado,observando o que foi mais significativo para um determinado grupo de espectadores, e por outro lado,ampliando o significado da cena ao redirecionar o olhar dos espectadores.

O questionário nesse sentido deve ser então entendido como uma ferramenta de produção de conhecimento em teatro,e assim sendo penso que a mediação é uma proposta metodológica capaz de gerar reflexão sobre aspectos que transcedam o questionário,possibilitando a problematização do acontecimento teatral e os elementos que o compõem.

Pg.4 Pr.2

Para Hans-Robert Jauss, a comunicação literária só conserva o caráter de uma experiência estética se mantiver o caráter do prazer.

Pg.4 Pr.3

Os vazios do texto (os gaps) apontam para a apropriação do texto pelo leitor.

A noção de vazio do texto permite pensar o ensino no contexto contemporâneo,como prática democrática.O meu questionamento são esses gaps são apenas de ordem intencional do autor

da obra o que permite o acesso do leitor-espectador-educando que dialoga/relaciona com outras informações adquiridas durante o seu processo de desenvolvimento indiviual,ou se eles fazem parte também de uma elaboração imaginária e criativa produzidas pelo receptor de uma obra artística.

Pg.4 Pr.6

Henri Giroux introduz a noção do professor como intelectual para propor uma perspectiva pedagógica centrada na democratização do ensino.

A autora não desenvolve a idéia de professor como intelectual,mas acredito que propõe propostas pedagógicas que são abordadas por diversos pensadores do teatro e da educação no século XX, e neste sentido Grotowski,Barba,Brecht,Broock,Morrin,Freire,Boal expressam o desenvolvimento do individuo como um processo que é mediado,afim de as potencialidades,habilidades,formação critica-reflexiva e autonomia possam ser conquistadas. No entanto penso que o termo professor como intelectual é um termo pomposo para expressar o papel social de um professor critico,de um educador-mediador que propõe na sala de aula uma ação-reflexão politizada,cidadã.

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