Disposição do palco/platéia ao longo da história: lugar e papel do espectador.
Autor: Luiz Claudio Cajaiba Soares
“A mudanças arquitetônicas
dos espaços destinados ás encenações teatrais, especialmente no que se refere
aos palcos e ás plateias, que tiveram inicio com as encenações de tragédias e
comedias gregas continuam se desenvolvendo e se modificando até hoje. A estrutura das artes cênicas,
desenvolvida pelos gregos, determina os princípios básicos da relação espetáculo/
espectador que vigorem até hoje,
principalmente no que se refere á arquitetura teatral[...]”. (pag. 1).
“ Algo nestes teatros até hoje chama atenção e impressiona
a vários arquitetos, historiadores e profissionais de teatro: sua perfeita acústica.
Em locais estratégicos construído, que possibilita ao espectador escutar
cada palavra, mesmo que sussurrada, em qualquer lugar onde se encontrasse,
estes teatros já nasceram, especialmente por estes aspectos, envolvidos em
grande respeito ao público [...]”. (pag. 1).
“As transformações promovidas pelo teatro romano já vinham
carregadas de aproximações na relação palco/plateia e já denunciava o grau de
sedução e provocação que um exercia sobre o outro e vice-versa [...]”. (pag. 2).
“Á busca pelo paraíso perdido, pela remissão dos pecados, a
ameaça de queimar no inferno, entre outras razões, unificavam público e
plateia, através da fé e do medo[...]”. (pag. 2).
“Em Paris, 1581, o palco construído para representação do
Ballet comique de la Reine... foi concebido de forma retangular ... Também
com lugares especiais destinados á nobreza, o publico comum era mantido a certa
distância ... [...]”. (pag. 3).
“[...] para os espectadores assistir ao que e se passava em
cena era tão importante quanto assistir a sua própria participação, a sua própria
reação [...]”. (pag. 4).
“O teatro profissional da Europa viveu, através desta
disposição polar de palco plateia, uma ruptura e uma reestruturação de
procedimentos éticos e políticos, ao tempo em que influenciava fortemente o
repertorio e a forma de representação [...]”. (pag. 4).
“Tamanha forma de ação/reação de espectadores só é
identificada, na história do teatro, no período elisabetano. [...]”. (pag. 4).
“ Mas o “palco italiano” como hoje é conhecido, não
tardaria a aparecer: Sua estrutura já vinha se esboçando através da disposição
de confrontação, mas só se consolida na era barroca. [...]”. (pag. 4).
“Dando continuidade a também predominante separação
hierárquica, a participação do publico na representação da vida dos heróis, da
nobreza representada nas tragédias e comedias, passou a ser praticamente regida
pelos nobres presentes a bem acomodados em seus privilegiados camarotes à
frente e nos proscênios laterais [...]”. (pag. 4).
“ O palco de grande profundidade e largura permite a
presença de até mil atores em cena e a troca de cinco cenários, como é descrito nos registro da
encenação da ópera Porno d’Oro, de
Cesti, com decoração de Burnacini que inaugurou o teatro[...]”. (pag.4 ).
“Esta distância entre palco e plateia, que era comum em
outras construções da época, foi apelidado por alguns historiadores de “terra
de ninguém “ . O apelido se refere também à disputa quase bélica travada entre
os espectadores no momento de escolha dos assentos. [...]”. (pag. 4).
“Além disso, a construção de teatros com menor capacidade
de público imprime uma atmosfera mais intimista e, em alguns teatros
particulares, se restabelece aproximadamente entre palco e plateia, outrora pratica
como nesta visão de um teatro espanhol, da metade do século XVIII. [...]”.
(pag. 4).
“O público vai retomando assim a sua participação: volta a
se manifestar com entusiasmo durante e após as representações; conquista preços
menores para os ingressos através das reivindicações; passa a eleger
determinados interprete privilegiando suas apresentações; enfim, impõe com
autonomia seus desejos[...]”. (pag. 4 e 5).
“O desejo de oferecer melhores condições aos espectadores
foi ganhando espaço entre vários encenadores da época [...]”. (pag. 6).
“Muitos desses projetos não foram concretizados por falta
de recursos. Porém, os projetos arquitetônicos revelavam um espirito extremamente
inquieto e a vontade de “reanimar” o espectador [...]”. (pag. 6).
“Hoje são inumeráveis os locais onde se apresentam as
diferentes encenações e consequentemente, os diferentes modos de recepção [...]”.
(pag. 6).
“A relação espetáculo/espectador no teatro segue sempre
recheado de inovações. E assim como reflete os acontecimentos mais remotos,
deixa-se também seduzir pelas demandas da contemporaneidade. [...]”. (pag. 6).
Comentário:
O texto fala dos primeiros projetos arquitetônicos de teatro
que chamam atenção até os dias de hoje e como esses espaços influenciam o público,
sendo que foi o desenvolvimento da estrutura grega que determinou princípios básicos
da relação espetáculo/ espectador que temos hoje. Aponta também as principais
modificações no palco romano em comparação aos palcos gregos, deixando
explicito a separação extrema que existia nos teatros entre ricos e pobres na
Roma, porém evidência o desejo de oferecer melhores condições aos espectadores
ganhando espaço entre vários encenadores da época.
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