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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Uma inclusão pela estética da recepção.


Uma inclusão pela estética da recepção.
Edélcio Mostaço
A recepção não é uma dimensão individual, mas um fenômeno coletivo resultante das manifestações advindas das interpretações singulares ou grupais, dimensionada através das práticas de leitura e agenciamentos históricos efetuados  sobre textos e autores.
[...] através de um cruzamento de preocupações voltadas à decifrações e à composições quer do texto quanto do espetáculo, deixando em segundo plano a mirada hisrotica que as dimensionam em seu meio.
Uma virada
Ao emergir, em sua fase heroica, a estética da recepção provocou vários abalos, especialmente por deslocar o eixo da discussão cultural, deixando de privilegiar o autor e seu universo para ressaltar o processo interativo que se estabelece entre a obra, o leitor e o fundo social circundante.
[...]Já apontado por Jauss anteriormente, o parazer enfatizava a materialidade sensível do processo artístico, as constituições intrínsecas à arte que, irredutíveis quando da experiência estética reverberam sobre o corpo do leitor/espectador.
O pós-estuturalismo, o descontrucionismo , as novas plataformas intelectual mundial foram encorajadas, a partir dos anos 1980, pela estética da recepção, infundindo cores e acentos diversos à visada analítica, consonantes com sua natureza múltipla e pluralista.
Após associar o cultivo do gozo, do prazer e das emoções ao desenvolvimento exploratório como promovido pela  indústria cultural e daí à necessidade de seu exorcismo por intermédio da negatividade.
[...] “o objetivo de arte, tal como  qualquer outro produto, cria um publico capaz de compreender a arte e de apreciar a beleza. Portanto, a produção não cria somente um objeto para o sujeito, mas também um sujeito para o objeto”.
Arte como fazer e receber.
Alguns conceitos formulados por tais autores são especialmente invocados, como o da arte como construção, como procedimento, como estranhamento, paródia (enquanto desautomação) , uma vez que implicam na relação estabelecida com o leitor/espectador.
Mesmo proposta estética que almejam o distanciamento, estranhamento, a ironia (como o dadaísmo, o surrealismo ou Brecht) necessitam, partir, no plano da experiência, de uma identificação inicial.
Na acepção grega de fazer, a poiesis   implica no prazer que sentimos como realizadores da obra, enquanto instancia de instalação e apropriação do mundo exterior.
[...] experimentar é entrar em certa relação com o sensível, fazer-lhe justiça, toma-lo deixando-se possuir. Ora, o sensível que entra em comunhão com o sentimento, não é somente o da obra; é também o que Merleau-Ponty chama de ‘a carne do mundo’.
[...]”a função comunicativa da experiência estética não é necessariamente mediada pela função catártica. Também pode decorrer da aisthesis, quando o observador, no ato contemplativo renovante  de sua percepção, compreende o percebido com uma informação acerca do mundo do outro ou quando, a partir do juízo estético, se apropria de uma norma de ação.
Apreender ou interpretar.
Os Estudos Culturais foram grandemente fortalecidos quanto à analise do real. Mesmo assim, continuamos tateando no que diz respeito à natureza e complexidade da linguagem cênica e ao conjunto de fenômenos desencadeados junto ao espectador quando da experiência estética no plano espetacular, no sentido de fixar como funciona a competência especifica do saber teatral.
[...] a recepção, na atualidade, diz respeito a um sem numero de agradecimentos no vasto território da cena, apresentado subsídios quer para a pedagogia quer para a historia, quer para a sóciosemiotica que para a analise dos discursos, fomentado plataformas que estão alegrando os estudos teatrais.

Comentário:
O texto de Edélcio Mostaço; Uma inclusão pela estética da recepção. Nos remete a analisar as questões relativas aos sentimentos provocados pela obra que dependem sempre de um contexto e eles são mutáveis, em função das circunstâncias de leitura. Fica claro em seu tento que a estética da recepção parte do pressuposto de que a arte é um fazer, uma construção e, como tal, infunde uma dada relação com o leitor/espectador.


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