Uma inclusão pela estética da recepção.
Edélcio Mostaço
A
recepção não é uma dimensão individual, mas um fenômeno coletivo resultante das
manifestações advindas das interpretações singulares ou grupais, dimensionada
através das práticas de leitura e agenciamentos históricos efetuados sobre textos e autores.
[...]
através de um cruzamento de preocupações voltadas à decifrações e à composições
quer do texto quanto do espetáculo, deixando em segundo plano a mirada
hisrotica que as dimensionam em seu meio.
Uma
virada
Ao emergir,
em sua fase heroica, a estética da recepção provocou vários abalos,
especialmente por deslocar o eixo da discussão cultural, deixando de
privilegiar o autor e seu universo para ressaltar o processo interativo que se
estabelece entre a obra, o leitor e o fundo social circundante.
[...]Já
apontado por Jauss anteriormente, o parazer enfatizava a materialidade sensível
do processo artístico, as constituições intrínsecas à arte que, irredutíveis
quando da experiência estética reverberam sobre o corpo do leitor/espectador.
O
pós-estuturalismo, o descontrucionismo , as novas plataformas intelectual
mundial foram encorajadas, a partir dos anos 1980, pela estética da recepção,
infundindo cores e acentos diversos à visada analítica, consonantes com sua
natureza múltipla e pluralista.
Após
associar o cultivo do gozo, do prazer e das emoções ao desenvolvimento
exploratório como promovido pela
indústria cultural e daí à necessidade de seu exorcismo por intermédio
da negatividade.
[...]
“o objetivo de arte, tal como qualquer
outro produto, cria um publico capaz de compreender a arte e de apreciar a
beleza. Portanto, a produção não cria somente um objeto para o sujeito, mas
também um sujeito para o objeto”.
Arte
como fazer e receber.
Alguns
conceitos formulados por tais autores são especialmente invocados, como o da
arte como construção, como procedimento, como estranhamento, paródia (enquanto
desautomação) , uma vez que implicam na relação estabelecida com o
leitor/espectador.
Mesmo
proposta estética que almejam o distanciamento, estranhamento, a ironia (como o
dadaísmo, o surrealismo ou Brecht) necessitam, partir, no plano da experiência,
de uma identificação inicial.
Na
acepção grega de fazer, a poiesis implica
no prazer que sentimos como realizadores da obra, enquanto instancia de
instalação e apropriação do mundo exterior.
[...]
experimentar é entrar em certa relação com o sensível, fazer-lhe justiça,
toma-lo deixando-se possuir. Ora, o sensível que entra em comunhão com o
sentimento, não é somente o da obra; é também o que Merleau-Ponty chama de ‘a
carne do mundo’.
[...]”a
função comunicativa da experiência estética não é necessariamente mediada pela
função catártica. Também pode decorrer da aisthesis,
quando o observador, no ato contemplativo renovante de sua percepção, compreende o percebido com
uma informação acerca do mundo do outro ou quando, a partir do juízo estético,
se apropria de uma norma de ação.
Apreender
ou interpretar.
Os
Estudos Culturais foram grandemente fortalecidos quanto à analise do real.
Mesmo assim, continuamos tateando no que diz respeito à natureza e complexidade
da linguagem cênica e ao conjunto de fenômenos desencadeados junto ao
espectador quando da experiência estética no plano espetacular, no sentido de fixar
como funciona a competência especifica do saber
teatral.
[...]
a recepção, na atualidade, diz respeito a um sem numero de agradecimentos no
vasto território da cena, apresentado subsídios quer para a pedagogia quer para
a historia, quer para a sóciosemiotica que para a analise dos discursos,
fomentado plataformas que estão alegrando os estudos teatrais.
Comentário:
O
texto de Edélcio Mostaço; Uma inclusão pela estética da recepção. Nos remete a
analisar as questões relativas aos sentimentos provocados pela obra que
dependem sempre de um contexto e eles são mutáveis, em função das
circunstâncias de leitura. Fica claro em seu tento que a estética da recepção
parte do pressuposto de que a arte é um fazer, uma construção e, como tal,
infunde uma dada relação com o leitor/espectador.
.
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