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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Redefinições nos estudos de Recepção/Relação Teatral – Clóvis Massa


Redefinições nos estudos de Recepção/Relação Teatral – Clóvis Massa

“Apesar do considerável avanço efetuado nos últimos tempos pelos estudos teatrais, as perspectivas nos escritos sobre recepção permanecem mais definidas do que desenvolvidas. Após reviravolta epistemológica que reverteu a perspectiva tradicional [...] certos ajustes conceituais se faziam necessários. Ao menos no campo teatral, recepção e concretização, enquanto termos empregados pelas teorias da recepção mostraram-se inapropriados para os princípios de origem aos quais se vinculavam. O vocábulo recepção [...] parecia contradizer a atividade produtiva do espectador [...] em seu processo de apreensão, ele não apenas “recebe”, mas é co-responsável pelos sentidos da obra. Concretização, por sua vez, deixou simplesmente de corresponder ao processo de interpretação do leitor, e precisou se diferenciada da concretização cênica, realizada pelos produtores do espetáculo.” (p.01, l.01-22).

“Em busca de uma teoria específica da recepção teatral, outra mudança de rumo se tornou urgente: ainda distante das investigações empíricas sobre espectadores vislumbrarem conclusões relevantes, as particularidades da arte teatral exigiram novo objeto de análise, desta vez concebido a partir da estética da produção e da recepção.” (p.01, l.45-52).

“[...] os lineamentos desta nova teatrologia devem pressupor a experiência estética não apenas como ‘trabalho do espectador’, mas considera-la em seu caráter coletivo e plural.” (p.02, l.07-11).

“[...] conceitos como concretização e experiência estética adquirem novos sentidos conforme a tônica da abordagem. Teatralidade, acontecimento e convívio são apropriados com a finalidade de solucionar essa carência [...] cabe distinguir os estudos de recepção em dois tipos: um diretamente vinculado à estética da recepção [...] outro, mais desenvolvido pela semiótica teatral.” (p.02, l.18-29).

“No primeiro deles, a teoria da concretização teve forte influência.” (p.02, l.32-33).

“Pelo viés da estética de produção e recepção teatral, Patrice Pavis vinculou o circuito de concretização à dinâmica cultural em que o trabalho do espectador se realiza [...] Para tanto, propôs a ideia de metatexto, ou seja, o conjunto de textos conhecidos pelo espectador ou pelo encenador e utilizados por ambos para leitura do texto. Para ele, a confrontação entre metatexto (ou discurso) do diretor e o metatexto do espectador – nem sempre coincidentes – forma a concretização da encenação.” (p. 02, l.62-74).

“Estudos posteriores de Patrice Pavis seguem o mesmo enfoque produtivo-receptivo e se mostram com mais possibilidades de aplicação em estudos empíricos.” (p.03, l.16-19).

“Outros trabalhos [...] também procuraram o restabelecimento da dialética entre produção e recepção e chegam mesmo a prescindir da primazia do texto dramático.” (p.03, l.23-27).

“O segundo tipo de pesquisa sobre recepção teatral, a que investiga os processos mentais, intelectuais e emotivos do espectador, procura analisar as operações do espectador a partir de uma base coerente de dados experimentais”. (p.03, l.38-42).

“Com base na reformulação acerca da experiência estética [...] a noção de concretização adquire caráter mais pragmático em pesquisas de campo.” (p.04, l. 18-22).

“[...] o conjunto de tudo aquilo que coloca o espectador em condições de compreender uma representação teatral [...] necessita de revisão para não destoar do fenômeno teatral como encontro fundado na presença simultânea de atores e espectadores, sob o risco da competência teatral passar ao largo da experiência coletiva.” (p.04, l.74-82).

“Cabe também destacar os esforços [...] para o desenvolvimento do Teatro Comparado, disciplina que considera o teatro como sendo constituído pela instauração de três tipos de acontecimentos: o convivial, pela instituição ancestral do convívio, da reunião; o poético ou de linguagem, a partir de processos de semiotização, ficção, referência e função estética; e o espectatorial, por meio da assistência do espectador, separado ontologicamente do universo poético (Dubatti, 2003, p.16).” (p.04 e 05, l.84-05).

“A abordagem receptiva fez a sua parte quando rompeu com a sujeição às antinomias e começou a considerar a interação com a produção como parte essencial, o que liberou seus estudos da excessiva limitação a um gueto epistemológico. E continua fazendo, com a visão de um espetáculo afetado pelas dinâmicas culturais que subentende a experiência do espectador em sua dimensão coletiva.” (p.05, l.31-40).

COMENTÁRIO:
O autor, através de um recorte teatral, aborda teorias da recepção e relação teatral, as mudanças e necessidades sofridas, além de conceituar diversos aspectos presentes sobre o tema. Clóvis Massa também cita a teoria da concretização que, diferenciada da concretização cênica, é realizada pelos produtores de um espetáculo.

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