Redefinições
nos estudos de Recepção/Relação Teatral – Clóvis Massa
“Apesar do considerável avanço efetuado
nos últimos tempos pelos estudos teatrais, as perspectivas nos escritos sobre
recepção permanecem mais definidas do que desenvolvidas. Após reviravolta
epistemológica que reverteu a perspectiva tradicional [...] certos ajustes
conceituais se faziam necessários. Ao menos no campo teatral, recepção e
concretização, enquanto termos empregados pelas teorias da recepção
mostraram-se inapropriados para os princípios de origem aos quais se
vinculavam. O vocábulo recepção [...]
parecia contradizer a atividade produtiva do espectador [...] em seu processo
de apreensão, ele não apenas “recebe”, mas é co-responsável pelos sentidos da
obra. Concretização, por sua vez,
deixou simplesmente de corresponder ao processo de interpretação do leitor, e
precisou se diferenciada da concretização cênica, realizada pelos produtores do
espetáculo.” (p.01, l.01-22).
“Em busca de uma teoria específica da
recepção teatral, outra mudança de rumo se tornou urgente: ainda distante das
investigações empíricas sobre espectadores vislumbrarem conclusões relevantes,
as particularidades da arte teatral exigiram novo objeto de análise, desta vez
concebido a partir da estética da produção e da recepção.” (p.01, l.45-52).
“[...] os lineamentos desta nova teatrologia
devem pressupor a experiência estética não apenas como ‘trabalho do
espectador’, mas considera-la em seu caráter coletivo e plural.” (p.02,
l.07-11).
“[...] conceitos como concretização e
experiência estética adquirem novos sentidos conforme a tônica da abordagem.
Teatralidade, acontecimento e convívio são apropriados com a finalidade de
solucionar essa carência [...] cabe distinguir os estudos de recepção em dois
tipos: um diretamente vinculado à estética da recepção [...] outro, mais
desenvolvido pela semiótica teatral.” (p.02, l.18-29).
“No primeiro deles, a teoria da
concretização teve forte influência.” (p.02, l.32-33).
“Pelo viés da estética de produção e
recepção teatral, Patrice Pavis vinculou o circuito de concretização à dinâmica
cultural em que o trabalho do espectador se realiza [...] Para tanto, propôs a
ideia de metatexto, ou seja, o conjunto de textos conhecidos pelo espectador ou
pelo encenador e utilizados por ambos para leitura do texto. Para ele, a
confrontação entre metatexto (ou discurso) do diretor e o metatexto do
espectador – nem sempre coincidentes – forma a concretização da encenação.” (p.
02, l.62-74).
“Estudos posteriores de Patrice Pavis
seguem o mesmo enfoque produtivo-receptivo e se mostram com mais possibilidades
de aplicação em estudos empíricos.” (p.03, l.16-19).
“Outros trabalhos [...] também
procuraram o restabelecimento da dialética entre produção e recepção e chegam
mesmo a prescindir da primazia do texto dramático.” (p.03, l.23-27).
“O segundo tipo de pesquisa sobre
recepção teatral, a que investiga os processos mentais, intelectuais e emotivos
do espectador, procura analisar as operações do espectador a partir de uma base
coerente de dados experimentais”. (p.03, l.38-42).
“Com base na reformulação acerca da
experiência estética [...] a noção de concretização adquire caráter mais
pragmático em pesquisas de campo.” (p.04, l. 18-22).
“[...] o conjunto de tudo aquilo que
coloca o espectador em condições de compreender uma representação teatral [...]
necessita de revisão para não destoar do fenômeno teatral como encontro fundado
na presença simultânea de atores e espectadores, sob o risco da competência
teatral passar ao largo da experiência coletiva.” (p.04, l.74-82).
“Cabe também destacar os esforços [...]
para o desenvolvimento do Teatro Comparado, disciplina que considera o teatro
como sendo constituído pela instauração de três tipos de acontecimentos: o
convivial, pela instituição ancestral do convívio, da reunião; o poético ou de
linguagem, a partir de processos de semiotização, ficção, referência e função
estética; e o espectatorial, por meio da assistência do espectador, separado
ontologicamente do universo poético (Dubatti, 2003, p.16).” (p.04 e 05,
l.84-05).
“A abordagem receptiva fez a sua parte
quando rompeu com a sujeição às antinomias e começou a considerar a interação
com a produção como parte essencial, o que liberou seus estudos da excessiva
limitação a um gueto epistemológico. E continua fazendo, com a visão de um
espetáculo afetado pelas dinâmicas culturais que subentende a experiência do
espectador em sua dimensão coletiva.” (p.05, l.31-40).
COMENTÁRIO:
O autor, através de um recorte teatral,
aborda teorias da recepção e relação teatral, as mudanças e necessidades
sofridas, além de conceituar diversos aspectos presentes sobre o tema. Clóvis
Massa também cita a teoria da concretização que, diferenciada da concretização
cênica, é realizada pelos produtores de um espetáculo.
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