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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Fichamentos



Atmosfera e recepção numa experiência com o teatro na Alemanha.

"Até o surgimento da teoria da recepção, no inicio da década de 1970, as discussões sobre os fenômenos artísticos se pautavam, majoritariamente, nas questões forma/ conteúdo, ignorando-se ou menosprezando-se o papel do receptor. Mas não há dúvidas de que espectador adquiriu um novo status, um novo lugar, na teoria que se produz hoje sobre as artes cênicas." (Pg 02)

“Ao drama, mais que outra coisa, importa a possibilidade de operar metáforas, importa envolver o espectador em uma determinada atmosfera.” (Pg 04)

“Para que as coisas e o teatro deixem de ser vistas por pessoas razoáveis é preciso que o discurso sobre eles também deixe de ser ‘razoável’. É preciso que a recepção seja vista como livre das amarras impostas pelo romantismo, que pressupõe o artista genial e o receptor ignaro.” (Pg 06)

“A cada dia, as diferentes atmosferas iam se sucedendo, sendo vivenciadas a cada drama/espetáculo/performance, enfim a cada evento apresentado.” (Pg 07)

“Antes do boom promovido pela teoria da recepção, contudo, as questões concernentes à relação obra/espectador já integravam as reflexões da hermenêutica filosófica e da filosofia estética, em seus 400 anos de percurso (se considerarmos Baumgarten como o fundador, como apontam algumas obras de história da estética).”
(Pg 07)

“Mesmo partindo-se do pressuposto de que ‘toda atmosfera é imprecisa em relação ao seu status ontológico’. Isso significa dizer que mesmo essa descrição conterá ainda a imprecisão e que uma descrição, onde estão implicados sujeitos e objetos, sempre parecerá nebulosa e carente de uma complementação pelo sentir. Por isso clama por um redimensionamento, por uma rearticulação do uso do termo atmosfera e propõe que o ‘conceito de atmosfera enquanto conceito de Estética deve unir os diferentes usos do cotidiano aos seus diferentes caracteres’(Pg 08)



DISPOSIÇÃO PALCO/PLATÉIA AO LONGO DA HISTÓRIA: LUGAR E PAPEL DO ESPECTADOR

 A estrutura das artes cênicas,desenvolvida pelos gregos,determinou os princípios básicos da relação espetáculo/espectador que vigoram até hoje,principalmente no que se refere à arquitetura teatral”.(P. 180)

“Atravessando-se o portal que separa a Idade Média dos novos tempos, passando pela esfera do Humanismo e da Renascença, perceber-se-á, como aponta Kindermann, que apesar do empenho em se resgatar o conhecimento da era antiga, quase não há registros da disposição circular outrora predominante” (p. 180).

“Também os lugares especiais destinados à nobreza,o publico comum era mantido a certa distância,tendência que se pode verificar em outros palcos franceses e que permaneceu até século XVI” (...).(p. 183)

 “Dando continuidade a também predominante separação hierárquica, a participação do público na representação da vida dos heróis, da nobreza representada nas tragédias e comédias, passou a ser praticamente regida pelos nobres presentes e bem acomodados em seus privilegiados camarotes à frente e nos proscênios laterais” (p. 184 e 185).

"A aristocracia do período de Luís XIV impunha, assim, um conceito de disposição e comportamento muito distante dos praticados no período shakespereano, no qual as platéias manifestavam-se com total liberdade e veemência" (p. 185).

"A reaproximação do público com o palco, no projeto de Fchs, se dava através do proscênio anfiteatral. Além disso, o palco foi dividido em três partes: um alto e largo proscênio, um palco principal, também alto e um palco de fundo." (p. 187)

“Muitos destes projetos, contudo, não foram concretizados por falta de recursos. Porém, os projetos arquitetônicos revelavam um espírito exatamente inquieto e a vontade de ‘reanimaro’ espectador.” (p.188)
 

O espaço da pedagogia na investigação da recepção do espetáculo.

“A complexidade da recepção teatral reside na polaridade entre sua dimensão coletiva (um grupo de pessoas assistindo a um espetáculo) e a singularidade das percepções individuais, uma vez que aqui se inter-relacionam distintas áreas do conhecimento: ética, psicologia, sociologia, filosofia (as mais comuns a qualquer processo/produto artístico).”

“Portanto, considerar a recepção e a interpretação como processos baseados em valores estéticos e políticos, traz conseqüências importantes para a formação do espectador, uma vez que não se pode mais alegar uma natureza a – histórica do conhecimento, nem contar com um modelo fixo a ser seguido para valorizar algo.”

O argumento central de Wolfgang Iser é que não podemos achar um significado fixo no texto literário nem projetar nosso significado no mesmo. Devemos construir o significado com a ajuda do texto. Um trabalho de criação, segundo Iser, tem dois pólos: O artístico (o texto) e o estético (a realização do texto pelo leitor).”

“O papel do professor, além de identificar um texto aberto para o trabalho em grupo, está também em dirigir a atenção dos participantes para estes vazios do texto (mesmo que ele resulte da criação do grupo).”

Uma investigação em processo aponta tanto para uma avaliação diagnosticada quanto para um planejamento que promova travessias estéticas, pedagógicas e teóricas.”





Performance Recepção Leitura - Paul Zumthor

 “Estou particularmente convencido de que a idéia de performance deveria ser amplamente estendida; ela deveria englobar o conjuntos de fatos que compreende, hoje em dia, a palavra recepção, mas relaciono-a ao momento decisivo em que todos os elementos cristalizam em uma e para uma recepção sensorial – um engajamento do corpo.” (Pag. 22)

 “[...] tratando-se da presença corporal do leitor de “literatura”, interrogo-me sobre o funcionamento, as modalidades e o efeito (em nível individual) das transmissões orais da poesia. ” (Pag. 31)

“Se um fato observado em performance é, por motivos práticos, transmitido, como objeto científico, por impressão ou conferência, então de maneira indireta e segunda, a forma se quebra. Neste sentido, a performance é para esse etnólogos uma noção central no estudo da comunicação oral.”(Pag. 33)

 “Recorrer à noção de performance implica então a necessidade de reintroduzir a consideração do corpo no estudo da obra. Ora, o corpo (que existe enquanto relação, a cada momento recriado, do eu ao seu ser físico) é da ordem do indizivelmente pessoal.” (Pag. 45)

 “(...) não somente o conhecimento se faz pelo corpo mas ele é, em seu princípio, conhecimento do corpo. (...) Antepredicativo (...) se trata de uma acumulação de conhecimentos que são da ordem da sensação (...) uma memória do corpo.”(Pag. 91 e 92)

“A voz é uma (...) ruptura da clausura do corpo. Mas ela atravessa o limite do corpo sem rompê-lo; ela significa o lugar de um sujeito que não se reduz à sua localização pessoal.” (Pag. 97 e 98)

 “ O eu só importa pelo que ele denota: a saber, que o encontro da obra e de seu leitor é por natureza estritamente individual, mesmo se houver uma pluralidade de leitores no espaço do tempo.”(Pag. 64)

“O retorno do homem concreto. É nessa perspectiva que tento perceber que na minha leitura dos textos das quais extraiu minha alegria está perto do meu corpo.” (Pag. 73)

“Nesse sentido não se pode duvidar de que estejamos hoje no linear de uma nova era da oralidade, sem dúvida muito diferente do que foi a oralidade tradicional; no seio de uma cultura no qual a voz, em sua qualidade de emanação do corpo, é um motor essencial da energia coletiva.” (Pag. 73)

“O que nos fica é que essa variações históricas não concernem ao essencial. Transmitida a obra pela voz ou pela escrita, produzem-se entre elas e seu público, tantos encontros diferentes quanto diferentes ouvintes e leitores. A única dissemetria entre esses dois modos de comunicação se deve ao fato de que a oralidade permite a recepção coletiva.” (Pag. 65)


Redefinições nos estudos de recepção/relação teatral.

“O vocábulo recepção, fortemente marcado pela teoria da informação, parecia contradizer a atividade produtiva do espectador, a concepção de que, em seu processo de apreensão, ele não apenas “recebe”, mas é corresponsável pelos sentidos da obras”

“para o esclarecimento desse ponto de vista, cabe distinguir os estudos de recepção em dois tipos: um diretamente vinculado à estética acolhida de certas obras por um grupo num determinado período; outro, mais desenvolvido pela semiótica teatral, destinado a investigar os processos mentais, intelectuais e emotivos do espectador.”

“Pavis chega a considerar a encenação como uma leitura em público, já que o texto dramático não tem um leitor individual, e sim uma leitura possível e coletiva, proposta pela encenação.”

“Pavis chegar a considerar a encenação como uma leitura em público, já que o texto dramático não tem um leitor individual, e sim uma leitura possível e coletiva, proposta pela encenação”

“Será necessário definir o objeto estético pela experiência estética e a experiência estética pelo objeto estético.”


 

“ O drama burguês utiliza—se deste potencial de aprendizagem, já presente nos efeitos da tragédia heroica, com o intuito de ampliá-lo (com adaptações),estabelecendo uma tensão entre a nova forma e os propósitos da burguesia em ascensão” (p.2)

“ A catarse aristotélica por sua vez, passa a ser compreendida como vazão a sentimentalidade, a purgação entendida como correção pelas lágrimas.” (p.3)

“As peripécias do protagonista são cuidadosamente concebidas de maneira a produzirem importantes lições para o público” (p.3)

“O ato do espectador tem como eixo principal a própria imersão no mundo ficcional.O modo de concepção das obras de arte, em consonância com o modo de compreensão do ato de leitura, indica a busca por intensificar a atividade do espectador, partindo dos próprios parâmetros de recepção estética em voga no período.” (p.4)

“Esses movimentos de ir e vir do espectador-que, por empatia com o protagonista, adentra no interior da obra ficcional, e, ante as interrupções da lógica dramática operadas pelos recursos cênicos narrativos (épicos), se distancia da ação dramática, e retorna à própria consciência para empreender um ato propriamente autoral e analítico- caracterizam o efeito estético proposto pelo drama moderno.” (p.4)

“A teatralidade assumida rompe com a ilusão do mundo-palco, propondo que o espectador se distancie da ficcionalidade, se descole da pele do herói e retorne à própria consciência.” (p.5)

“ O objeto como que avança sobre o indivíduo, toca-lhe o íntimo e, de maneira inesperada, faz surgir conteúdos esquecidos, relacionados com a memória involuntária,” (p.6)

“O encontro com a arte se coloca, desde então, para Benjamin, fundamentalmente vinculado com a proposição e a produção de experiências.” (p.6)

“ No teatro pós-dramático, o que se observa [...] é uma inversão travada entre espectador e proposta cênica.” (p.8)



Uma incursão pela estética da recepção
“Muito comentada, pouco conhecida, a estética da recepção ainda não expandiu todas suas possibilidades entre nós.” (Pg 01)

“A recepção não é uma dimensão individual, mas um fenômeno coletivo, resultante das manifestações advindas das interpretações singulares ou grupais, dimensionada através das práticas de leitura e agenciamentos históricos efetuados sobre textos e autores.” (Pg 01)

“Já apontado por Jauss anteriormente, o prazer enfativaza a materialidade sensível do processo artístico, as constituintes intrínsecas à arte que, irredutíveis quando da experiência estética, reverberam sobre o corpo do leitor/ espectador. Ignorá-las é fazer-se de cego (ou surdo ou mudo) ás percepções e sensações originárias da obra, razão de ser de sua produção e fruição.” (Pg 02)

“Entre outros procedimentos, Jauss recuperou a aristotélica khatarsis enquanto dimensão comunicativa subjacente à obra artística, salientada como esfera onde os fenômenos de identificação e empatia vão produzir-se.” (Pg 02)

 “Na acepção grega de fazer, a poiesis implica no prazer que sentimos como realizadores da obra (ou de sua leitura), enquanto instância de instalação e apropriação do mundo exterior ( “ sentir-se em casa”, nas palavras de Hegel), através da qual se alcança um conhecimento diverso daquele infundido pela ciência e mais amplo que aquele dirigido à finalidade produtiva, caso do artesanato.” (Pg 02)

“A aisthesis, por sua vez, implica na dimensão de percepção reconhecedora ou de reconhecimento perceptivo, já apontado como “pura visibilidade”, “visão intensificada e sem conceito”, “da densidade do ser”, “pregnância perceptiva complexa”, segundo alguns autores que tentaram captá-la.” (Pg 04)

“E a katharsis, conceito colhido em Aristóteles e Geórgias, através do qual nos deixamos levar pelo engano ou artifício, partícipes de um jogo capas de infundir quer uma liberação da psique quer uma mediação de apreensão que alivia o sujeito das normas de ação e julgamentos, acima dos interesses imediatos e implicações advindas do senso-comum.” (Pg 04)

“De modo que a recepção, na atualidade, diz respeito a um sem número de agenciamento no vasto território da cena, apresentando subsídios quer para a pedagogia quer para a história, quer para a sócio semiótica quer para a análise dos discursos, fomentando plataformas questão alargando os estudos teatrais.” (Pg 04)




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