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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Fichamento


NOTAS SOBRE EXPERIÊNCIA E O SABER DE EXPERIÊNCIA
Autor: Jorge Larrosa Bondia

Costuma pensar a educação do ponto de vista da relação entre ciência e técnicas, se na primeira alternativa as pessoas que trabalham em educação são concebidas como sujeitos técnicos que aplicam com maior ou menos eficácia as diversas tecnologias pedagógicas produzidas pelos cientistas, na segunda alternativa estas mesmas pessoas aparecem como sujeitos críticos.
Partindo do pressuposto de que as palavras produzem sentido, criam realidades e às vezes funcionam como potentes mecanismos de subjetivação. Propõem uma análise da palavra experiência.
Entende-se por experiência tudo que nos passa, o que acontece, o que nos focam muitas vezes o excesso de informação impede a experiência, informação não é experiência é quase o contrário da experiência. A informação não faz outra coisa se não cancelar nossas possibilidades de experiência. Assim a experiência precisa ser separada da informação, uma sociedade constituída sob o signo da informação é uma sociedade na qual a  experiência é impossível.
Depois da informação vem a opinião, que assim como a informação anula nossas possibilidades de experiência. Esta aliança entre opinião e informação é o grande causador do periodismo. O Periodismo é o grande dispositivo moderno para destruição generalizada da experiência.
A experiência é cada vez mais rara também pela falta de tempo, tudo passa muito depressa, as sensações são rapidamente substituídas ou outras cada vez mais efêmeras. A velocidade em que nos são dados os acontecimentos e a obsessão pela novidade impede a conexão significativa entre os acontecimentos. Impedem também a memória e a falta de memória é inimiga mortal da experiência.
O excesso de trabalho torna a experiência rara, também o sujeito moderno além de ser informado que opina e além de estar permanentemente agitado e em movimento é um ser que trabalha, sempre está desejando fazer algo no ato de mudar as coisas.
A experiência, a possibilidade de algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, requer para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, sentir mais devagar, requer ter paciência dar tempo ao tempo.
Já o sujeito da experiência seria, sobretudo, um espaço onde tem lugar os acontecimentos e se define não por sua atividade, mas por sua passividade e por sua abertura. Somente o sujeito da experiência esta, portanto aberto a sua própria transformação. Definir o sujeito de experiência como sujeito passional não significa pensá-lo como incapaz de conhecimento de compromisso ou ação. O sujeito passional tem sua própria força e se expressa produtivamente em forma de saber.
O saber de experiência se dá na relação entre o conhecimento e a vida humana. Se a experiência é o que nos acontece e se o saber da experiência tem a ver com a elaboração de sentido ou do sem sentido do que nos acontecem tratasse de um saber infinito, ligado a existência de um indivíduo.
O conhecimento é comum, mas a experiência é individual, singular de alguma maneira impossível de ser repetida. O saber da experiência é um saber que não pode separar-se do indivíduo, não está como conhecimento científico fora de nós.A experiência e o saber se derivam e são o que nos permite apropriarmos de nossa própria vida.

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