NOTAS SOBRE EXPERIÊNCIA E O SABER DE
EXPERIÊNCIA
Autor: Jorge Larrosa Bondia
Costuma
pensar a educação do ponto de vista da relação entre ciência e técnicas, se na
primeira alternativa as pessoas que trabalham em educação são concebidas como
sujeitos técnicos que aplicam com maior ou menos eficácia as diversas
tecnologias pedagógicas produzidas pelos cientistas, na segunda alternativa
estas mesmas pessoas aparecem como sujeitos críticos.
Partindo
do pressuposto de que as palavras produzem sentido, criam realidades e às vezes
funcionam como potentes mecanismos de subjetivação. Propõem uma análise da
palavra experiência.
Entende-se
por experiência tudo que nos passa, o que acontece, o que nos focam muitas
vezes o excesso de informação impede a experiência, informação não é
experiência é quase o contrário da experiência. A informação não faz outra
coisa se não cancelar nossas possibilidades de experiência. Assim a experiência
precisa ser separada da informação, uma sociedade constituída sob o signo da
informação é uma sociedade na qual a
experiência é impossível.
Depois
da informação vem a opinião, que assim como a informação anula nossas
possibilidades de experiência. Esta aliança entre opinião e informação é o
grande causador do periodismo. O Periodismo é o grande dispositivo moderno para
destruição generalizada da experiência.
A
experiência é cada vez mais rara também pela falta de tempo, tudo passa muito
depressa, as sensações são rapidamente substituídas ou outras cada vez mais
efêmeras. A velocidade em que nos são dados os acontecimentos e a obsessão pela
novidade impede a conexão significativa entre os acontecimentos. Impedem também
a memória e a falta de memória é inimiga mortal da experiência.
O
excesso de trabalho torna a experiência rara, também o sujeito moderno além de
ser informado que opina e além de estar permanentemente agitado e em movimento
é um ser que trabalha, sempre está desejando fazer algo no ato de mudar as
coisas.
A
experiência, a possibilidade de algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto
de interrupção, requer para pensar, parar para olhar, parar para escutar,
pensar mais devagar, olhar mais devagar, sentir mais devagar, requer ter
paciência dar tempo ao tempo.
Já o
sujeito da experiência seria, sobretudo, um espaço onde tem lugar os
acontecimentos e se define não por sua atividade, mas por sua passividade e por
sua abertura. Somente o sujeito da experiência esta, portanto aberto a sua
própria transformação. Definir o sujeito de experiência como sujeito passional
não significa pensá-lo como incapaz de conhecimento de compromisso ou ação. O
sujeito passional tem sua própria força e se expressa produtivamente em forma
de saber.
O
saber de experiência se dá na relação entre o conhecimento e a vida humana. Se
a experiência é o que nos acontece e se o saber da experiência tem a ver com a
elaboração de sentido ou do sem sentido do que nos acontecem tratasse de um
saber infinito, ligado a existência de um indivíduo.
O
conhecimento é comum, mas a experiência é individual, singular de alguma
maneira impossível de ser repetida. O saber da experiência é um saber que não
pode separar-se do indivíduo, não está como conhecimento científico fora de
nós.A experiência e o saber se derivam e são o que nos permite apropriarmos de
nossa própria vida.
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