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domingo, 9 de dezembro de 2012


Fichamento:  O jogo dramático e o meio escolar

Recordamos que, em mais de uma centena de obras literárias inscritas no programa de segundo grau, encontramos treze peças clássicas, um drama romântico, uma obra do século XVIII(no ultimo ano) que são em principio impostos aos alunos. Isto basta para mostrar o imobilismo das recomendações  que continuam a não ver o teatro senão através do ‘Grande Século”(pg.13,l.10 a 15)
(...) Muito frequentemente,  para os alunos,  um  texto é uma coisa morta.(pg.14,  l.9e10)
(...) Mas só no teatro, as personagens que até ai lhes aparece como sombras vãs, tomam corpo, se animam, se movem, são seres de carne e osso. O jovem espectador, entra  ele próprio no jogo. Ele será em breve segundo a expressão de Bossuet um ator secreto na tragédia &,  Deixa-se levar de boa fé, como desejava Moliere, pelas coisas que o agarram pelas entranhas.O texto é ressuscitado.  (pg.14. l, 13 a 19)
A expressão dramática parece ser o domínio exemplar enquanto objeto de uma reflexão sempre interrompida e retomada, mas onde toda passagem ao acto provoca sem dívida, inquietações de tal monta que os projetos são enterrados  logo que veem a luz do dia.
No momento em que a política de animação é posta em causa, é desnecessário lembrar aqui evidencias, instruir de novo o processo da matinê clássica, ou lamentar mais uma vez, a falta de meios do teatro para os jovens. No entanto é útil averiguar as possibilidades oferecidas a um professor de ter “convidados” no seu estabelecimento ou na sua sala de aula. (pg. 19, l.28 a 33)
A mesma questão , que está aqui subjacente ao problema das relações entre criação artística e pedagogia global,  põe-se aqui: poder-se-á mudar a escola sem poder mudar a sociedade? (pg.21, l.12 a 14)
Sobrecarregados com trabalhos e solicitações muito diferentes, os animadores nem sempre tem tempo para encetar o dialogo pedagógico indispensável a uma real colaboração. Ou então mal conhecidos e isolados nas suas tarefas subalternas, não podem ser  utilizados na sua correta dimensão. (pg. 24,  l. 23 a 27)
Não tem, aqui, grande importância perguntar  se se trata da influencia dos adeptos da pedagogia ativa, do método Freinet  ou de qualquer outra corrente que considera a criatividade como uma panaceia. A verdade é que não se trata de levar o teatro a sala de aula ou provocar uma nova reflexão sobre os textos mas,  num primeiro tempo pelo menos de provocar uma expressão livre que tem lugar no próprio saio da sala de aula. (pg.25, l. 4 a 11)
  Qual o papel do professor ao lado dos animadores, que tipo de dialogo  ele pode encetar com as equipes de teatro que penetram no meio escolar? (pg. 26, l.7 a8)
Na verdade, o trabalho do professor que tem a responsabilidade duma classe durante um ano inteiro parece-me determinante. Quer na escolha dos espetáculos e nas animações, quer na forma como poderá (ou não) utiliza-los, alimentar com eles o seu ensino, chegar a uma verdadeira educação da expressão.  (pg.26, l.13 a 18)
A prática da expressão pode e deve ser movimentada no próprio interior da aula, ela depende de um trabalho de educação global que não necessita que lhe atribuam pequenos compartimentos particulares. (pg.27, l.15 a 18)
O jogo dramático utilizado na educação, é definido por modos diversos e, por vezes, contraditórios. O termo é suficientemente ambíguo para poderser aplicado a prática que nem sempre tem algo em comum entre elas. (pg.33, l.1 a 4)
1.     O jogo dramático não visa uma reprodução fiel da realidade, mas sim a sua analise a partir dum discurso produzido numa linguagem artística original que se afasta do naturalismo.
2.     O jogo dramático é uma atividade coletiva. O grupo é o lugar onde o individuo se elabora “para si” e com os outros, mas não poderia manter-se fechado sem cair no narcisismo e na ilusão do grupo.
3.     O jogo dramático não esta subordinado ao texto. Este é substituído pela palavra improvisada ou estabelecida a partir de um guião.  Em alguns casos, o jogo toca tanto os momentos contingentes que acompanham o texto, a produção de sinais visuais e sonoros, inscritos num espaço determinado como a elaboração deste. A determinação  do sentido é um processo coletivo que se insere numa linguagem global. (pg.34, l. 6 a 20)
Pode dizer-se que a atividade própria da criança é o jogo e ela põe nisso uma  tal dedicação que alguns psicólogos distinguem uma categoria de jogos sérios que se oporiam ao jogo  de puro divertimento, ao jogo de descontração, tais como os que podem observar no adulto quando  rompe com a atividade seria que é o trabalho. (pg. 34, l.25 a 30)
Um  jogo que tem objetivos pedagógicos  declarados corre o risco de ser acusado hipocrisia. (pg.36, l. 28 e 29)
No jogo o sujeito esquece o real, nega a atividade seria, liberta-se dos quadros constrangedores que suporta [...] (pg.36, l. 33 a 35)
[...] na execução das suas atividades diárias. Mas ao mesmo tempo, elabora regras que se tornam indispensável respeitar, sob pena de se fechar numa actividade rapidamente  aborrecida ou estupidamente  repetitiva.
O jogo constitui um “ensaio sem riscos” porque visa “a substituição de uma ação não convencional (real) por uma situação convencional (lúdica)” . Na medida em que uma actividade  dramática , ela tem semelhanças evidentes com o jogo tal como  é definido.(pg.38, l.18 a 24)
O professor pode achar útil que sejam guardados os traços dum trabalho; o grupo pode fixar um objetivo determinado; mas isso nunca de vê ser feito na perspectiva de fabricar um produto acabado,  como seria o caso de uma produção de caráter profissional. (pg.39,  l. 19 a 23)
Fabricar para si um mundo assustador é uma atividade natural da criança que se tornará mais forte quando for capaz de o vencer. (pg.40, l.6 a 8)
O jogo dramático pode ajudar a controlar as emoções: mas ele não deve transformar-se num campo de experiências cujo interesse seria medido pela violência das situações  efetivas vividas. (pg.40, l.16 a 19)
Uma vez que é este equilíbrio que faz o jogo, quais as relações que se instauram entre o real o e imaginário  dentro do jogo e depois do jogo dramático? Esta pergunta é decisiva quando fixámos como objetivo para o jogo dramático, falar da realidade  e nos esforçarmos para descobrir como é que ele pode  falar dela de forma a transforma-se num instrumento de analise do mundo. (pg.41,  l. 13 a 14)


O jogo dramático exige do jogador o mesmo comportamento biplanar; é preciso acreditar no jogo o suficiente para que três cadeiras viradas se transformem num foguetão, o transferidor do professor de matemática num volante de caminhão  e esta caixa vazia de sabão em pó numa aperfeiçoada maquina de filmar. (pg.43, l. 16 a 20)
Se o jogo é um instrumento de conhecimento do real, se deve manter um equilíbrio permanente entre o imaginário e o real, devemos ainda perguntar qual é esse real que o jogador se esforça para reproduzir e quais são as relações que o jogador tem com a arte, este outro instrumento que permite moldar o mundo? (pg.44, l.7 a 11)
“O jogo representa uma aquisição de um saber fazer, o treino numa situação convencional, a arte é uma aquisição dum mundo. ( uma modalização mundo)” (pg.44, l. 20 a 22)
O jogo dramático deve ser ao mesmo tempo um meio concreto de criação de situações e de aquisição de técnicas e um meio de reflexão sobre essas situações  para chegar a invenção. (pg.45, l.18 a 21)
O jogo dramático provoca por vezes, a apreensão dos professores, a a desconfiança dos pais e da administração. As mesmas perguntas surgem, traduzindo as mesmas incertezas; não correremos os riscos de[...](pg.45, l.30 a 32)
[...] provocar nos nossos alunos descargas afectivas violentas, uma libertação anárquica  de sentimentos que somos incapazes de enfrentar.(pg.46, l. 1 e 2)
O psicodrama seria o teatro do homem liberto, fora de si, fora dos eixos,  no meio de um auditório de pessoas, também elas, fora de si, participando em conjunto no facto de uma delas sair de si para reviver a sua vida e reencontra-la no palco.(pg.47, l. 16 a 19)
O comportamento do protagonista é comentado e esclarecido pelo psicodramista que ajuda progressivamente este a tomar consciência dos seus problemas, a afirmar-se perante o mundo. (pg.51, l. 6 a 8)
Numa improvisação existem sempre zonas cinzentas e o abandono das estruturas  pedagógicas tradicionais  permitem que estas sejam afloradas. (pg.51,  l. 32 a 34)
A dramatização espontânea efetua-se mesmo nas crianças mais novas, em função de modelos culturais, compreendido da palavra genérica “teatro” saco onde cabe tudo, e que está na origem de muitas incompreensões. (pg.53,l.19 a 22)
O teatro como objeto semiótico, quer dizer, como objeto artístico constituído sob o modelo das línguas naturais, segue esquemas de comunicação estabelecidos para estas. A actividade teatral supõe um emissor que fabrica a mensagem e um receptor que a decifra. (pg.60,l.9 a 11)
O teatro cansa-se inutilmente quando luta no terreno da ilusão contra artes cuja essência é duma outra natureza. O objetivo consiste em fazer descobrir aos alunos que a riqueza da linguagem teatral não está nra intenção de fazer crer, mas na de mostrar para fazer compreender. (pg.63, l.27 a 31)
Existirá uma forma de jogo dramático exemplar, um modelo ideal a reproduzir, que respeite escrupulosamente  as tentativas de definição propostas? É evidente que na prática o trabalho depende de um número  considerável de contingencias e imperativos locais. Como dar conta das práticas senão através da acumulação de anedotas ou de uma teorização excessivamente arída?  (ambas incapazes de dar conta da realidade escolar) (pg. 73, l. 1 a 7)
“O teatro pode está a serviço dos oprimidos, para que estes se exprimam e para que utilizando uma nova linguagem descubram também novos conteúdos” . “ o principal objetivo deste “teatro do oprimido” é transformar o povo_ ser passivo num fenômeno teatral_ em sujeito, em actor capaz de modificar a ação dramática. (pg.78, l. 2 a 7)
 Recordemos, para terminar esse ponto, a desconfiança de Freinet para com o processo demasiado voluntarista_ a preferência   pelas “intervenções indiscretas do professor[...] (pg.82,l. 36 a 38)
[...] para melhorar progressivamente as mensagens reais dos alunos e para que estes adquiram, progressivamente as mensagens reais dos alunos  e para que estes adquiram progressivamente, em situações reais de comunicação, o domínio dos códigos impostos pela sociedade. (pg.83, l.1 a 4)
   A mesma proposta, talvez mais complicada. Cada um inventa uma história pessoal, sem relação com o texto, palavra a palavra, mas que ele conta como entender  a medida que diz as palavras impostas.O resultado é muitas vezes divertido; não é possível reconhecer facilmente a história contada; em contrapartida, quando se conhece bem o contador, é a ele que se encontra através do fraseado, da forma de construir a sintaxe, de impor um ritmo particular a frase.(pg.105, l. 21 a  27)
No entanto, procuramos sempre que possível, propor jogos que ajudem quem diz a abrir-se para o exterior  e a tomar, pelo ,menos consciência da relação que existe entre a voz e da maneira como se expulsa a voz, abordando uma outra forma de trabalho.  (pg. 109,  l. 5 a 9)
A passagem do texto narrativo a uma materialização cênica esconde algumas ratoeiras se os jogadores não tem uma ideia clara daquilo que querem dizer. A mais frequente consiste em multiplicar imagens que são uma repetição desnecessária do próprio texto, quer reduzindo-o a uma banda desenhada (que ainda diz menos), quer acumulando a sua volta imagens estetizantes, e muitas vezes redundantes. (pg. 111,  l. 1 a 7)
O objetivo não  é simplesmente passar de uma forma de linguagem a outra, mas antes, pelo encontro de duas linguagens, operar uma penetração estimulante para a imaginação  e propor uma manipulação não escolar do texto.(pg.111, l. 14 a 17)
Sejamos sinceros: banidos da nossa prática as tentativas laboriosas de encenar com os alunos de uma turma. Já não trabalhamos muito diretamente sobre os textos dramáticos do programa. Quando não os excluímos completamente  de nossas preocupações por razões que precisaremos , propomos que se estudem através de desvios que surpreendem, aborrecem ou requerem muito tempo. Contudo esses textos existem  e é por vezes, por causa deles que os professores  reclamam formação e intervenção. (pg.115, l11 a 18)
[...] Quanto ao ponto de partida (o texto  de Molière) tínhamos-lo esquecido pelo menos provisoriamente. Era então necessário inventar as situações e as personagens escrevê-los no quadro sem fazer escolha, mas para saber o que cada um tinha proposto e o que poderíamos ignorar no caso de termos estado ocupados com uma pequena parte deste ”fresco” . (pg.16, l.22 a 27)
O jogo permitiu-lhes lançar um olhar crítico sobre uma realidade que conheciam bem ( ávida cotidiana do porto de pesca). (pg.117, l35 e 36)
A obra literária estudada em seguida da aula permitiu definir noções de originalidade e de diferença. Em vez de a limitar, querendo a todo custo que ela “nos fale”, podemos encentar com ela baseado no nosso trabalho criativo. (pg.118,  l. 28 a31)
[...] O jogo assemelha-se  assim,  ao carnaval numa sociedade organizada onde o disfarce (por mais abstrato que seja, não necessita aqui d)e máscara ou roupa suscita o aparecimento dos propósitos  mais livres, das mais insólitas atitudes em relação a antiga norma. (pg.120,  l.5a 8)
A instalação duma relação espectador/ator permitiu uma  reflexão muito seria sobre a organização da história e sobre os meios a encontrar para a transmitir. O trabalho coletivo foi determinante. As incoerências notadas no primeiro  guião provinha dos desacordos entre os elementos do grupo (por exemplo a impossibilidade de escolher entre o passado e o futuro, a mistura de duas histórias de ficção cientifica contada por dois indivíduos diferentes). (pg.128,  l. 9 a 15)
 Um dos quatro grupos tomou consciência do seu insucesso  ao dá conta do pouco interesse manifestado pelos espectadores durante o debate.(pg.129 l.3 a 5)
As dificuldades que se encontram ao privilegiar o olhar critico dum  “publico” fazem parte da aprendizagem. Os problemas que se põem para os exercícios tradicionais por se ao, de cada vez para o jogo dramático, talvez com mais acuidade, porquanto estas seções   agem como reveladoras do estado de espírito duma turma. (pg.130, l. 5 a 9)
O jogo dramático faz apelos a temas livres. No decurso das improvisações, a turma  constitui  um reservatório de <ideias abstratas> que não dependem necessariamente do programa, mas que provocam  a produção de mensagens escritas de toda a ordem: textos, fragmentos, guiões, fragmento de diálogos. A expressão dramática renova os conteúdos abordados, permite aos alunos comunicar as suas preocupações imediatas. A reflexão assim como a transmissão (é uma atividade coletiva e uma atividade de comunicação) passam pela procura de formas nas quais o professor de Frances  tem um papel a desempenhar. (pg.137,  l. 5 a 14)
Presos pelo prazer de jogar e de criar imagens, preocupam-se muito pouco com a língua e tornam-se hábeis na arte de encontrar processos que permitam dispensa-lo completamente. (pg.139, l.10 a 12)
O professor e o animador não se contentam em transmitir técnicas dramáticas, eles assumem também uma responsabilidade educativa global. (pg.145,  l. 29 a 31)
[...] O que pressupõe que o adulto tenha alguma coisa a dizer, que ele corra o risco e que os faça correr aqueles que o escuta.É claro que ele pode enganar-se, e é isso que Snyders chama,<<o risco pedagógico>> , o risco de induzir  em erro os alunos ou ponderar arbitrariamente sobre a sua vontade  de os dirigir para o que nós pensamos ser verdadeiro; este risco é a própria definição do ensino e se devemos trabalhar sem descanso para o reduzir não há, todavia, nenhum meio de o suprimir>>. (pg.146,  l. 1 a 8)
O objetivo desta primeira elaboração não é desembocar numa história organizada  mais ajuda a por em movimento a imaginação por outra forma que não a simples concentração oral. Todos esses materiais de natureza muito diferentes são reagrupados sem que se tenha que decidir se serão utilizados na sua forma primitiva no momento de passar ao jogo. (pg.149, l. 17 a 22)
O exemplo mostra que a descoberta pessoal das convenções é possível desde que se tenha paciência e que jogadores e espectadores aceitem as tentativas e <os meios falhanços >.Nós opomo-nos a utilização de roupa  e acessórios reais que não dizem mais nada do que são e reforçam a tendência ao estereotipo. (pg.160,l. 5 a 9)
Quando estabelecemos uma relação frontal com o publico, lembramos que o espaço é  ilusório e mantemos presentes a necessidade de teatralização. (pg.160,  l. 24 a 26)
O aperfeiçoamento em vista é a eliminação progressiva de todos os <pequenos gestos> inúteis, de tudo o que pode perturbar o discurso do corpo: tiques pessoais, caretas,  e pequenas deslocações inúteis.(pg.161, l. 6 a 9)








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