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domingo, 9 de dezembro de 2012


Fichamento: Beatriz Cabral
Drama: Teoria e método

O Drama é uma forma especial de comportamento em todas as culturas, permite explorar questões e problemas centrais a condição humana e oferecer ao individuo a oportunidade  de definir e clarificar a sua própria cultura. È uma atividade criativa em grupo, na qual os participantes se comportam como se estivessem em outra situação ou lugar, sendo eles próprios   ou outras pessoas. (pg. 11, l. 1 a 6)
De acorde com Martin Ueslin (1987, pg. 14-5), “Não há duvida que o drama tornou-se imensamente importante em nossa época [...] Um dos principais veículos de informação, um dos métodos predominantes <<pensar>>  a vida   e suas situações[...](pg.11, l. 7 a 10)
Esta visão do drama é intensificada, na esfera do ensino, pela constatação do impacto das formas dramáticas do cotidiano da criança_ por meio da televisão, das propagandas, fotografias ou interações  sociais. (pg.11, l.14 a 16)
Entretanto, seu uso em si, distanciando de um contexto dramático, não vai além de possibilitar uma estratégica dinâmica de conhecimentos. O potencial estético do teatro na educação, de conhecer [...](pg.11, l. 22 a 24)
[...] e sentir (envolvimento emocional)perde-se ao se separar as técnicas teatrais do contexto dramático. (pg.12, l. 1 e 2)
Como processo, o drama articula uma serie de episódios, os quais são construídos e definidos com base em convenções teatrais criadas para possibilitar seu seqüenciamento e aprofundamento. (pg. 12,  l. 8 a 11)
Algumas características básicas são associadas ao drama como atividades de ensino: Contexto e circunstâncias de ficção, que tenham alguma ressonância com o contexto real  ou com os interesses específicos dos participantes; processo em desenvolvimento através de episódios, um pré-texto que delimite e potencialize a construção da narrativa teatral em grupo; e a mediação de um professor-personagem, que permite focalizar a situação sob perspectivas e obstáculos diversos. Entre as estratégias que articulam essas características, algumas são fundamentais: as convenções teatrais que identificam formas distintas de ação dramática, a quantidade e qualidade do material oferecido aos participantes, a delimitação e ambientação cênica. (pg.12, l. 12 a 22)
Ao fazer teatro-drama entramos em uma situação imaginaria no contexto da ficção. (pg.12, l.23 e 24)
O contexto da ficção permite focalizar ou desafiar aquilo que é normalmente aceito sem questionamento, tudo o que durante a rotina é assumido sem maiores reflexões. Ao mesmo tempo facilita a abordagem de te- [...] (pg. 12, l. 29 a 31)
[...] - mas ou situações que possam abalar a suscetibilidade dos participantes, possibilitando a  experiência de respostas ou atitudes reais como se essas fizessem parte do universo imaginário.(pg.13, l. 1 a 3 )
Falta de coerência decorre em grande parte pela ausência de informação sobre o assunto o que acarreta improvisações desconectadas e ou simplistas, sem o objetivo relacionado com o contexto ou fatos investigados. (pg.13, l. 13 a 16)

O aspecto mais importante do contexto de ficção é o fato de este decorrer de uma seleção, a qual focaliza seres humanos, seus relacionamentos e um ambiente possível de existir se aquele contexto fosse de fato real. (pg.13, l.22 a 24)
A razão para a inserção de memórias em processos e  produtos teatrais se relaciona com a dimensão do pessoal , tal como a auto-estima, interação com sujeitos afins, construção da identidade; e  com a dimensão social, com responsabilidade e respeito para com o espaço urbano, engajamento com questões de preservação, atividades sociais e culturais. (pg.13, l.27 a 32)
Embora o termo  narrativa seja usado na lin-[...](pg.13,l.34)
[...] – guagem  cotidiana para se referir a qualquer texto em prosa, aqui ele se refere a um determinado tipo de prosa ( o que contém um história) e a uma particular configuração desta história ( a que contém um enredo). História entendida aqui em seu sentido amplo é a narrativa que combina uma sucessão de incidentes em um único episodio, e enredo é a estrutura narrativa mediante a qual as pessoas compreendem e descrevem as relações entre os eventos e escolhas de suas  vidas.    (pg. 14, l.1 a 7)
Tanto historias de vida quanto memórias habitam duas áreas distintas do conhecimento; a das ciências sociais e a dos espaços artísticos. (pg.14, l. 8 e 9).
Segundo Donald Brumefeld- Jones (1995, pg.31), “fidelidade e credibilidade, em vez de verdade, são os critérios apropriados para julgar tanto a arte quanto a investigação narrativa”. (pg. 14, l. 19 a 21)
Madeleine Gurmet( 1998, p. 66),  por sua vez afirma que a fidelidade e não a verdade, é a medida das histórias e memórias. (pg.14, l. 29 e 30)
A verdade considera a situação um objeto enquanto a fidelidade é subjetiva. (pg. 14, l. 1 e 2)
Para tornar a situação ainda mais complexa, o professor, tal  como  o investigador, deve lembrar que ele também tem intenções  e está reconstruindo a história. A investigação de memórias fica dessa forma situada entre intenções e reconstrução: é isto que a situa como processo artístico.  (pg. 15, l.10 a 14)
O pré-texto é o roteiro, história ou texto que fornecerá o ponto de partida para iniciar o processo dramático, e que irá funcionar como pano de fundo para orientar a seleção e identificação das atividades e situações exploradas cenicamente. (pg.15, l. 15 a 18)
A eficácia do pré-texto em drama, enquanto processo de investigação em cena, pode ser investigado pelo acesso a intenções e papeis que ele fornece_ um testamento que deverá ser lido, uma tarefa a ser cumprida, uma decisão que precisa ser tomada, um quebra cabeça que terá que ser resolvido em tempo hábil, uma casa assombrada a ser explorada. (pg.15, l.26 a 31)
Processos em drama pode ser definido como negociação ou renegociação dos elementos de forma dramática, quanto aos objetivos dos participantes (O’ Toole, 1992). Os episódios são fragmentos e/ou eventos que fazem parte da sua estrutura narrativa. (Heathcote, 1980). (pg.17, l. 3 a 6)
A constatação fundamental aqui é que as dimensões artísticas alimentam uma a outra _ o desempenho artístico será tanto melhor quanto maior for o conhecimento adquirido sobre os conteúdos e as formas subjacentes ao processo dramático. ; o valor educacional da experiência na escola será tanto maior quanto melhor for o resultado artístico alcançado. (pg.17, l.20 a 25)
O drama enquanto processo, muitas vezes está desvinculado de um texto dramático  ou de um script. (pg. 17, l. 26 e 27)
Usando o drama como método de ensino, o professor assume papeis e ou personagens com o objetivo de interagir  com os alunos em contextos diversos, utilizando diferentes códigos linguísticos para desafiar posturas, ações e atitudes. (pg.  19, l. 26 a 29)
As convenções teatrais, esclarece Jonothan  Neelands (1990), são indicadores da maneira pela qual tempo, espaço e presença interagem e são moldados para criar diferentes tipos de significados em teatro. Diferentes convenções irão, portanto  enfatizar diferentes possibilidades teatrais de tempo, espaço e presença humana. (pg. 22,  l. 28 a 32)
As convenções usadas no processo do drama representam meio de desenvolver a percepção das formais teatrais concomitantemente  a compreensão dos conteúdos trabalhados a través do teatro_ tem assim um importante papel na aprendizagem em seu sentido mais amplo.(pg. 23, l. 11 a 14)
A parceria entre professor e aluno ou adulto e criança, em um processo dramático, implica equivalência ou troca de status. O professor (ou estagiário) não esta lá para definir a cena ou tomar decisões, mas para entrar no jogo proposto pelas crianças. O objetivo de sua presença é manter o jogo e o foco, fazendo perguntas quando necessárias. (pg.23,  l. 27 a30)
Na concepção de Vigotski é por meio de uma apreensão e internalização da linguagem que a criança se desenvolve . Segundo ele, é possível identificar três níveis de desenvolvimento: a zona de desenvolvimento real ou efetivo, composta pelo conjunto de informações que a criança tem em seu poder;  a zona de desenvolvimento potencial,  o desenvolvimento que a criança pode vir a ter, e entre estas duas a zona de desenvolvimento proximal, que se constitui por funções ainda não maduras, mas em processos de maturação.(pg.25, l. 12 a 19)
A zona de desenvolvimento proximal segundo Vigstski  “define a distancia entre o que as crianças podem realizar sozinhas e o que elas  são capazes de fazer sob a orientação ou em colaboração com parceiros mais capazes” (pg. 25, l.20 a 23)
Na perspectiva da parceria professor-aluno, um processo desenvolvido por meio de episodio centrado em questionamentos e problemas a serem resolvidos, a pergunta chave para deslanchar o processo (ou a problematização) torna-se uma peça fundamental. (pg. 25, l.28 a 31)
A distinção entre perguntas abertas e fechadas é fundamental para o professor que vai liderar um  processo narrativo de um grupo grande de alunos. (pg. 26, l. 14 a 16)
A realidade virtual tem sido usualmente transformada em bode expiatório para todas as ”mazelas” decorrentes da criança como computador e seu desinteresse pela escola. Entretanto uma narrativa comovente, diz Janet Murray, pode ser experienciada como uma realidade virtual porque nossos cérebros estão preparados para sintonizar com histórias com uma intensidade capaz de apagar o mundo em volta.  ( pg.27, l. 13 a 18)
A experiência de ser transportado a um local simulado,  com tamanha precisão, é prazerosa em si independente do conteúdo de sua fantasia. (pg. 27,  l. 25 a 27)
Os princípios de ” ser agente e transformador”  são centrais a linguagens artísticas. Em teatro educação o aluno é criador e ator, ele faz e apresenta. Mais ainda ele o faz e ou o transforma  através do próprio corpo. (pg. 29, l. 10 a 12)
O desfio, para aquele professor com dificuldades de manter o interesse de suas diversas turmas (geralmente formadas por crianças com diferentes faixas etárias), pode esta em repensar sua prática  de modo que identifique e incorpore material adequado a ampliação do repertorio do aluno, tanto no que se refere a área temática a ser trabalhada quanto aos elementos da forma artística a ser explorada. Se a quantidade e a qualidade do material introduzido ao aluno for  adequada,  o papel do professor poderá ser o de mediador na investigação e interações dos alunos(pg.29, l. 23 a 30)
Peter Brook vê o teatro como meio para atingir o que nenhum outro meio é capaz: “Aqui está a possibilidade do teatro: o que um livro não pode transmitir, o que nenhum filósofo pode verdadeiramente explicar , pode ser alcançado através do teatro. (pg. 30,l. 22 a 25)
A construção do conhecimento em  grupo mediante a concomitante  aquisição da linguagem, ambos decorrentes das situações criadas e mediadas pelo professor, fica evidente a cada etapa do processo. Neste, o sucesso ou fracasso do drama como método de ensino ou aprendizagem, reflete a habilidade do professor para coordenar as interações dos alunos em diferentes níveis de equilibrar,  fazer e apreciar e de introduzir, situações, informações e ou desafios na hora certa de acorde com diferentes papeis e ações. (pg. 31, l. 20 a 27)
A singularidade do drama como processo é que é possível considera-lo tanto como método de ensino, permitindo abordar e desenvolver qualquer tema  ou situação dentro ou fora do currículo; quanto mais eixo curricular, podendo ser caracterizado como uma atividade independente das demais disciplinas, mas capaz de erar interesse ou pontos de ligações com qualquer outra das áreas  curriculares. (pg. 32, l. 4 a 9)
 Os primeiros anos do primeiro grau vão definir o engajamento emocional das crianças com o processo de aprendizagem, engajamento esse que vai  repercutir na sua alfabetização e na sua atitude para com a escola. (pg. 33,  l. 3 a 6)
A particularidade dessa investigação por meio da atividade dramática é que elas  envolve os alunos com áreas complexas da experiência humana, a fim de descobrir as questões e assuntos relevantes e suas necessidades. Trata-se de um processo de investigação cíclico e continuo porque a natureza do drama tem a ver com o descobrir e redescobrir  novas dimensões no material a ser investigado.(pg. 33, l. 18 a 23)
A utilização de um tem gerador revela-se como uma tentativa de integrar uma variedade de um mesmo tema. (pg. 34, l. 5 e 6)
Para tanto após selecionar os temas, é importante estabelecer os focos dramáticos  e sua possíveis analogias com o contexto sociocultural em que se vai trabalhar. Dessa forma será garantida a ressonância entre o contexto da ficção e as preocupações e interesses locais. (pg. 34, l. 13 a 16)
Essa forma de pesquisa é particularmente apropriada para o estudo do teatro no contexto educacional, uma vez que articula teoria e prática a partir da interação entre alunos e professor. Quando essas articulações  e interações acontecem dentro dos parâmetros da prática de ensino, isto é,  durante os estágios, tornam se um processo de investigação ainda mais produtivo, ao confrontaras recepções dos alunos (crianças e ou adolescentes), com as do estagiário (professor-aluno), e as do coordenador da pesquisa (professor orientador). Compartilhar histórias de pesquisa, suas implicações, problemas e possibilidades , é acima de tudo uma forma de desenvolvimento do campo de trabalho e de rompimento com o isolamento no inicio da vida profissional, além de um importante veiculo para criar uma comunidade de pesquisa. Tornar esse processo trans-[...](pg.35, l. 21 a 32)
[...] parente no decorrer do seu desenvolvimento é abrir possibilidades para experimentar, confrontar e registrar alternativas.  (pg.36, l.1 e 2)
O desenvolvimento do processo a partir de e delimitado por, um contexto dramático torna-se fundamental  para abordar o drama como eixo curricular.(pg.36, l. 4 e 6)
Um recurso pedagógico eficaz para envolver os participantes com o contexto dramático ,e ao mesmo tempo estimular investigações paralelas e independentes  nas demais áreas curriculares , é o pacote de estímulo composto. (pg. 36,  l. 12 a 15)
A teoria do estimulo composto foi desenvolvida por John Somers (1994), e parte do principio de que o impacto do trama esta baseado na possibilidade de trabalhar em dois níveis que estão interconectados e afetam um ao outro  _ o do contexto social dos participantes e o do contexto simbólico promovido pela linguagem do drama.(pg.36, l. 21 a 25)
Os artefatos contidos no pacote de estímulo ( o qual pode ser uma valise, um envelope grande, uma caixa, uma trouxa, etc.) , funcionam como uma alavanca para impulsionar o processo dramático, e vão tornando-se menos importantes a medida que a imaginação do grupo se fortalece.(pg. 37, l. 3 a 7)
A característica mais importante no pacote de estimulo, entretanto parece ser o envolvimento emocional  do grupo com o tema, se o cruzamento dos artefatos, a história  da origem do pacote e seu foco dramático forem convincentes e esteticamente bem resolvidos, a atenção ficará concentrada nos conflitos subjacentes à trama, e será afastada a possibilidade de ação de transformar em mera ilustração das situações sugeridas. (pg. 37, l.19 a 24)
O envolvimento emocional como universo de ficção convincente é precondição para focalizar o drama como eixo curricular. O maior risco a ser enfrentado é a associação do processo dramático com uma ilustração de fatos investigados nas demais disciplinas, o caminho deve ser o inverso, o drama permite imaginar e expressar situações imaginaria sem contornos históricos, geográficos e científicos precisos. É esta imprecisão que irá estimular o aluno a investigar sua referencias nas demais áreas. Daí a importância de identificar e mencionar com frequência o espaço do palco ou da cena, fazendo uma distinção entre contextos social e ficcional. (pg.37, l. 25 a 34)
A cada processo desenvolvido sobre o mesmo tópico ou texto dramático, o professor poderá optar por ampliar o número de trabalhos relacionados com o contexto (construção de mapas ou ambientações, murais, imagens congeladas, fotos animadas, esculturas, reportagens, etc.); com a identificação de funções ou papeis (berlinda, entrevistas, um dia na vida, problema oculto, máscaras, etc.)ou com o desenvolvimento da narrativa dramática, enfretamento de tensões e solução de conflitos (jogos de status, fórum, analogias, rituais, momentos de verdade, etc.) (pg.43, l. 9 a 17)
O que as identifica aqui é a fundamental importância que adquire sua coerência interna com o pretexto _ as intenções e motivações que deram origem ao processo do drama e a orquestração e a construção de uma narrativa orquestrada pelo professor dramaturgista_ o qual interfere no processo como professor-personagem. (pg. 43,  L. 20 a 24)
A premissa  da objetividade do discurso cientifico, segundo o autor nos leva ao dualismo entre processo e produto com produção teatral. (pg.44, l.8 a 10)
Para O’Toole, o processo, em drama,  pode ser definido como “a negociação e renegociação dos elementos de forma dramática, quanto ao contexto e aos objetivos dos participantes”. (pg.44, l.19 a 21)





 


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