Fichamento
Avaliação Processual
O principal objetivo foi investigar os limites e as
possibilidades na sua implementação, uma vez que há grande convergência entre
educadores sobre a necessidade de mudar a forma tradicional de avaliação –
somativa, classificatória e excludente, por modalidades processuais, de
naturezas formativas e incluentes. (pg.13, l.2 a 6)
Entre as temáticas tratadas estavam a formação docente,
práticas pedagógicas e encargos docentes. Os resultados mostram que as mudanças
na avaliação da aprendizagem estão inseridas em contextos de mudanças
pedagógicas mais amplas e que as dificuldades estão mais no contexto político e
social do que propriamente na escola.
(pg.13, l.11 a 15)
Neste sentido, a escola de tempo integral e o professor
de dedicação exclusiva são apontados como pré-requisitos para o desenvolvimento
pleno de modelos avaliativos processuais. (pg.13, l.21 a 23)
Entre as práticas pedagógicas mais importantes para uma
educação de qualidade e promotora de justiça escolar está a avaliação da aprendizagem. (pg.13, l. 31 a
33)
Observando a prática presente na maioria das instituições
de educação brasileira da atualidade, nota-se uma utilização equivocada da
avaliação da aprendizagem. (pg.14, l. 3 a 6)
Se a avaliação passa de reguladora do processo cognitivo
à simples constatadora de resultados, impossibilita a docentes e discentes o direito
de conhecer seguramente as condições de aprendizagem presentes naquele contexto, bem como a
capacidade de alterar e transformar essas condições. (pg.14, l.17 a 22)
A avaliação educativa é uma prática social, portanto, intersubjetiva,
relacional, carregada de valores. Por tratar da educação, precisa ter
compromisso com os princípios e valores que mais plenamente realizam as
finalidades essenciais da vida humana. (pg.14, l.30 a 34)
Na atual conjuntura educacional, especificamente no contexto
brasileiro, a tarefa de regular a aprendizagem do aluno a partir de observações
e produções processualmente sistematizas tem cedido espaço para registros
simplificados, representados quantitativamente e que, por vezes, desprezam
aspectos qualitativos do processo de aprendizagem. Assim, revela-se um modelo
de avaliação baseado na constatação de resultados e não em intervenções
pedagogicamente estratégicas, capazes de auxiliar e conduzir apropriadamente o
educando em seu caminho na construção de conhecimentos socialmente relevantes.
(pg.15, l.1 a 10)
Quando um artesão modela um objeto, não deixa de observar
o resultado para ajustar e, se preciso for, “corrigir o alvo”, expressão comum
que designa uma faculdade humana universal: a arte de conduzir a ação pelo
olhar, em função de seus resultados provisórios e dos obstáculos encontrados. (pg.16,
l.10 a 16)
Se a avaliação formativa nada mais é do que uma maneira
de regular a ação pedagógica, por que não é uma prática corrente? A avaliação
tem por principal objetivo permitir ao professor o acompanhamento constante e
sistemático de todo o processo de aprendizagem do aluno desde a verificação
diagnóstica de seus conhecimentos prévios, passando pela elaboração de
hipóteses e, finalmente, chegando à elaboração concreta de conceitos e
contextualização do conteúdo. Devido ao contexto no qual estão inseridas, a
avaliação formativa e a pedagogia diferenciada da qual participa, chocam-se com
obstáculos materiais e institucionais numerosos: o efetivo das turmas, a
sobrecarga dos programas e a concepção dos meios de ensino e das didáticas, que
quase não privilegiam a diferenciação. (pg.16, l. 23 a 33)
A avaliação, para assumir o caráter transformador (e não de
mera constatação e classificação), antes de tudo, deve estar comprometida com a
aprendizagem (e desenvolvimento) da totalidade dos alunos. (pg.17, l.22 a 25)
Cada aluno tem direito de aprender e de continuar seus
estudos. A avaliação é vista, então, como uma grande aliada do aluno e do
professor. Não se avalia para atribuir nota, conceito ou menção, como se faz
atualmente no Brasil. Deve se avaliar para promover a aprendizagem do aluno.
(pg.18, l.17 a 21)
É muito conhecida a avaliação feita por meio de provas,
exercícios e atividades quase sempre escritas, como produção de textos, relatórios,
pesquisas, resolução de questões matemáticas, questionários etc. (pg.19, l. 1 a
5)
Mas há outro tipo de avaliação muito frequente, principalmente
na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental: é aquela que se
dá pela interação de alunos com professores, com os demais profissionais que
atuam na escola e até mesmo com os próprios alunos, em todos os momentos e
espaços do trabalho escolar. Trata-se da chamada avaliação informal. (pg.19, l.
12 a 17)
Avaliar pode constituir um exercício autoritário do
poder, de julgar, ou, ao contrário, pode constituir um processo e um projeto em
que avaliador e avaliando buscam e sofrem uma mudança qualitativa. (pg.19, l.29
a 32)
Avaliar pode constituir um exercício autoritário do
poder, de julgar, ou, ao contrário, pode constituir um processo e um projeto em
que avaliador e avaliando buscam e sofrem uma mudança qualitativa. (pg.20, l.5
a 8)
Para nortear a pesquisa, uma questão central foi
elaborada: Por que uma escola reconhecidamente inovadora ainda enfrenta dificuldades
para tornar sua prática de avaliação processual de fato, efetiva? (pg.22, l.20
a 22)
Fortemente influenciada
também pelas ideias do psicólogo suíço Jean Piaget (1886-1980) e do pesquisador
russo Lev Vygotsky (1886- 1934), a instituição objeto desta investigação foi a
primeira escola construtivista de Salvador, sendo fundada em 1965. (pg.22, l.24
a 27)
Pôr em prática uma concepção pedagógica diferenciada
exigiu da escola um novo olhar sobre sua maneira de acompanhar o desenvolvimento
cognitivo de seus alunos. Assim, a avaliação da aprendizagem adotou claramente
um caráter processual. (pg.23, l.8 a 11)
Além de produções escritas, atividades corporais,
artísticas e tecnológicas foram também concebidas como formas do aluno revelar
suas compreensões sobre diferentes conteúdos. (pg.23, l.22 a 25)
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