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domingo, 9 de dezembro de 2012

Fichamento Notas sobre a experiência e ao saber da experiência


Fichamento
Notas sobre a experiência e ao saber da experiência

O que vou lhe propor aqui é o que exploremos juntos outra possibilidade, digamos que mais existencial (sem ser existencialista) e mais estética (sem ser esteticista), a saber, pensar a educação a partir do par experiência/sentido. O que vou fazer em seguida é sugerir certo significado para estas duas palavras em distintos contextos, e depois vocês me dirão como isso lhes soa. O que vou fazer é simplesmente explorar algumas palavras e depois compartilha-las. (p.20, l. 26 a 34))
Eu creio no poder das palavras, na força das palavras, creio que fazemos coisas com as palavras e,  também, que as palavras  fazem coisas conosco. As palavras determinam nosso pensamento porque não pensamos com pensamento, mas, com palavras, não pensamos a partir de uma suposta genialidade  ou inteligência, mas a partir de nossas palavras. E pensar não é somente  raciocinar” ou “argumentar” ou “calcular”, como nos tem sido ensinado algumas vezes , mas, é sobretudo dar sentido ao que somos e ao que nos acontece. E isto, o sentido ou sem sentido, é algo que tem a ver com as palavras, E portanto também tem a ver com as palavras o modo como  nos colocamos diante de nós mesmos, diante do outro e diante do mundo em que vivemos. E o modo como agimos em relação a tudo isso. (p. 21,l. 3 a 17)
Nomear o que fazemos em educação ou em qualquer outro lugar, como técnica aplicada, como práxis reflexiva ou como experiência dotada de sentido, não é somente uma questão terminológica. (p.21, l.43 a 46)
A informação não é experiência. E mais a informação não deixa lugar para a experiência, ela é quase contrario da experiência, quase uma ante experiência. (p. 21, l. 72 a 74)
A primeira coisa que gostaria de dizer da experiência é que é necessário separa-la da informação. E o que gostaria de dizer do saber da experiência  é que é necessário separa do saber das coisas, tal como se sabe quando se tem informação sobre as coisas, quando se esta informado. È a língua mesma que nos dá essa possibilidade. (p.22, l. 8 a 14)
Não deixa de ser curiosa a troca de intercambialidade entre os termos, “informação”, ”conhecimento” e “aprendizagem”. Como se o conhecimento se desse sob a forma de informação, e como se aprender não fosse outra coisa se não adquirir e processar informação. (p.22, l. 28 a 32)
Independentemente do que seja urgente problematizar esse discurso que se esta instalado sem critica, a cada dia mais profundamente, e que pensa a sociedade como um mecanismo de processamento de informação, o que eu quero apontar aqui é uma sociedade constituída sob o signo da informação é uma sociedade na qual a experiência é impossível. (p. 22, l.38 a 45)
O periodismo é a fabricação da informação e a fabricação da opinião. E quando a opinião e a informação se sacralizam, quando ocupam todo o espaço do acontecer, então o sujeito individual não é outra coisa que o suporte informado da opinião individual, e o sujeito coletivo, esse que teria que fazer história segundo  os velhos marxistas, não é outra coisa  que o suporte informado da opinião pública. Quer dizer um sujeito fabricado e manipulado pelos aparatos da informação e da opinião, um sujeito incapaz da experiência. E o fato de o periodismo  destruir  a experiência é algo mais profundo e mais geral do que aquilo que derivaria do efeito dos meios de comunicação de massa sobre a conformação de nossas consciências. (p.22,  l. 69 a 82)
Quer estar permanentemente excitado e já se tornou incapaz de silêncio. Ao sujeito do estimulo, da vivencia pontual, tudo o atravessa, tudo o excita, tudo o agita, tudo o choca, mas nada o acontece. Por isso a velocidade e o que ele provoca a falta de silêncio e de memória são também inimigos mortais da experiência.
Nessa lógica  de destruição generalizada da experiência , estou cada vez mais convencido deque os aparatos educacionais funcionam cada vez mais no sentido de se tornar impossível que alguma coisa nos aconteça. Não somente como já disse pelo funcionamento perverso e generalizado do par informação/ opinião, mas também pela velocidade. (p.23, l. 44 a 57)
Em quarto lugar a experiência é cada vez mais rara por excesso de trabalho.  Esse ponto me parece importante porque as vezes se confunde experiência com trabalho. Existe um clichê segundo o qual nos livro e nos centros de ensino se aprende a teoria, o saber que vem dos livros e das palavras,  e no trabalho se adquire  a experiência, o saber que vem do fazer e da prática, como se diz atualmente. (p.23,  l. 73 a 80)
Minha tese não é somente porque a experiência não tem nada a ver com o trabalho, mas ainda mais fortemente, que o trabalho. Essa modalidade essa modalidade de relação com as pessoas , com as palavras  e com as coisas que chamamos trabalho, é também inimiga morta da experiência. (p. 24  l. 6 a 11)
5.Se a experiência  é o que nos acontece, e se o sujeito da experiência é um território de passagem, então a experiência é uma paixão. Não se pode capitar a experiência a partir de uma lógica da ação, a partir de uma reflexão do sujeito sobre si mesmo enquanto sujeito agente, a partir das teorias das condições de possibilidades da ação, mas a partir de uma lógica  da paixão, uma reflexão do sujeito sobre  si mesmo, enquanto sujeito passional e a palavra paixão pode se referir a varias coisas.
O saber da experiência e da relação entre o conhecimento e a vida humana, de fato, a experiên-  (p.26, l. 83 e 84)
(...) cia é uma espécie de mediação entre ambos. É importante, porém, ter presente que do ponto de vista da  experiência  nem “conhecimento” nem “vida” significam o que significam atualmente. (p 27, l. 1 a 4)
A primeira nota sobre o saber da experiência sublinha, então,

 Sua qualidade existencial, isto é sua relação com a existência, com avida singular e concreta com um existente singular e concreto. (p.27,  l. 79 a 82)
A experiência já não é o meio desse saber  que forma e transforma a vidados homens em sua singularidade, mas o método da ciência objetiva, da ciência que se dá como tarefa, a apropriação e o domínio do mundo. (p.28,  l. 13 a 17)
Uma vez vencido e abandonado o saber da experiência e uma vez separado o conhecimento  da existência humana, temos uma situação paradoxal. (p. 28, l. 30 a 32)




                                              


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