Fichamento
Notas sobre a experiência e ao saber da experiência
O que vou lhe propor aqui é o que exploremos juntos outra
possibilidade, digamos que mais existencial (sem ser existencialista) e mais
estética (sem ser esteticista), a saber, pensar a educação a partir do par
experiência/sentido. O que vou fazer em seguida é sugerir certo significado
para estas duas palavras em distintos contextos, e depois vocês me dirão como
isso lhes soa. O que vou fazer é simplesmente explorar algumas palavras e depois
compartilha-las. (p.20, l. 26 a 34))
Eu creio no poder das palavras, na força das palavras, creio
que fazemos coisas com as palavras e, também,
que as palavras fazem coisas conosco. As
palavras determinam nosso pensamento porque não pensamos com pensamento, mas,
com palavras, não pensamos a partir de uma suposta genialidade ou inteligência, mas a partir de nossas
palavras. E pensar não é somente raciocinar” ou “argumentar” ou “calcular”,
como nos tem sido ensinado algumas vezes , mas, é sobretudo dar sentido ao que
somos e ao que nos acontece. E isto, o sentido ou sem sentido, é algo que tem a
ver com as palavras, E portanto também tem a ver com as palavras o modo
como nos colocamos diante de nós mesmos,
diante do outro e diante do mundo em que vivemos. E o modo como agimos em
relação a tudo isso. (p. 21,l. 3 a 17)
Nomear o que fazemos em educação ou em qualquer outro lugar,
como técnica aplicada, como práxis reflexiva ou como experiência dotada de
sentido, não é somente uma questão terminológica. (p.21, l.43 a 46)
A informação não é experiência. E mais a informação não
deixa lugar para a experiência, ela é quase contrario da experiência, quase uma
ante experiência. (p. 21, l. 72 a 74)
A primeira coisa que gostaria de dizer da experiência é que
é necessário separa-la da informação. E o que gostaria de dizer do saber da
experiência é que é necessário separa do
saber das coisas, tal como se sabe quando se tem informação sobre as coisas,
quando se esta informado. È a língua mesma que nos dá essa possibilidade.
(p.22, l. 8 a 14)
Não deixa de ser curiosa a troca de intercambialidade entre
os termos, “informação”, ”conhecimento” e “aprendizagem”. Como se o
conhecimento se desse sob a forma de informação, e como se aprender não fosse
outra coisa se não adquirir e processar informação. (p.22, l. 28 a 32)
Independentemente do que seja urgente problematizar esse
discurso que se esta instalado sem critica, a cada dia mais profundamente, e
que pensa a sociedade como um mecanismo de processamento de informação, o que
eu quero apontar aqui é uma sociedade constituída sob o signo da informação é
uma sociedade na qual a experiência é impossível. (p. 22, l.38 a 45)
O periodismo é a fabricação da informação e a fabricação da
opinião. E quando a opinião e a informação se sacralizam, quando ocupam todo o
espaço do acontecer, então o sujeito individual não é outra coisa que o suporte
informado da opinião individual, e o sujeito coletivo, esse que teria que fazer
história segundo os velhos marxistas,
não é outra coisa que o suporte
informado da opinião pública. Quer dizer um sujeito fabricado e manipulado
pelos aparatos da informação e da opinião, um sujeito incapaz da experiência. E
o fato de o periodismo destruir a experiência é algo mais profundo e mais
geral do que aquilo que derivaria do efeito dos meios de comunicação de massa
sobre a conformação de nossas consciências. (p.22, l. 69 a 82)
Quer estar permanentemente excitado e já se tornou incapaz
de silêncio. Ao sujeito do estimulo, da vivencia pontual, tudo o atravessa,
tudo o excita, tudo o agita, tudo o choca, mas nada o acontece. Por isso a
velocidade e o que ele provoca a falta de silêncio e de memória são também
inimigos mortais da experiência.
Nessa lógica de
destruição generalizada da experiência , estou cada vez mais convencido deque
os aparatos educacionais funcionam cada vez mais no sentido de se tornar
impossível que alguma coisa nos aconteça. Não somente como já disse pelo
funcionamento perverso e generalizado do par informação/ opinião, mas também
pela velocidade. (p.23, l. 44 a 57)
Em quarto lugar a experiência é cada vez mais rara por
excesso de trabalho. Esse ponto me
parece importante porque as vezes se confunde experiência com trabalho. Existe
um clichê segundo o qual nos livro e nos centros de ensino se aprende a teoria,
o saber que vem dos livros e das palavras,
e no trabalho se adquire a
experiência, o saber que vem do fazer e da prática, como se diz atualmente.
(p.23, l. 73 a 80)
Minha tese não é somente porque a experiência não tem nada a
ver com o trabalho, mas ainda mais fortemente, que o trabalho. Essa modalidade
essa modalidade de relação com as pessoas , com as palavras e com as coisas que chamamos trabalho, é
também inimiga morta da experiência. (p. 24
l. 6 a 11)
5.Se a experiência é
o que nos acontece, e se o sujeito da experiência é um território de passagem,
então a experiência é uma paixão. Não se pode capitar a experiência a partir de
uma lógica da ação, a partir de uma reflexão do sujeito sobre si mesmo enquanto
sujeito agente, a partir das teorias das condições de possibilidades da ação,
mas a partir de uma lógica da paixão,
uma reflexão do sujeito sobre si mesmo,
enquanto sujeito passional e a palavra paixão pode se referir a varias coisas.
O saber da experiência e da relação entre o conhecimento e a
vida humana, de fato, a experiên- (p.26,
l. 83 e 84)
(...) cia é uma espécie de mediação entre ambos. É
importante, porém, ter presente que do ponto de vista da experiência
nem “conhecimento” nem “vida” significam o que significam atualmente. (p
27, l. 1 a 4)
A primeira nota sobre o saber da experiência sublinha,
então,
Sua qualidade
existencial, isto é sua relação com a existência, com avida singular e concreta
com um existente singular e concreto. (p.27,
l. 79 a 82)
A experiência já não é o meio desse saber que forma e transforma a vidados homens em
sua singularidade, mas o método da ciência objetiva, da ciência que se dá como
tarefa, a apropriação e o domínio do mundo. (p.28, l. 13 a 17)
Uma vez vencido e abandonado o saber da experiência e uma
vez separado o conhecimento da
existência humana, temos uma situação paradoxal. (p. 28, l. 30 a 32)
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