Fichamento
Atmosfera e recepção numa experiência com o teatro na Alemanha
(Claudio Cajaíba)
Tratar de recepção do teatro remete as origens deste
fenômeno, localizadas pelas referencias históricas da Grécia, especificamente
da noção da catarse identificada na obra de Aristóteles. (l. 5 a 13)
Comentário: A
recepção ainda que não observada como o
foco de estudo se fazia presente a
partir dessa época e para esse povo, onde
tudo girava em torno deste, seu surgimento , grandes encenações, grandes
produções, grandes dramaturgos e suas grandes
dramaturgias.
(...) A participação emocional do leitor/espectador depende dessa individualização, desse recorte
sensível, antropomórfico, desse enraizar de cada palavra, num desejo e numa
intenção (...) No drama não se ver a linguagem, mas o agente que o produz, onde
vem a dificuldade de encara-lo como texto e o engano de ver no dialogo e nas
indicações cênicas uma espécie de notação teatral. (l 24 a 32)
Em sua tese de doutoramento “A gargalhada de Ulisses”, Medes
escreveu “A plateia se vina de certos tipos sociais ou padrões repressivos “...
Em 14 de setembro de 2002, Arnaldo Jabor descreveu suas
impressões após assistir o filme ui ver o filme e saí modificado. Nós não vemos o filme, esse filme nos ver.
Jabor parece corroborar com o pensamento de Manoel de
Barros que em seu poema Uma didática da invenção, afirmou “as coisas não querem
mais ser vistas por pessoas razoáveis”
Essas três
formulações preveem um lugar para o receptor que o privilegia( ...)
Para que as coisas e o teatro deixem de ser vistas por
pessoas razoáveis é preciso que o discurso sobre elas também deixe de ser
razoáveis. É preciso que a recepção seja
vista como livre das amarras impostas pelo romantismo que pressupõe o artista
genial e o receptor ignaro.
(...) Mas não há duvida de que o espectador adquiriu um
novo status, um novo lugar na teoria que se produz hoje sobre as artes cênicas,
as diferentes experiências que habitam o mundo sobre as artes cênicas. As
diferentes experiências cênicas que habitam o mundo hoje exige essa reflexão.
(...) Como advertiu Hans Thyes Lehmann, essa é uma
questão central para as artes cênicas, já que nos acostumamos a pensar com conceitos , esquecendo-se que
pintar, dançar, representar é também uma forma de pensar. (...)
(...) Ele lembra
que o uso da linguagem cotidiana é as vezes mais precisas que os
discursos especializados. E por isso
defende que a expressão atmosfera seja”
aplicado ao homem, ao espaço e a natureza” (...)
A partir de um momento histórico a teoria estética passou
a integrar também uma função social ao
promover a discursão sobre a função das obras de arte.
A obra vista como sino que se refere sempre a outro
signo, um determinado significado pressupõe um sentido pré-determinado quando, ao contrario dever-se-ia que uma obra
de arte é própria, que ela é portadora de uma realidade própria.(...)
O que é aura? Poder-se-ia defini-la como única aparição
de uma realidade longínqua por mais próxima que ela possa está (...)
El se manifesta na natureza das coisas. O que equivale
dizer que se o observador se entrega no
mundo das coisas, ele compartilha a aura das coisas. Na verdade a aura é algo
manifesto, é uma percepção espacial, algo como um sopro, um vapor, uma
atmosfera.
Contudo as opções metafóricas para a encenação do drama de Prospero, Miranda e Fernando como
foi discutido pelo grupo de latinos, após a apresentação sob a atenção do nosso
guia em Berlin ( que precisava transmitir as impressões em relatório para o
instituto Guethe) _ exibiam um primor tecnológico na cenografia, como poucas vezes se ver pelas
bandas de cá. Supostamente inspirada na versão cinematográfica de Peter
Greenway intitulada Prospero’s Books, a
montagem transcorria como se saísse de um livro gigante sobre o palco em pé que
abria e fechava suas paginas para “descortinar” as distintas situações e
os distintos locais onde se passa o drama, com
janelas e passagens nas páginas dos livros, numa atmosfera lúdica e
atraente. ( l. 58 a 72)
Os recursos para seduzir o espectador_ cuja inteligência
se podia constatar_ me aprecia desproporcionais as situações do velho drama de
Shakespeare. (l. 8 a 11)
Nas cenas mais simples como no monologo inicial e final
de Prospero’s, interpretado pela veterana e talentos atriz Hildegard Schmahl , as situações que seu exilio na ilha
lhe impunham, parecia mais palpáveis e me envolviam mais com espectador , de
fato na atmosfera do universo dos
antigo reis, da vingança, da reconquista
do trono, das traições, das conspirações , da magia , do instinto animal dos
homens, da gratidão, do servilismo, das revelações do passado obscuro, da
rivalidade entre grupos, do romance “Impossível” entre jovens, do happy end,
etc.(l. 15 a 26)
Atmosfera proposta pelo dramaturgo, assimila de forma
contundente pelo encenador parece se
resumir na sugestão que ele faz ao espectador
no programa do espetáculo: “Perceba simplesmente que tipo de ação
politica, emocional ou filosófica a peça exerce sobre você. A peça significa
para cada espectador uma coisa diferente”. (l. 15 a 22)
Se o dramaturgo de A cidade... Sugere que ‘“a peça
significa para cada espectador uma coisa diferente”, no caso de O oráculo isso se intensifica, não se trata apenas de
verificar que os significados são diferentes, mas de que as experiências sinestésicas
e sensitivas para cada um também são diferentes. (l. 10 a 16)
Um misto de ficção e realidade, que fazia com que o tempo
transcorresse sem que se percebesse. Era grande o sentimento de cumplicidade
com aquilo tudo. E assim cada um saía daquele espaço tendo vivenciado um drama,
uma história muito particular, muito genuína. (l. 33 a 39)
Lembrei-me então de outro filósofo alemão, Hans Georg
Gademer, que diz que a experiência com a arte é o lugar mais confortável do
homem no mundo por proporcionar uma clivagem, um desligamento de si, uma
entrega ao outro. (l. 33 a 38)
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