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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Atmosfera e recepção Numa experiência com o teatro na Alemanha


Atmosfera e recepção
Numa experiência com o teatro na Alemanha

Claudio Cajaiba
O novo lugar do receptor
Ao drama, mais que outra coisa, importa a possibilidade de operar metáforas envolver o espectador em uma determinada atmosfera.
Até o surgimento da teoria da recepção, no inicio da década de 1970, as discursões sobre os fenômenos artísticos se pautavam, majoritariamente, nas questões forma/conteúdo, ignorando-se ou menosprezando-se o papel do receptor.
As considerações aturais sobre o fenômeno da recepção teatral, que por sua vez, se baseiam nos princípios  teóricos da hermenêutica, da fenomenologia e da reaparição literária impõem uma aproximação do teatro à fenomenologia.
A atmosfera não é descritiva numa relação imprecisa ao que ela se relaciona, ao que ela corresponde, ou seja ao caráter próprio desta atmosfera. Ela de fato coloca o interlocutor em contato com a coisa em si.
[...]“conceito de atmosfera enquanto conceito da Estática deve unir os diferentes usos no cotidiano aos seus diferentes caracteres”.
Através de Goethe se pode dizer que “a estética faz uma grande diferença, que ela se aproxima de um saber, de uma ciência, e que ela é uma porta através da qual se entra na vida”.
[...] A obra vista como signo que se refere sempre a outro signo, a um determinado significado, pressupõe um sentido pré-determinado, quando, ao contrario, deve-se-ia perceber que uma obra de arte é própria, que ela é portadora de uma realidade própria.
[...] tudo isso envolvo numa “atmosfera” onde  se verifica o respeito, a atenção, a pontualidade, muita deferência e valorização de cada presença, de cada pergunta, de cada sugestão, de cada desejo, de cada curiosidade.
A cada dia, as diferenças atmosferas iam se sucessendo, sendo vivenciadas a cada drama/ espetáculo/performance, enfim, a cada evento apresentado.
Compactua-se com o principio hermenêutico, de que é possível olhar para o futuro sem esquecer o passado.
Era como se o texto dito não encontrasse correspondência   com o que estava sendo mostrado/exibido. Os recursos para seduzir o espectador  - cuja inteligência se podia constatar – me pareciam desproporcionais às situações do velho drama de Shakepeare.
A atmosfera proposta pelo dramaturgo, assimilada de forma contundente pelo encenador, parece se resumir na sugestão que ele faz ao espectador no programa do espetáculo: “perceba simplesmente que tipo de ação politica, emocional ou filosófica a peça exerce sobre você. A peça significa para cada espectador uma coisa diferente.
Hans Georg Gandamer, que diz que a experiência com a arte é o lugar mais confortável do homem no mundo, por proporcionar uma clivagem, um desligamento de si, uma entrega ao outro.
[...] tomei esta experiência como emblemática pelo fato, também, de estar discutindo aspectos da filosofia estética, de origem alemã, que têm contribuído significativamente para o pensamento humano o que me pareceu uma feliz coincidência.

Comentário:
No presente texto: Atmosfera e recepção numa experiência com o teatro na Alemanha, o professor Claudio Cajaiba primeiro faz um aparato teórico sobre a recepção teatral onde se entende que a estética faz uma grande diferença, que ela se aproxima de um saber, de uma ciência, e que ela é uma porta através da qual se entra na vida. E posteriormente faz um relato de como foi sua experiência no teatro da Alemanha, deslumbrado com as performances e com a dita atmosfera teatral alemã.


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