Atmosfera e recepção
Numa experiência com o teatro na
Alemanha
Claudio
Cajaiba
O
novo lugar do receptor
Ao
drama, mais que outra coisa, importa a possibilidade de operar metáforas
envolver o espectador em uma determinada atmosfera.
Até
o surgimento da teoria da recepção, no inicio da década de 1970, as discursões
sobre os fenômenos artísticos se pautavam, majoritariamente, nas questões
forma/conteúdo, ignorando-se ou menosprezando-se o papel do receptor.
As
considerações aturais sobre o fenômeno da recepção teatral, que por sua vez, se
baseiam nos princípios teóricos da
hermenêutica, da fenomenologia e da reaparição literária impõem uma aproximação
do teatro à fenomenologia.
A
atmosfera não é descritiva numa relação imprecisa ao que ela se relaciona, ao
que ela corresponde, ou seja ao caráter próprio desta atmosfera. Ela de fato
coloca o interlocutor em contato com a coisa em si.
[...]“conceito
de atmosfera enquanto conceito da Estática deve unir os diferentes usos no
cotidiano aos seus diferentes caracteres”.
Através
de Goethe se pode dizer que “a estética faz uma grande diferença, que ela se aproxima
de um saber, de uma ciência, e que ela é uma porta através da qual se entra na
vida”.
[...]
A obra vista como signo que se refere sempre a outro signo, a um determinado significado,
pressupõe um sentido pré-determinado, quando, ao contrario, deve-se-ia perceber
que uma obra de arte é própria, que ela é portadora de uma realidade própria.
[...]
tudo isso envolvo numa “atmosfera” onde
se verifica o respeito, a atenção, a pontualidade, muita deferência e valorização
de cada presença, de cada pergunta, de cada sugestão, de cada desejo, de cada
curiosidade.
A
cada dia, as diferenças atmosferas iam se sucessendo, sendo vivenciadas a cada
drama/ espetáculo/performance, enfim, a cada evento apresentado.
Compactua-se
com o principio hermenêutico, de que é possível olhar para o futuro sem
esquecer o passado.
Era
como se o texto dito não encontrasse correspondência com o
que estava sendo mostrado/exibido. Os recursos para seduzir o espectador - cuja inteligência se podia constatar – me
pareciam desproporcionais às situações do velho drama de Shakepeare.
A
atmosfera proposta pelo dramaturgo, assimilada de forma contundente pelo
encenador, parece se resumir na sugestão que ele faz ao espectador no programa
do espetáculo: “perceba simplesmente que tipo de ação politica, emocional ou
filosófica a peça exerce sobre você. A peça significa para cada espectador uma
coisa diferente.
Hans
Georg Gandamer, que diz que a experiência com a arte é o lugar mais confortável
do homem no mundo, por proporcionar uma clivagem, um desligamento de si, uma
entrega ao outro.
[...]
tomei esta experiência como emblemática pelo fato, também, de estar discutindo
aspectos da filosofia estética, de origem alemã, que têm contribuído
significativamente para o pensamento humano o que me pareceu uma feliz
coincidência.
Comentário:
No
presente texto: Atmosfera e recepção numa experiência com o teatro na Alemanha,
o professor Claudio Cajaiba primeiro faz um aparato teórico sobre a recepção
teatral onde se entende que a estética faz uma grande diferença, que ela se
aproxima de um saber, de uma ciência, e que ela é uma porta através da qual se
entra na vida. E posteriormente faz um relato de como foi sua experiência no
teatro da Alemanha, deslumbrado com as performances e com a dita atmosfera
teatral alemã.
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