FICHAMENTO DO
TEXTO: A FORMA-AÇÃO DO ATOR-PROFESSOR: AS INTIMAÇÕES DO IMAGINÁRIO NA
REEDUCAÇÃO DO SENSÍVEL DE ADRIANO MORAES DE OLIVEIRA pelo Programa de
Pós-Graduação em Educação – PPGE/UFPel Doutorado – Cultura Escrita, Linguagens
e Aprendizagem – Or. Profª Lúcia Peres Professor do Curso de Teatro –
Universidade Federal de Pelotas. VI CONGRESSO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM
ARTES CÊNICAS 2010.
“A idéia
de reeducação do sensível surgiu em um momento da pesquisa com três sujeitos,
alunos do curso de teatro da UFPel, em 2008. Buscava estimulá-los para o fato
de que o movimento no teatro não é natural. E que a consciência da forma que é
expressa a partir de uma determinada perspectiva altera a qualidade do
movimento. O fato de ter consciência de representar em relação a um grupo
determinado de espectadores faz com que um conjunto de símbolos adquira uma
forma distante do natural. A concentração exigida num ato teatral não está
apenas no próprio ator, mas no próprio encontro. Após vários exercícios e
tentativas, convoquei-os a experimentarem formas nas quais os seus movimentos
peculiares fossem, de certo modo, abandonados.” (p.1, l. 1-9).
“[...] Ao
mesmo tempo, percebi que ao convocá-los para uma atuação dessa natureza seus
corpos se tornaram mais vivos. Todos tiveram a mesma percepção; e mais,
perceberam que a sensação de estar compondo a partir de outros referenciais
provocava também uma maior liberdade imaginativa.” (p.1, l. 11-15).
“Nesse mesmo
momento, estava desenvolvendo com os alunos um treinamento inspirado em
Grotowski.” (p.1, l. 16-17).
“A questão de
pesquisa amparada em Grotowski ampliou minha percepção sobre o assunto e deu um
salto importante. Não era apenas uma questão isolada de “se saber atuando”,
provocada pela utilização de movimentos e ações distintas daquelas cotidianas
de cada um dos sujeitos. O trabalho de cada um dos alunos sobre si mesmos
evidenciou questões que se relacionam com intimações das mais diversas ordens:
o sentido do teatro que cada um carrega; as formas cristalizadas de atuar que
cada um possui; as solicitações sociais do que vem a ser o teatro; entre
outras.” (p.2, l. 12-18).
“Amparado por
Stanislavski e Grotowski, e pelas questões do imaginário e da simbólica, não
podia deixar de lado os processos formativos pelos quais meus sujeitos de
pesquisa haviam passado. Assim, compreendi que aquilo que entendo ser um
caminho para a formação de um ator-professor é um processo de conhecimento da
nossa própria sensibilidade, isto é, de como percebemos e expressamos nossa
percepção do mundo.” (p.2, l. 19-23).
“[...] Como se
tratava de um trabalho científico, assumi a opção pelo modo desenvolvido pelos
estudiosos do campo do imaginário.” (p.2, l. 30-31).
“A reeducação do
sensível adquiriu, entre 2008 e 2009, uma conotação afim com as bases
epistemológicas de meu projeto: o trabalho do ator sobre si mesmo que liga
Stanislavski a Grotowski e a valorização das intimações do imaginário e das
funções da imaginação simbólica presentes nas teses de Gilbert Durand.” (p.2,
l. 32-35).
“A ideia de
formação de um ator-professor apoia-se no fato de que o teatro é um campo
pedagógico por excelência. O ator, tecnicamente preparado, ao atuar proporciona
que o espectador se movimente em suas experiências pessoais. Nesse encontro
entre o ator e o espectador, que é sustentado por um ato de doação do ator,
podem ocorrer choques perceptivos, ocasionando, naturalmente, uma aprendizagem
ao espectador.” (p.3, l. 1-5).
“Configurei o
recorte de minha pesquisa assumindo como princípio de que uma das funções de um
ator-professor é a de promover o encontro do homem com ele próprio por meio da
reapresentação de ações dramáticas.” (p.3, l. 21-23).
“Inicialmente
(2008), propus aos alunos a discussão dos elementos constitutivos no processo
de preparação de atores utilizados no Teatro de Arte de Moscou e
potencializados por Grotowski, a saber: 1. o trabalho sobre si mesmo, 2. o
trabalho sobre a personagem e 3. o trabalho sobre o papel.” (p.3, l. 24-27).
“[...]A escolha
de Stanislavski e Grotowski como principais fontes teóricas ocorreu pela
própria estrutura das trajetórias desses artistas que, por meio da seleção de
objetivos físicos (quereres), movimentam o processo de criação do ator. Ter o
que executar em cena é o que provoca o surgimento do interesse, tanto o do ator
quanto o do espectador, na participação do jogo do teatro. Pensando em seus
desejos, o ator experimenta o “como se” stanislavskiano: experimenta
conscientemente a representação de si pela projeção de seu imaginário e do
imaginário de uma época.” (p.3, l. 30-32 - p. 4, l. 1-4).
“A
investigação é realizada em dois níveis de experimentos poéticos: um focado no
trabalho do ator sobre si mesmo e o outro nas experiências com poéticas
teatrais. O primeiro sugere a necessidade de controle e autoconhecimento; o
segundo a necessidade de organização do teatro como um encontro.” (p. 4, l. 22-23).
“As
contribuições do imaginário, atreladas à exploração da teatralidade, são de
ordem arquitetural. A arquitetura dos primeiros experimentos demonstra que a
estrutura se torna “estruturante” na medida em que os sujeitos interagem com a
linguagem do teatro. O processo de colocar-se no lugar do outro, de buscar
diálogos com outras culturas, resulta também em uma possibilidade de
humanização.” (p.4, l. 27-31).
“No processo de
desnudamento, pelo qual precisa passar o ator-professor em minha proposta de
reeducação do sensível, certamente essas intimações do imaginário agirão
dialeticamente. É na linguagem que os imaginários podem ser surpreendidos. É
também na linguagem que o sujeito pode ser flagrado. Constituímo-nos na
linguagem e pela linguagem. E linguagem, seja ela de qual ordem for, é oriunda
do imaginário, é estrutura imaginária.” (p.5, l. 9-14).
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