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quinta-feira, 17 de maio de 2012

FICHAMENTO DO TEXTO: A FORMA-AÇÃO DO ATOR-PROFESSOR: AS INTIMAÇÕES DO IMAGINÁRIO NA REEDUCAÇÃO DO SENSÍVEL DE ADRIANO MORAES DE OLIVEIRA



FICHAMENTO DO TEXTO: A FORMA-AÇÃO DO ATOR-PROFESSOR: AS INTIMAÇÕES DO IMAGINÁRIO NA REEDUCAÇÃO DO SENSÍVEL DE ADRIANO MORAES DE OLIVEIRA pelo Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE/UFPel Doutorado – Cultura Escrita, Linguagens e Aprendizagem – Or. Profª Lúcia Peres Professor do Curso de Teatro – Universidade Federal de Pelotas. VI CONGRESSO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTES CÊNICAS 2010.

 “A idéia de reeducação do sensível surgiu em um momento da pesquisa com três sujeitos, alunos do curso de teatro da UFPel, em 2008. Buscava estimulá-los para o fato de que o movimento no teatro não é natural. E que a consciência da forma que é expressa a partir de uma determinada perspectiva altera a qualidade do movimento. O fato de ter consciência de representar em relação a um grupo determinado de espectadores faz com que um conjunto de símbolos adquira uma forma distante do natural. A concentração exigida num ato teatral não está apenas no próprio ator, mas no próprio encontro. Após vários exercícios e tentativas, convoquei-os a experimentarem formas nas quais os seus movimentos peculiares fossem, de certo modo, abandonados.” (p.1, l. 1-9).

 “[...] Ao mesmo tempo, percebi que ao convocá-los para uma atuação dessa natureza seus corpos se tornaram mais vivos. Todos tiveram a mesma percepção; e mais, perceberam que a sensação de estar compondo a partir de outros referenciais provocava também uma maior liberdade imaginativa.” (p.1, l. 11-15).

“Nesse mesmo momento, estava desenvolvendo com os alunos um treinamento inspirado em Grotowski.” (p.1, l. 16-17).

“A questão de pesquisa amparada em Grotowski ampliou minha percepção sobre o assunto e deu um salto importante. Não era apenas uma questão isolada de “se saber atuando”, provocada pela utilização de movimentos e ações distintas daquelas cotidianas de cada um dos sujeitos. O trabalho de cada um dos alunos sobre si mesmos evidenciou questões que se relacionam com intimações das mais diversas ordens: o sentido do teatro que cada um carrega; as formas cristalizadas de atuar que cada um possui; as solicitações sociais do que vem a ser o teatro; entre outras.” (p.2, l. 12-18).

“Amparado por Stanislavski e Grotowski, e pelas questões do imaginário e da simbólica, não podia deixar de lado os processos formativos pelos quais meus sujeitos de pesquisa haviam passado. Assim, compreendi que aquilo que entendo ser um caminho para a formação de um ator-professor é um processo de conhecimento da nossa própria sensibilidade, isto é, de como percebemos e expressamos nossa percepção do mundo.” (p.2, l. 19-23).

“[...] Como se tratava de um trabalho científico, assumi a opção pelo modo desenvolvido pelos estudiosos do campo do imaginário.” (p.2, l. 30-31).

“A reeducação do sensível adquiriu, entre 2008 e 2009, uma conotação afim com as bases epistemológicas de meu projeto: o trabalho do ator sobre si mesmo que liga Stanislavski a Grotowski e a valorização das intimações do imaginário e das funções da imaginação simbólica presentes nas teses de Gilbert Durand.” (p.2, l. 32-35).

“A ideia de formação de um ator-professor apoia-se no fato de que o teatro é um campo pedagógico por excelência. O ator, tecnicamente preparado, ao atuar proporciona que o espectador se movimente em suas experiências pessoais. Nesse encontro entre o ator e o espectador, que é sustentado por um ato de doação do ator, podem ocorrer choques perceptivos, ocasionando, naturalmente, uma aprendizagem ao espectador.” (p.3, l. 1-5).

“Configurei o recorte de minha pesquisa assumindo como princípio de que uma das funções de um ator-professor é a de promover o encontro do homem com ele próprio por meio da reapresentação de ações dramáticas.” (p.3, l. 21-23).

 “Inicialmente (2008), propus aos alunos a discussão dos elementos constitutivos no processo de preparação de atores utilizados no Teatro de Arte de Moscou e potencializados por Grotowski, a saber: 1. o trabalho sobre si mesmo, 2. o trabalho sobre a personagem e 3. o trabalho sobre o papel.” (p.3, l. 24-27).

“[...]A escolha de Stanislavski e Grotowski como principais fontes teóricas ocorreu pela própria estrutura das trajetórias desses artistas que, por meio da seleção de objetivos físicos (quereres), movimentam o processo de criação do ator. Ter o que executar em cena é o que provoca o surgimento do interesse, tanto o do ator quanto o do espectador, na participação do jogo do teatro. Pensando em seus desejos, o ator experimenta o “como se” stanislavskiano: experimenta conscientemente a representação de si pela projeção de seu imaginário e do imaginário de uma época.” (p.3, l. 30-32 -  p. 4, l. 1-4).

 “A investigação é realizada em dois níveis de experimentos poéticos: um focado no trabalho do ator sobre si mesmo e o outro nas experiências com poéticas teatrais. O primeiro sugere a necessidade de controle e autoconhecimento; o segundo a necessidade de organização do teatro como um encontro.” (p. 4, l. 22-23).

“As contribuições do imaginário, atreladas à exploração da teatralidade, são de ordem arquitetural. A arquitetura dos primeiros experimentos demonstra que a estrutura se torna “estruturante” na medida em que os sujeitos interagem com a linguagem do teatro. O processo de colocar-se no lugar do outro, de buscar diálogos com outras culturas, resulta também em uma possibilidade de humanização.” (p.4, l. 27-31).

“No processo de desnudamento, pelo qual precisa passar o ator-professor em minha proposta de reeducação do sensível, certamente essas intimações do imaginário agirão dialeticamente. É na linguagem que os imaginários podem ser surpreendidos. É também na linguagem que o sujeito pode ser flagrado. Constituímo-nos na linguagem e pela linguagem. E linguagem, seja ela de qual ordem for, é oriunda do imaginário, é estrutura imaginária.” (p.5, l. 9-14). 

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